sábado, 3 de setembro de 2011

Uvas doces e mudanças...

 Meu quintal está começando a florir...
- Você deve ter sangue cigano nas veias!
 Era o que diria minha mãe, com certeza se estivesse viva e eu lhe contasse que vou me mudar novamente.
Não está viva, mas posso ouví-la. Ouço, mas não compreendo. A menos que ela estivesse a confessar que esteve com um cigano, ao invés de meu pai, o que não seria possível, porque sou a cara dele. Do meu pai, claro!
Então, agora me lembro...era ela! Ela, a minha mãe, é que tinha alma cigana!
- Devo ter sido cigana na outra encarnação" me lembrei de ouví-la comentar. E tudo porque gostava de brincos e colares. eu também. Me sinto nua, sem brincos! Esqueço documentos, celular, mas não os brincos!
E eles tem de ser grandes, mesmo apesar de minha pequena estatura. Com a idade, diminuí alguns centímetros tanto dos brincos, quanto de mim mesma. A estatura não foi uma escolha, e os brincos, foi um caso de bom senso. Então tá, herdei uma alma cigana. Não é só isto, pois sei que vida é movimento, e às vezes mudo de residência porque é ela que me move!
Se uma idéia de mudança se apresentava como necessária ou solução para uma vida melhor, apesar do cansaço que eu sabia que iria enfrentar, não costumava me opor a ela. Sou cheia de esperanças como semente e, a cada mudança levava junto o potencial. Ao contrário de me opor, me perguntava o que eu tinha ali que justificasse não arredar o pé de onde me encontrava. Nada para mim é mais importante do que certa liberdade para sair de uma situação que cristaliza num ponto que mata a criatividade ou o prazer e alegria, e juntamente com isto,nada é mais importante do que algumas poucas pessoas com as quais eu vislumbre que possamos viver uma verdadeira relação de intimidade, amizade e carinho - é isto que me traz bem-estar- e assim, sigo por este caminho, como prioridade absoluta. Se para isto é preciso mudar, então, mudemos!  Ah, mas é preciso coragem, porque dá muito trabalho embalar todas as cerâmicas, tintas e coisas que eu mesma embalo, por ter tido a experiência de não poder confiar nos plásticos bolha das empresas de mudanças..rs.... Deste modo, logo vou me desapegando do que tenho de deixar para trás.
  Contudo, quando a gente vai amadurecendo, acho que a alma cigana vai desejando se aquietar. E há recantos que ficarão em meu coração como lugares encantados. Um deles é a praia dos Ingleses, onde está minha casa e meu filho mais novo com a mulher. Um paraíso do qual saí por necessidade extremíssima! Outro lugar é esta casa onde moro agora e a cidade de Sorocaba. Que cidade maravilhosa esta para se morar!
Estou escrevendo esta crônica, neste momento, no quintal florido onde, em vasos, tenho inúmeras árvores frutíferas, flores, trepadeiras. Novamente vou precisar podá-las para serem transportadas. As flores vão sofrer. As trepadeiras se transformarão em pequenos tocos aparentemente secos, mas guardarão em si, como eu guardo em mim, o milagre da fé na possibilidade.
 Penso que há pessoas e locais que a gente jamais vai esquecer e leva-os no coração, para sempre. Desconfio que, minha alma nômade, deseja encontrar um lugar e nele, companhia para colher com tranquilidade os frutos do quintal, para poder vermos juntos finalmente, a parreira produzir belos cachos de uva. E, para isto , é preciso permanecer...
Texto e fotos: Vera Alvarenga

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Na florada dos Ipês, uma mensagem...

   O inverno está terminando.
   Logo entraremos na Primavera e vou aproveitar para tirar muitas fotos da florada, nesta linda cidade de Sorocaba.
Aqui, quando menina,  passei dias gostosos em casa de minha avó, minha tia...Vínhamos de São Paulo visitar os tios. Nós,crianças, dizíamos que tínhamos de fazer a via sacra...rs...
Após mais de 30 anos sem vir à Sorocaba, ao voltar,tive a alegria de encontrar uma cidade linda, com projetos culturais maravilhosos, avenidas e ruas floridas e bem cuidadas, limpas.
Revi uma prima querida, seus filhos...Conheci pessoas que ainda dão valor e vivem em família.Adorei.Viemos morar aqui.
Prestigiei o Projeto Domingo no Parque, passando maravilhosas manhãs de domingo ao sol, assistindo shows fantásticos.
Até levei as amigas que vieram de outras cidades do Brasil, no meu aniversário, para conhecer o projeto e a praça.
Enfim aproveitei muito o que eu pude aproveitar de bom, inclusive o Tai Chi, com o amável prof. Luiz, na faculdade da 3ª idade na UNISO ( Universidade de Sorocaba).
O rio Sorocaba é lindo e passa por esta cidade e por Votorantim
onde está meu endereço oficial ( moro, como sabem, na divisa das 2 cidades..rs...). Adoro fotografar os recantos deste rio.
E Sorocaba está finalizando um projeto de despoluição do rio.
Votorantim parece que está aderindo. Fico feliz por isto!
  Hoje, aproveitei para fotografar os Ipês Brancos que estão floridos, em Sorocaba.
  São lindos, não são?
  Este final de inverno me traz não apenas a mensagem de uma nova estação, mas de uma  mudança que se aproxima... perto do final do ano iremos nos mudar de residência, de cidade.Não sei ainda qual será a cidade escolhida, ou se voltarei à Florianópolis. Espero poder ficar no interior de São Paulo.  Mudança novamente, cansaço, mas também oportunidades de renovação e sei, muitas coisas boas virão!
  Assim, nesta primavera, vou me despedir da cidade tirando muitas fotos...desta cidade linda em que adorei morar e do lindo rio Sorocaba.
Fotos e texto: Vera Alvarenga

domingo, 28 de agosto de 2011

Basta sentir...

   



Nem tudo a gente precisa entender.

Há muitas coisas que a gente só tem que sentir.

Abrir o coração, deixar entrar e então...sentir.









Existe uma beleza no fazer arte ou estar diante dela..

é a de intuir que basta sentir, sem explicar, sem julgar, apenas deixar existir...


É como descobrir a beleza que existe em fazer sexo
com amor, que não se quer compreender nem é preciso ver, apenas sentir...









Isto acontece com os sentimentos ou momentos fortes que nos arrebatam, apaixonam...



Crônica fotográfica- texto e fotos:
Vera Alvarenga



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Reforma em Votorantim prevê solucionar problema de poluição do rio.

Semana passada participei pelo MSN do programa Debate dos Fatos da TV Votorantim, fazendo 1 pergunta que me foi respondida no ar, pelo que agradeço.
Perguntei: - " Se a reforma que a Prefeitura de Votorantim está fazendo na Praça de Eventos onde acontece a Festa Junina, prevê a canalização também da água suja que entra direto no Rio Sorocaba por um cano de esgoto que passa por baixo da avenida ( nem sei se vindo apenas da Festa)."
  Isto me preocupava desde o dia que fui fotografar o rio que adoro, e me surpreendi com a sujeira que vinha deste cano e entrava direto no rio, durante as Festas Juninas de Votorantim. Me surpreendeu porque deveria estar acontecendo há anos e é um problema sério que precisava ser urgentemente resolvido. Sei do esforço da Prefeitura de Sorocaba em seu Projeto de  despoluição do rio, portanto Votorantim, sua cidade irmã e vizinha, deve cooperar. Cheguei a colocar as fotos no meu blog e falar do assunto também por email a jornalistas da TV, pedindo-lhes apoio, porque isto havia me entristecido.
Foi feita reportagem muito boa a  respeito da poluição, convocando a população a se conscientizar da importância da qualidade da água do rio, e cidadãos entrevistados falaram de seu desejo de continuar a pescar no rio, como sempre fizeram. Mas,parece que não tinha sido citado o problema dos canos levando sujeira. Por isto, aproveitei a oportunidade do programa para mais uma vez, tentar saber se na reforma, foi pensada uma solução.
Então, fiquei contente com a resposta da Luciana que apresenta junto com o Werinton o programa de TV que mencionei, dizendo que o Prefeito citou em outra reportagem, que sua intenção com a reforma também é sanar este problema. Que bom!
Então, vamos esperar que tudo se resolva. Que o rio possa continuar a ser o símbolo de um relacionamento de amor e respeito à natureza, por parte da população de suas margens. Assim evitaremos o que ocorre com o rio Tietê por exemplo, que sofre pela irresponsabilidade dos homens.
A Festa Junina é um evento maravilhoso que traz turistas à cidade.
O Rio Sorocaba é lindo, tem recantos que, em Votorantim, poderiam ser transformados em belos locais para a comunidade e turistas poderem usufruir, como já foi feito na cidade de Sorocaba. Espero que assim seja. Que em suas margens possamos ver árvores floridas e que suas águas se mantenham isentas de despejos indesejáveis. Que a vida que ali existe se multiplique. A cidade de Votorantim pode ficar muito bonita e valorizada se este aspecto for cuidado.
 E, evidentemente, isto não se trata só de educação voltada à ecologia, ou de um serviço de valorização ao meio ambiente com o respeito devido à flora e fauna, mas inclui respeito aos cidadãos e moradores da região, que merecem lazer às suas margens... e também precisam responsabilizar-se por mantê-lo limpo. A água é do planeta.
  Que bom, parece que vamos ter uma atitude de coerência e cooperação que trará benefícios a todos, com certeza! Estas 2 cidades bem poderiam servir de exemplo a tantas outras! E eu continuarei feliz a fotografar as belezas deste rio!
Texto e fotos: Vera Alvarenga



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Colcha de Retalhos - a arte imita a vida...

Ah..acho que foi em 1992  na Casa da Cultura de Paraty, numa exposição minha onde Máscaras eram o elemento principal, fiz um quadro que chamei de "Colcha de Retalhos" e com ele aconteceu algo interessante.
Evidentemente ele tem uma história... numa de minhas constantes viagens a Paraty, eu levava minha máquina de fotografia e ia por todos os caminhos, inclusive na mata, com olhos de procurar, sentindo-me atraída por cores,relevos, texturas e pelo Belo, principalmente o belo que aparece onde menos se espera, e mesmo no caos. Sempre fui uma pessoa intuitiva, gosto disto - encontrar o belo é uma solução intuitiva para a sobrevivência.
Uma noite, andando com minha sogra e marido, entramos no Asilo dos Idosos, (hoje diriam Casa dos Idosos). Ela, que viveu em Paraty, disse que gostaria de ir para lá quando estivesse bem velhinha, pois encontraria certamente conhecidos. Isto me surpreendeu, me impressionou. Então, já entrei impressionada, num lugar onde teria de encarar algo não muito fácil - a realidade de que a velhice chega para todos. Ela caminhava e conversava com algumas senhoras, mostrando-se à vontade com a crua realidade. Eu, fazendo de conta que estava bem, me senti uma idiota porque não sabia o que dizer a nenhuma delas. Aliás, quando algo me emociona muito ou mexe comigo, geralmente não sei mesmo o que dizer, pois falar é algo bem racional e eu sou muito menos racional, eu acho. De repente me sentei ao lado de uma senhorinha que estava calada e não parecia ter nenhuma expectativa em relação a alguém conversar com ela. Me senti mais à vontade e fiquei olhando a colcha de retalhos que ela fazia. Quando vi, estávamos conversando. A colcha era linda!
   Foi logo depois, que fiz este quadro. Pelo menos nele, eu tinha o que dizer,sem precisar falar..rs... Geralmente, expresso melhor meus sentimentos através do corpo ou das mãos, de um carinho, um abraço, fazendo arte ou artesanato. Nunca tinha visto alguém fazer um mosaico de fotos cortadas, mas era a minha colcha de retalhos, em homenagem e respeito àquelas senhorinhas lá do asilo. Retalhos da cidade onde tinham vivido a vida toda. Sobre ele coloquei vidro e uma máscara também recortada de cerâmica que fiz do meu próprio rosto. A moldura era antiga, cor sóbria, lembrando o asilo. Bem, estas coisas da criatividade não se explica muito, mas foi o que tive de fazer para uma senhora que veio com a amiga na exposição e fez uma dura crítica ao quadro. Disse que entendia de arte e jamais aquela moldura deveria estar ali,numa obra tão contemporânea,etc,etc. Eu, nunca estudei arte, a não ser escultura,mesmo assim,em cursos práticos,com Calabrone e Reydon. A forma dura como me criticou me deixou sem graça. Quis então contar a ela a história da "minha" colcha de retalhos e, assim que o fiz, seus olhos se encheram de lágrimas e ela saiu. Fiquei passada, sem entender, pois não fui grosseira a ponto de ...
   Então a amiga dela veio em meu socorro, me contou baixinho que, uma noite antes disto,se não me falha a memória, passando pela calçada em frente ao Asilo, viram as senhorinhas dançando com alguém(acho que era um médico ou enfermeiro) que as chamou para participarem também daquele momento e a amiga se emocionou,mas não quis entrar. Foi realmente uma coincidência que ela tenha sido tão dura com algo que representava o que antes, já havia mexido tanto com os medos dela (e meus)! Bem, penso que a velhice, a solidão, o estar numa casa de velhinhos sem familiares por perto é mesmo uma coisa que assusta a muitos de nós...(com exceção de minha sogra! que, por sinal, morava com uma filha carinhosa, antes de morrer -não precisou ir para o asilo).
   O mais, seja em relação a Vida, ao amor ou à Arte, fica por aí mesmo, nem sempre é preciso explicar...

Texto e foto: Vera Alvarenga

sábado, 13 de agosto de 2011

Poder nas mãos de quem não reconhece limites...

Quem tiver oportunidade e tempo, veja a história contada por D. Adelaide, lá no site do Amores no Velho Chico. Aqui está o link: http://www.amoresnovelhochico.com.br/2011/08/11/e-tres-marias-inundou-o-sertao/
Esta comovente história me fez pensar novamente no abuso de poder nas mãos dos que pensam apenas em si e não percebem os seus limites e os de outros. Aqui vão flores simbolizando meus respeitos à D. Adelaide...e meu desabafo.
Na maior parte das vezes, governantes deveriam poder experimentar do próprio remédio para compreender o peso de suas ações.
Sou obrigada a reconhecer que nós, seres humanos somos imperfeitos e
portanto, tudo isto é algo a se esperar, 
mas que é importante darmos voz aos que tem histórias para contar, para que, com alguma esperança possamos crer que isto nos fará desejar evoluir.

Por que quem tem poder sobre as decisões que afetam outros, não consegue perceber seus limites? Para alguns, conseguir o que querem mesmo ao custo de outros é o que importa!

Sempre foi assim, no mundo, entre os governantes, nas comunidades, dentro das casas...Por isto é preciso podermos ouvir histórias como as de D. Adelaide, para lembrar de não nos acostumar com as justificativas e inversão de valores.
Há muitas maneiras de se viver histórias assim. Os detalhes e o número de pessoas atingidas pode ser diferente, mas tem algo em comum. Tudo começa quando alguém, ou uns poucos,não tem consciência do próprio limite e de sua imperfeição e então, não podem também reconhecer os limites do outro e seus direitos.
Então, com o poder nas mãos,seja ele de que forma for, impõe o que decidiram que para si é o melhor. Por levar em conta só o que querem,embora não lhes satisfaça nunca, minam a resistência do(s) outro(s) com diferentes táticas, acabam com sua auto estima, destroem o outro que, quanto mais tiver consciência de si e de princípios humanitários, mais sofrerá e acabará por ser considerado como alguém inapropriado ou incapaz. Que valores são estes que estão tão invertidos? As vítimas que tanto tem que suportar são consideradas como "fracos e loucos"!
E por que estas vítimas se calam? Por que tanta gente deslumbrada hoje pelas palavras fáceis, pensam que as vítimas é que são sempre culpadas pelos abusos que sofrem? Por que tanta gente ainda sonha com a ilusória crença de que a felicidade é algo que a gente sempre pode construir pra si ? A gente pode tentar mas felicidade é também a tranquilidade de sentir-se respeitado. Em parte sim, claro que a gente diante de abusos, ainda tenta transcender!! mas há que se levar em conta que, quando alguém vem e não leva em conta sua opinião e suas necessidades, esta historinha bonita de que tudo depende de nós mesmos, fica meio relativa, não é? Quanta facilidade ao julgar-se que vítimas são sempre vítimas de si mesmas! Nem sempre é assim, nestes termos. Pelo menos não pra mim. E nem sempre ter fé resolve tudo, embora concorde que, ter fé nos ajuda a seguir, a transcender, a tentar nos convencer de que não dependemos apenas de quem abusa do poder, e de que há de ter um destino melhor para nós em algum lugar...então podemos sonhar.
Claro que todos tentamos reagir, dentro de nossos limites, com nossas próprias forças, mas numa competição nunca ganharemos de quem não vê limites porque se julga perfeito e senhor de todas as decisões. Estes serão sempre incapazes de transcender os limites porque não os reconhece,nem as necessidades de outro ser humano comum,nem de si mesmos. Estão perdidos dentro de uma urgência por conseguir possuir mais que tudo, a qualquer preço!
Difícil lutar quando não tivermos as mesmas armas e, por vezes nem queremos tê-las. Então, parabéns a D. Adelaide, que soube esperar e lutar a seu modo, falar, contar, testemunhar, da maneira como pode. Ela sim está transcendendo os limites impostos a ela, tentando reagir na medida de suas forças, mostrando-se vítima sim, chorando suas perdas e nos lembrando que o mundo real e as pessoas reais merecem nosso respeito! e de que vítimas, nem sempre o são porque querem ser.
Parabéns ao blog Amores no velho Chico por dar voz a ela também.
Meu sincero carinho a todos.




terça-feira, 9 de agosto de 2011

Música que lembra meu pai...

 O dia dos Pais está próximo, e quem não o tem mais ao seu lado, certamente vai lembrar dele com carinho e saudade.
 Hoje encontrei no youtube uma música que meu pai cantava e assoviava para mim, quando eu era muito pequena. Me lembro que ficava impressionada com a letra, embora ele também assobiasse ...
 Bandas de rock, Milton Nascimento, Carlos Gonzaga, Elvis Presley muitos outros vídeos encontrei com boas interpretações, mas escolhi estas duas. Fica aqui em homenagem também a outros pais.
 Foi muito bom lembrar! A música,era linda quando ele cantava, eu ficava encantada com a letra dos  Cavaleiros do Céu e está uma beleza aqui com Willie Nelson e Jonny Cash:



Aqui uma versão em Portugues
cantada por Jayne, uma cantora que eu não conhecia, mas que interpreta muito bem a música
e a letra era a que eu ouvia ...


Aproveito para colocar aqui mais uma música
com Willie Nelson:

Always on my mind...

Gosto dele também cantando com Norah Jones e
outros,mas fica pra outra vez....

sábado, 6 de agosto de 2011

O inverno não traz só frio e silêncio..


 O inverno traz o frio e, às vezes, a morte. Alguma coisa morre enquanto outra está em gestação.
 Há também o que permanece. Ainda bem, porque a morte, aquela que determina o fim irremediável do que amo, me assusta. Não gosto de pensar na morte como aquilo que destrói o que, vivo, me encanta, embora saiba que preciso aprender a aceitar o fim do que eu quisera fosse eterno. Muito do que amamos jaz eternamente nas marcas do coração, e na pele.
  Se não possuo o dom e a magia de eternizar o que amo a não ser em meu coração, então pelo menos posso preferir esperar que alguns de meus amores, apenas se transformem, e um outro tanto esteja apenas em gestação. Assim, após o inverno, o silêncio de morte será substituído por palavras e sons transformados e vivos, e a mim mesma trarão transformação.
   O inverno não traz só o frio e o silêncio. Se souber olhar, descobrirei a vida que só ele traz em si. Por isto ainda não desisto e vivo, com todas as minhas forças, inverno após inverno.


 As sementes, se jogadas ao solo no tempo certo, quando tudo estiver seco e queimado pelo inverno, quando tudo parecer silencioso demais, quando eu estiver a ponto de me render ao que parece morte, então elas me surpreenderão com cores e vida!
  E eu esquecerei até se fui eu mesma que as plantei e agradecerei por virem me encantar. Porque ainda preciso de encantamento. Tudo porque temo a morte.

Fotos e texto: Vera Alvarenga

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Um mundo todo iluminado...

 Como em Paris...
   Ela já se perguntara muitas vezes por que motivo, apesar de todo o amor, tudo tinha acabado desta maneira.  Não sem luta, nem de repente, mas de uma maneira insidiosa, triste e sem jeito de se evitar.
Não encontrava resposta. Talvez porque o amor tinha sido sustentado por alguma coisa que era mais finito e passageiro do que o tempo deles. Talvez porque o amor deles tivesse beleza mas não possuísse a alma dos dois. Ela não tentava mais saber nem de si mesma. Aquele, era um daqueles dias em que o mundo parecia ter parado e ela, nem se importava. Não era mais possível recomeçar, apenas seguir em frente.
Então, o seu amor veio. Sem lhe pedir licença, andou pela casa dela a procurar e quebrar espelhos, quando os encontrava. E quebrou todos, menos um.
Já estava começando a escurecer. Ela devia estar sonhando acordada...só podia ser.  Foi acender as luzes. Ele a deteve. Levou-a de fronte ao único espelho que deixara restar na casa. Ela não queria olhar. Já sabia que se tornara uma estranha e que o amor não podia mais existir - faltava-lhe sua juventude, o que o sustentara até então. Por isto, virou o rosto.
Com mãos firmes, ele a sacudiu um pouco pelos ombros, como para acordá-la de um pesadelo. Quem era este homem? Então, ela olhou primeiro para o rosto dele e viu que ele a olhava.
O último clarão do sol entrou pela janela, refletiu no espelho. Era a mesma luz dourada que clareia intensamente tudo, antes que o sol se vá e deixe a sombra anunciar de vez, a noite. A luz refletiu em seus olhos e impediu-a de enxergar. Finalmente ela viu. No olhar dele viu tanto amor e cuidado, que o medo se desfez.
Devagar, foi descendo o olhar até encontrar-se com um rosto mais abaixo do dele... era o seu. Não conseguiu encarar o próprio olhar. Como é difícil olhar para si mesma quando se sente que o tempo nos escapou! Desviou o rosto, quis afastar-se dali. E ele a sacudiu levemente, de novo.
Surpresa pela insistência dele, olhou-se. Seus olhos encontraram-se com os daquela outra, que era ela. Que pena, pensou, o que posso oferecer agora? A juventude pela qual eu fui amada, se foi para sempre!
Ele, que nunca antes tinha amado aquela mulher, aproximou seu corpo ao dela. Virou-a de encontro a si e a abraçou. Por que ela não confiava nele? Ela encostou o rosto em seu peito, ouviu seu coração, sentiu seu calor. Fechou os olhos. Só pode ser sonho, pensou.
Quando abriu os olhos, já tinham sido apenas um, respirado o mesmo ar, experimentado  o mesmo sabor de vida e de amor. 
Sorriu para ele. Sim, ele estava lá. E ainda queria estar ao lado dela. O amor assim, como fora experimentado, sem espelhos, com cuidado, trazia em si a alma dos dois. No início, entregaram-se como se só aquele momento houvesse. Mais tarde, deixaram-se levar pelo desejo de descobrir, reconhecer os limites, percorrer a pele um do outro como se só assim fosse possível se misturarem e depois, ainda se adorar... e foi na brandura de um crescente carinho que, desta vez se fez o amor entre eles, sem pressa, porque queria ser eterno.
No escuro, corpos nus, como se a juventude nunca os tivesse deixado, e antes de perceberem que se amariam para sempre, foram até a janela. Ela lembrou-se de uma noite em Paris, um sonho que parecia distante...
Lá fora, nada mais podiam ver com detalhes, porque a noite havia chegado, mas juntos olhavam, e viam o mundo todo iluminado.


Texto: Vera Alvarenga
Fotos: retiradas do Google imagens.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Glicínia e seus limites...

   Seu olhar ficou azul ao se deparar com o azul dela.
   Foi amor à primeira vista. Assim que pode, levou-a para casa. Ela, já o amava também. Tirou-a do vaso e a plantou ao lado de outra árvore que lhe dava sombra. Ela queria florir e enfeitar sua vida.
   Ele a achou perfeita - disse a ela que era tudo que desejava desde menino,quando a viu em sonho. Ela,impressionada, decidiu que realizaria o sonho dele. Contudo, era demorado crescer e florir como ele gostaria, pois para isto havia exigências, precisava cuidados. Ele a amava, mas não queria estragá-la com mimos. E era homem ocupado. Assim, quando ela lhe perguntou porque não lhe dedicava mais tempo,não demonstrava estar feliz com sua floração, ele explicou : -"sei que me deu uma flores singelas neste ano, porém, tenho coisas importantes para fazer. Elogios não fazem ninguém crescer,acredite. Um dia terei tempo e ficarei à sua sombra admirando sua florada mais intensa." E se foi para seus afazeres. Os anos passaram, foi crescendo forte,vistosa, até que um dia, começou a sentir-se apertada em seus limites. Por alguma razão que desconhecia, foi construído ali ao seu lado um muro liso, de pedra, um pouco frio, o qual ela não podia abraçar com seus galhos que queriam florescer. Então, pensou que limites são para serem transpostos, e não seriam eles a impedir-lhe de seguir o exemplo de seu dono - " Mire-se em mim que não preciso de ninguém!"dizia ele. Ela precisava...precisava só dele. Não deixaria entretanto, que sua fragilidade a impedisse de ver a luz do sol. Em algumas ocasiões, porém, sentia-se desanimada, sem energia, com tal esforço. Entre o muro e a outra árvore que crescia frondosa ao seu lado, já não sabia quais eram os seus limites, o que era seu e o que não era, ainda mais que, nas vezes que seu amor vinha até ela lhe afirmava com convicção: -" Você não tem limites, de nada mais precisa". Que ela não tivesse necessidades, parecia ser o que ele pensava.
   Ela tinha seus brotos a cuidar e gastava muita energia com a própria existência e com a missão de amar os seus amores e florir. Era feliz assim. Seu único erro, foi o de nunca ter desistido - é preciso desistir, às vezes, quando não se pode fazer tudo. Ficava encantada quando ele vinha cansado e a abraçava para refazer sua própria energia de homem ocupado também com uma nobre missão. Deste abraço e do amor que sentiam, saía renovado. Ela, triste por não conseguir falar a lingua do homem a ponto de fazer-se ouvir, sentia-se algumas vezes, por um fio de desistir. Contudo, mantinha-se, talvez porque, um pouco vaidosa, acreditasse ser mesmo perfeita aos olhos dele. No fundo, sabia que não era...não se achava perfeita. Ele é que não conseguia compreender o que ela dizia. Para ela, o que era perfeito não era deste mundo, não precisava compaixão. Ela era compassiva e queria ser real.
Os anos foram passando e ela, que se habituara a sonhar, percebia que o sonho não tinha limites e por momentos a nutria. Só neles, tudo era perfeito. Contudo um dia, desesperada viu que algo estava se desfazendo nela. Misturada nos sonhos e nos galhos da outra árvore, e na ausência do reconhecimento dele pelo que era, ela própria já não sabia onde começava e até onde podia ir. Aliás, na verdade ela não queria ir, apenas ser, mas não sabia de fato o que era.Seus limites estavam confusos.
Um dia, conversou com um pássaro azul que ali pousara e percebeu que não podia mais aceitar a missão de ser perfeita. Tinha necessidades, medos, fraquezas que reconhecia agora ainda mais do que antes, pois estava envelhecendo. Apavorada percebeu que sua tristeza, antiga companheira, vinha das próprias fraquezas e que seus sonhos já não lhe bastavam mais.  Diante desta tristeza que tomava conta de seus galhos como praga da qual ela não conseguia livrar-se, ela que sempre fora sustentada por uma alegria que a motivava e a fazia olhar sempre para a luz, teve muito medo. E diante do escuro que não lhe permitia reconhecer seus próprios limites e portanto, sua verdadeira existência de ser incompleto e imperfeito, teve medo de nunca mais poder ser. Tal medo a assombrou de tal modo que um dia, a consciência da inexistência de seus limites e de seu SER, que só era inteiro em sonho, a assombrou tanto que ela percebeu que derretia. Derretia... e derretia, até que desapareceu. E, nunca mais pode florir para ele, como era o esperado.... 
  Sua alma ia levada pelos ventos...ela, que fora feita para fazer amor na sombra das flores, que fora feita para completar o sonho seu e de outro, era sem limites agora, e sendo assim, já não podia existir, nem tinha forças para voltar a ser. Sentia o vento levá-la para longe, para lugar nenhum... e nesta perigosa situação, só não morria deste pavor, porque percebeu em si, no seu corpo irreal, imaginário e ilimitado, que havia restado uma semente... talvez pudesse cair em solo fértil, e com todos os seus limites pudesse crescer, não imensa e vigorosa, mas feliz pela florada se um dia voltasse a produzir em sua existência imperfeita e, por isto mesmo, possuidora de certa beleza, mesmo que limitada. Sua alma, viciada na presunção de não reconhecer os limites  da materialidade, ainda tentava transcender a eles...mesmo sabendo que se quisesse ser uma Glicínia verdadeira, era preciso ter reconhecido estes limites e necessidades. Eram eles que a faziam ser o que era, ou o que tinha sido um dia. Seria preciso ter coragem para morrer um dia, mesmo sem ter sido capaz de sua mais bela florada.
 Aceitava agora toda a sua imperfeição, contudo... continuava a sonhar...
A Glicínia precisa de solo rico de onde possa retirar nutrientes, para florir.Não deve ser colocada ao lado de muro liso e frio, onde não possa haver oportunidade de abraçar....atrairá pássaros enquanto estiver florida e sentirá solidão quando não puder mais florir...
Texto: Vera Alvarenga
Fotos retiradas do Google imagens - a foto do Bonsai, do atelier do bonsai.com.br


     

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A árvore antiga e a andorinha...



 Eu estava à certa distância e os observava.
   Ela, era mais jovem que ele. Podia adivinhar que os gestos discretos continham uma juventude e alegria que ousaria mostrar-se em circunstâncias favoráveis, em momentos resguardados de intimidade. Tinha uma ansiedade de ser. E seu olhar dirigia-se a ele,como se lá estivesse o que buscava.Ele, beirando já os sessenta, mantinha-se sério, aparentemente calmo mas ciente do fardo que carregava com sua tristeza e algum tédio que, por vezes, lhe amortecia a alma.
   Ora, ele mais combinava comigo,que com ela. Com exceção do tédio, que chego a pensar seria uma benção para mim, no resto éramos parecidos. Minha inquietude não é ainda tão preguiçosa, conformada e suave como o tédio. Provavelmente, no futuro que se aproxima,será.
Mas não era para mim que ele olhava e sim, para ela. E, dos dois, quem mais buscava o outro com olhar apaixonado, era ela. Ela era jovem e tudo lhe era permitido, até apaixonar-se.
   Ela sabia o que queria. Ele, talvez não quisesse saber. Mas estava lá e, gentil a olhava , alimentando nela aquela visível dedicação.
   E eu me perguntava por que motivos ela olhava com tanta ternura e adoração para aquele homem? Via-se que não era olhar apenas de luxúria, embora houvesse fome no seu olhar. Sinal de que o relacionamento não tivera tempo de satisfazer as necessidades de cada um. Será que ele saberia compreender a fome que ela tinha? 
   E eu, sabia?Ora, eu sabia, sim! Sabia que não poderia ser eternamente jovem, nem crédula, que este tipo de juventude quando se eterniza vira tolice, é tormento que não se pode carregar. Eu tinha experiência de vida para ensinar a ela o que só eu sabia - que só se pode contar com o real, palpável, ao alcance da mão. Na maturidade provamos este saber com gosto um tanto amargo, de quem sabe que remédio não pode ser sempre doce. Como ela ousava ainda ser tão jovem quando o tempo passou tão rápido para mim?
   Ver a fé que a movia, fazia-me lembrar da recente descrença que me abateu e me encheu de medo. Fazia-me desejar o unguento mágico que cura até mesmo as feridas que, de tão repetidamente cicatrizadas, tornaram-se invisíveis aos outros, mas sensíveis ao toque.
   Ela, em sua teimosia ingênua, me fazia lembrar da troca do olhar amoroso que a tudo cura e que eu mais temia carecer para sempre. Ela parecia gritar para mim acusando-me de não ser mais capaz de amar ingenuamente, a não ser que voltasse a ser como ela. Impossível. O tempo passou para mim e eu me feri no espelho quebrado.
   Para distrair-me de mim e esquecer-me dela, tentei virar-lhe as costas, deixá-la. E lá permanecia ela, como encantada - feito pé de jabuticaba nova que foi podada e parece que nunca mais vai crescer e amadurecer frutos, com aquele olhar que não se incomoda com o tempo porque ele lhe parece eterno...
   Olhei para trás...lá permanecia ela, como andorinha ou anjo de asa quebrada, que em sua fé ingênua olha a árvore frondosa e sonha ali se aninhar e ser feliz. Por que o tempo não passou para ela, só para mim?
   Se continuar assim, ela nunca será como árvore madura, resistente, calma e farta, que oferece frutos doces e sombra para quem a tem em seu quintal...para quem lhe deu estrutura de um modo ou outro. A árvore que frutifica por amor, também o faz por gratidão.Talvez algumas frutifiquem apenas porque é de sua natureza frutificar.
  Pensando bem... quem disse que a árvore não poderia abrigar uma andorinha em seu ninho, e um dia, por amá-la, sua alma não poderia ganhar asas para voar?
   Acho que vou voltar, perdoar esta jovem que tanto me provoca com sua juventude e desrespeita minha antiguidade e vou tentar amá-la, mais do que alguma vez tentei... talvez ela amadureça e não me torture mais....talvez ela envelheça, e isto me deixe triste... talvez ela me ame e nunca me deixe, e possamos seguir em paz...
 
Texto e fotos: Vera Alvarenga
   

Dia dos Avós...

Dia 26 de julho foi o Dia dos Avós! Um dia especial.
Eu me sinto muito feliz por ser avó dos meus 3 netos: Pedro de 15 anos, Guilherme de 6 e Larissa de 4.

Para comemorar esta alegria, fiz um vídeo com algumas fotos de uma tarde com os netinhos, um dia especial com a netinha e uma foto do neto mais velho, que por ser adolescente não gosta de tirar fotos, mas cá pra nós,é  bonito!
Parabéns a todos os que tem a alegria de poder renovar momentos em sua vida, em companhia dos netos.
Que todas as crianças pudessem ser uma luz na vida dos familiares e que pudessem ter carinho dos avós,
seria o melhor... que possamos respeitar seus direitos à saúde, educação e liberdade para brincar e viver uma infância feliz, e que possamos ensinar-lhes com exemplo, carinho, disciplina e amor, a viver com responsabilidade
e alegria, incentivando suas potencialidades e criatividade.

Vídeo e texto :Vera Alvarenga
Música: Aquarela - Toquinho. 

domingo, 17 de julho de 2011

Para me redimir...borboletas.

     Eu queria matá-las. Eram duas que ainda ousaram me aparecer ali no jardim, bem em baixo da minha palmeira pelada! Duas noites antes, uma porção delas, no escondido do escuro e enquanto dormíamos, comeram quase todas as folhas da nossa palmeira. No dia seguinte, o susto! Uma folha caiu e estava cheia delas.
   E as matamos a pisadas. Eu e os meninos. E eu, que gostava de ser e parecer boa, não fiz nada para impedir a matança... até ajudei, porque elas quase mataram nossa palmeira!



   No dia seguinte, estas duas apareceram.
   Será que não tinham fim? Era um ataque, destes como o dos gafanhotos, que quando acontece, não deixam nada por onde passam?

   Mas, desta vez não tive coragem.
   Eram só duas. Não pareciam, como as anteriores, uma ameaça. Isto porque, o número delas é muito importante para definirmos se estamos diante de uma invasão ameaçadora, ou apenas uma visita .
   Por mais que eu tente respeitar a vida, tudo para mim, tem um limite,confesso. Animais para fora de casa e os que não me ameaçam, viverão eternamente, se depender de mim.
 
   Ora, é como receber alguém para um lanche que você nem convidou. Uma ou duas pessoas, você ainda dá um jeito , mas dezenas! E, daquele tipo que vem sem avisar
e comem tudo o que você tem? No caso, eram quase todas as folhas da palmeirinha do jardim!




   Então, ao olhar para as duas, decidi poupá-las. E não só isto, alimentá-las também. Fiz uma caixa com uma tela, chamei os 3 meninos, colocamos alimento...exatamente os pedaços de folhas da pobre palmeirinha. Alí estava então um Lagartil, ou Borboletário!

   Como se não bastasse, a idéia me animou e levei os meninos a uma caça à lagarta, no Parque Morumbi.
   Eles brincaram bastante e eu, consegui uma outra linda lagarta e um casulo.

   Foi uma aventura e também um modo de me redimir do  meu pecado (?). Foi bom para os meninos aprenderem como os casulos se formam e que devemos ter paciência com a natureza, pois quando a borboleta estava saindo do casulo, o meu menor queria ajudar...aprendeu que não era possível. A borboleta era linda e inofensiva. Eu também aprendi...que algumas bondades da gente, das borboletas e das lagartas, dependem muito das circunstâncias.

Fotos e texto: Vera Alvarenga

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O pé de doce fruto...

    Finalmente reconheci. Queria possuí-lo.
   - Como assim? Nada e ninguém é de ninguém!
   Mas eu queria que fosse.
   Eu já gostei de coisas e pessoas por admirar o que via nelas, o que eram, e então, eu as valorizava. Agora era diferente. Este gostar era pelo bem que me fazia, e por imaginar que se me pertencesse, e eu a ele, eu poderia esticar meu braço, e tocá-lo, e matar a minha fome. Podia adivinhar o quanto isto me faria feliz.
    Um pensamento leva a outro e a verdade se mostrou mais clara ainda - eu o queria, mas tinha medo de ver como era impossível!
   - Quem era eu para desejar que algo ou alguém me pertencesse? Um pé de fruta inteiro, para que eu pudesse saciar-me com seu sabor?  E já era tarde, não havia tempo, eu estava no final do outono.
   Mais que possuir, eu queria pertencer.. E sonhava que ele desejasse me pertencer. Assim,entenderia  porque ficara tanto tempo sem se dar conta que era para ficarmos juntos que tinha enfrentado o tempo, tempestades e vento. Agora, altivo, frutos saborosos e maduros, oferecia-os a mim. Era para me ver olhar para ele, desejando  provar o doce que tinha pra me dar, que ele ainda estava ali.
   Não era, então, porque o quisesse subjugado a mim. Era porque eu nunca tinha experimentado aquele sabor,  que ele sabia que tinha guardado em si, para me oferecer. Eu cuidaria dele e descansaria em sua sombra.
   Mais do que possuir, eu sonhava entregar-me ao prazer de tê-lo comigo e não me ferir. Mais do que tocá-lo, eu queria que ele desejasse experimentar o sabor de tocar meus lábios e então, nos entregaríamos, um ao outro, e nos adoraríamos como se adoram os que vivem no mesmo paraíso.

Foto do Google, de Cris Masson
Texto: Vera Alvarenga

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Filha, volta pra casa!


- Filha, volta comigo! Sinto tanto sua falta.
- Eu sei, mãe.
- Você era a alegria da minha casa.
- Eu? Só você notava.
- Todos provaram do que plantou, com sua doce alegria.
- Você não percebia que me faltava ar? Vezes fiquei sufocada, sem poder respirar.
- Mas, lhe mostrei coisas bonitas, a deixei livre quando possível. Não bastou? Hoje, a sigo em pensamento. Vejo que está solta no ar, tão longe. Alguém a esperava no aeroporto? Está tranqüilo aqui, em paz, seguro. O que você tem aí, o que foi buscar?
- Tudo esteve quase sempre tranqüilo, só faltava espaço. Eu queria alguém que gostasse de mim não só de você, tivesse cuidado comigo, alguém um bocadinho mais igual para dividir algumas coisas. Cresci, não sou mais menina. Você pode me compreender?
- Sim, querida. Eu também cresci. Sei que a gente discutia, por conta desta sua..alergia, insatisfação, mas hoje que a vida me parece tão curta, eu a compreendo muito mais. Fui prepotente, achei que era a mais forte. Desculpe se não lhe dei espaço, você devia ter sorrido,brincado mais.Você ainda é parte de mim, a melhor, e sinto falta de sermos nós.Volta!
- Não sei voltar. Se fingir que volto, você fica feliz de verdade?
- Bobagem! Era com você que tudo se fazia bonito. Sua ingenuidade...temo por você.
- Vou confessar, mãe, agora não sou mais ingênua, também tenho medo. Vou lhe dizer, nada volta a ser como antes, nada. A não ser nos quadros que pinta. E não é bobagem!
- Juntas, a gente era feliz. Um dia ainda vou buscá-la. Você é minha inspiração, meu entusiasmo. Sabe as plantas, tudo seco, nem ligo mais.Você, pelo menos está feliz?
- Mãe, não faz isto! Chantagem era coisa da vó e do pai, lembra? É inverno, por isto tá tudo seco por aí. Não provoca, que de repente volto e vou lhe buscar! E você, tá feliz?
- Você, sonhando outra vez. Imagine, o que iam pensar de nós? Envelheci. Se demorar, não me reconhecerá mais. Iam dizer - o que aquela velha pensa que ainda tem?
- E desde quando você ligava pra o que os outros, além dele, pensassem. O que você pode ter, uma vida inteira?  Qual o tamanho da nossa vida? E você inteira nela - não seria bom alguém ver você inteiramente?
- Ah, isto sim. E, quem vê você? Acredite, agora está tudo bem, tenho quem me cuide.
- Que bom! Deu tempo? Você ainda não me disse se está feliz.  
- A vida não é só sonho. Quando a gente envelhece, ganha sabedoria...Nem tudo que se deseja...Felicidade está nos pequenos momentos e em lembrar...Você e seus sonhos!
- É disto que ainda sou feita, é minha natureza. E você, encontra felicidade ao lembrar?
- O momento presente é o que importa, menina! Cria juízo pequena jóia de minha alma, parte que é minha, e volta para mim. Não sei o que você viu, que a levou daqui.
- Eu pressenti, depois, acredito que vi. Então desejei. E agora...
- E agora, como é o que encontrou?
- Ainda não sei. Tenho medo de não haver nada, talvez eu esteja só, para sempre. Já pensei voltar, mas quando olhei para trás, não vi minhas pegadas. Vai ver que voei! Eu, que tenho medo de alturas, não é engraçado? Eu, que só me sentia segura na nossa intimidade. Também sinto falta da sua paz, do seu aconchego.. Você ainda tem paz?
- Não sei viver sem sua confiança ingênua, ninguém percebe como me esforço, mas não sou a mesma, falta algo. É tão louco isto! Meu coração está com você. Por que deixei a vida nos separar? E você, é a mesma? A gente se encontra em pensamento outra vez?
- Não, não sou a mesma, falta você. E, nos pertencemos mãe, portanto, vamos nos encontrar em algum lugar, prometo. E aí, se ambas formos felizes...
- E aí, será para sempre?

  Foto: pode ter direitos autorais - Google images  
Texto: Vera Alvarenga

terça-feira, 5 de julho de 2011

A flor e a geada....

    Hoje estava tão frio lá dentro, que saí ao sol, fui ao jardim. Onde está o sol? E as flores, onde estão? É inverno, nem elas aguentam! Mas vejo uma ali. Me aproximo. Ela não é o que deveria ser. Serei eu a culpada, ou a natureza das coisas? A geada!
   Olho para ela e me distraio. Penso num rosto que não é o dela, e enquanto penso, eu a toco. Não tem cheiro. Quem?
   É a única do jardim? Parece que sim.
   Não. Não devo pensar que é a única, porque se for, talvez tudo se acabe, parece que não resiste ao frio, vejo em sua cor desbotada, que se apaga e sofre. Será que está morrendo? Pode ser que morra só sua intenção de ser a mais bela, e a planta continue e aprenda a ser mais resistente ao frio. Que pena, sem sua cor, perde parte de seu brilho.
   Melhor pensar que é uma flor, das muitas que virão. Esta flor me lembra amor. Às vezes nasce no lugar errado, na estação errada. Fui eu que plantei esta semente? Acho que sim. Fui descuidada, não li a bula. Apesar de que sementes não vem com bula, apesar de que esta se fez doente... Bem, mas eu podia ter lido as instruções. Por que instruções vem em letras tão miúdas que nunca leio? Talvez não devesse ter jogado estas sementes em terra tão fértil, a terra do meu jardim, sempre foi fértil para estas coisas! E agora? Ela morre de frio. Foi um sério erro. Talvez.Espere,se olhar bem, posso ver que mesmo sofrendo de frio, ela se vestiu de lindas cores. Não é igual a nenhuma outra. Não é apenas uma, como se fosse uma flor qualquer, não. Se tornou bela aos meus olhos. E se sou eu que a vejo, e só eu, então, é o que importa. Ou não?
   Olha só, que surpresa! ali estão mais botões. Da mesma planta, mas parecem cores diferentes. Não posso protegê-la do frio, porque está ao tempo, e é tarde para me arrepender. Só posso aquecê-la com meu olhar, esperar que não morra, que apesar do frio ela se tranforme e eu consiga captar com um clic, e guardar para sempre numa foto, toda beleza que ela tiver para me mostrar, mesmo depois que ela se vá,mesmo que não deixe sementes para que se possa perpetuar. O tempo logo me revelará ...

Texto e foto: Vera Alvarenga.

sábado, 2 de julho de 2011

Uma ponte para nós...

 Caminhamos nas margens
      de um mesmo rio.
 Em lados opostos estamos.
Quando de longe nos olhamos
      não nos sentimos sós.  
   Nos trechos do caminho
   onde a distância é menor,
 semelhanças nos aproximam,
quase por magia nos tocamos.
Haverá em algum tempo e lugar
      uma ponte para nós?

Poema:: Vera Alvarenga
Foto: Ponte de Sant´Angelo in Roma -
retirada do site planetware.com

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Labirintos

   Estou um pouco perdida, embora quase feliz.
   Não entendo os caminhos de Deus. Já quis conhecê-lo, lembrar o que era. Acho que então, perdi a memória junto com a intenção. Agora, me bastaria conseguir ler o que Ele escreveu, daquele seu jeito, por linhas tortas.
   São suas linhas ou meus caminhos que estão tortos? Não sei.
   Antes, tinha certezas, ainda que tudo fosse desafio constante. Se era assim a vida, assim era minha aventura. Não estavam limitadas, nem eu, nem a vida! Permanecia, porque queria permanecer. Era assim que era. Pensei não haver limites para o que podia carregar, pois em tudo acreditava,até em mim. Então, não precisava entender os caminhos. Hoje, mesmo que o quisesse, não conseguiria!
   Como fui parar naquele estranho lugar, em meio a quem falava uma língua mais estranha ainda?! Haveria um motivo. Consegui senha para esta Torre de Babel! Embora encantada com o novo, me pergunto com que inspiração  criei meu novo espaço. Lugar onde podia dizer quase tudo. Nele, tive tão surpreendentes encontros com alguns e comigo mesma. Incrível!
   Não terá sido em vão, certamente não. No entanto, há sinais que nem em mil anos compreenderei. Ou, quem sabe esteja a ponto de fazê-lo !  Não sei.Talvez meus cabelos ficassem totalmente brancos enquanto tentasse decifrá-los, e  seria tarde. E pra que, se até hoje ainda se decifra o que estava, do mundo, escondido? Quem sou para compreender as palavras que hoje não tem mais o sentido que tiveram? Que dirá, compreender as que me traduziriam os recados de Deus.Estaria Ele interessado em sinalizar-me algo? Não tenho mais certeza.
   Se Ele escreve por linhas tortas e me perco em seus caminhos, é porque esqueço de trazer comigo o cordão de Ariadne, vez que, por presunção, confio. E confiando me entrego, e me entregando esqueço que não é a solidão que procuro neste labirinto. Esta é fácil, já a possuo. Todos a conhecemos, uns mais, outros menos. Mais que procurar, quero o encontro com o sentimento que me preenche, e nele me aconchegar com alegria.
   Onde estará o fio que me indicará o caminho, senão no coração? No coração de quem, além do meu? Em que mãos estará a outra ponta?Aquela que estava comigo não sei onde a deixei. Em que mãos deixei enrolado o meu cordão? Preciso logo encontrá-las, estas mãos que me conduzirão e eu as conduzirei.
    Lá de onde está, Ele tem ampla visão, eu não! Demora. Me arrisco não reconhecer a ponta do cordão de minha vida. Me arrisco nunca mais encontrá-la, ou me perder, embora sempre estarei inteiramente comigo, se não trair o que acredito. Contudo, que vantagem temos neste tipo de solidão? Melhor crer no que se quer. Se houver uma vida, vale a espera. Mas, não vejo a outra ponta. Estou tranqüila, quase feliz,porque me esqueço. Terei desistido? Tenho medo de parar e não caminhar mais depois. Sempre se pode deixar o tempo ir escorrendo, feito água em jarro rachado...e água é vida! Não a queria desperdiçar, pois o tempo é mais precioso agora. Sempre posso ter a ilusão de que apenas estou descansando e de que não percebo que crio raízes neste labirinto, ou então,posso abrir furos em suas paredes e ver lá fora outros tantos iguais a este, de quem antes de mim, já se conformou em viver no interior de um queijo suiço.     
   Reconheço, é fato, estou um pouco perdida. Nunca fui boa para caminhar sozinha por labirintos mal sinalizados! E ainda não vejo nada mais do que linhas tortas e os sinais incoerentes que não compreendo. Preciso de uma lanterna. Quem me trará uma?
Texto: Vera Alvarenga    Foto: Google imagens -pode ter direitos autorais

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Deus, este inatingível...

   Só quando, ao invés de falar com Ele,posso viver o que Ele é, estando em mim como está, é que poderei crer n´Ele com fé inabalável, e me sentirei segura.
   Enquanto o coloco fora de mim, posso estar tão longe.. e é por isto que me esqueço e me sinto tão só; e é por isto que preciso implorar Seu olhar sobre mim, e me sentirei indigna deste. O que terei de fazer, para merecer seu amor?
   Se o coloco fora de mim,então, por certo não posso crer que está no que é pior do que eu. Onde estará? Como acreditar que me ama e que não estou só no mundo?
   Como vencer o medo desta nossa solidão, se não pudermos crer que a semelhança existe porque em algum ponto de nós, somos um só e igual a Ele? Será por causa desta solidão que, quando aquele homem olhou para mim com seu doce e inteiro olhar, eu quis entregar-me inteiramente ? O que estava fazendo ao olhar para ele com este desejo de união?
   Buscava eu encontrar, outra parte de Deus no homem, ou fazia do homem o meu deus?
   Talvez aquele incerto sentimento de nostalgia de não sei o que, seja o desejo de completar-me. Por isto creio no amor que conheço, como humana que sou. É limitado, mas é um bocado que posso experimentar de um amor maior. E ainda outros bocados maiores experimentei como mãe, ou quando admiro a natureza. O feio não admiro e não quero introjetar, porque já tenho em mim o que nem sempre parece belo. Como mulher, ao buscar o amor no homem, reflito também sobre Deus: - Se Ele, está fora de mim, não me pertence, mas parte Dele está comigo e nesta, me reconheço e é esta que quer religar-se. Por isto preciso possuí-lo e ao seu amor,colocá-lo em meu coração, e assim, me sinto completa quando nos unimos. Mas se quero o seu amor,ofereço e, em confiança também entrego o meu. Homem e Deus completam minha carne e meu espírito. O mais real, ainda é minha carne e o que é igual a mim. Quem sabe juntos, lado a lado, seria mais fácil encostar nosso dedo, por um instante de felicidade, no ombro de Deus e lhe dizer: - Obrigada, por tanto amor que sei sentir! Quem sabe aquele homem apontaria em minha direção, mas apenas para lembrar-me a parte de Deus que está em mim, e eu, faria o mesmo por ele. Seria a herança maior que deixaríamos, aos nossos iguais em humanidade - este amor. Isto não seria o bastante? Ou é ingenuo demais crer nisto?
   Há quem deseje um encontro marcado especialmente, pessoal, secreto, particular e exclusivo com Deus. Existem os que ficam adiando, ou os perdidos no deserto.E aqueles que são o próprio representante dele!
   Eu? Me contentaria em encontrá-lo em cada um dos seus sorrisos dirigidos a mim, e naqueles momentos em que eu pudesse sentir amor, e através dos nossos gestos e capacidade de amar, sentiríamos o amor Dele.

Foto retirada do Google Imagens (pode ter direitos autorais)
Texto: Vera Alvarenga

O que permanece...

   Podemos ficar alegres no verão,mais introspectivos e tristes no outono, encarar nossos medos no inverno, nos disponibilizar para o amor na primavera, porque temos em nós uma semelhante materialidade que se insere no ritmo e clima do ambiente.

   Nosso mundo se movimenta continuamente, o tempo passa e alterna complementares estações e, em cada fase de nossa vida, lidamos com nossas emoções que se apresentam com roupagens novas, mas as emoções já estão lá, dentro de nós, de nossa humanidade.
   As emoções pertencem a nós, não às estações do ano ou ao ambiente externo. Estes, seguramente, podem fazer aflorar, para que tomemos consciência e nos surpreendamos com o que já era nosso. E como controlar as emoções, o que sentimos? Não sei. Preciso lembrar de não tentar fazer mais do que manter tudo num equilíbrio viável. Não o equilíbrio de quando, num grave esforço, tento manter-me firme, durante e após as ventanias, mas o que permite me curvar feito bambu e levantar, quando possível.
   Não podemos controlar todo o conteúdo das nossas emoções. Nossa alma, guardiã deste conteúdo, tem uma característica própria, não se prende ao tempo externo. Por isto mesmo, pode nos parecer, às vezes, que ela teime em ser eternamente jovem ou inadequada, só para nos deixar encabulados, se a quisermos moldar ao que somos, por fora. Outros momentos, ela nos parecerá velha e indiferente, diante de um evento aparentemente espetacular e festivo.
   O tempo não marca o que somos e como estamos, da mesma forma.
   Quantas estações meu corpo já viveu, nestes sessenta anos! E minha alma, que eternidade terá? O que marcará a eternidade de minha alma? Para onde irá,quando este corpo, que sei de mim não estiver mais aqui?
  Como ouso querer aprisionar minha alma e seus conteúdos, como se tudo pudesse conformar-se com o que sou em carne? Como aprisionar o espírito diante do que tem valor e sobrevive ao tempo, como um gesto, um verdadeiro afeto? Minha memória carnal poderá um dia até esquecer o que não pode ser contabilizado, mas a marca que ficou impressa na alma, ali permanecerá, por um tempo que não saberia medir, talvez até que a alma pudesse dispor de mais camadas de si mesma. Mas isto, eu não entendo.
   O que sei é que, as estações vão e vem, mas minha alma tem um quê de caráter rebelde e independente e, acredito, mais permanente do que tudo o mais que posso imaginar. Por isto, sempre me surpreendo quando ela vem e me dá uma rasteira, e se ri de minha ilusão, só pra mostrar que não sou só o que penso ser.
 Foto e Texto: Vera Alvarenga


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Colher o fruto,e gestar novamente...

  No inverno passado eu estava gestando a mim mesma e,em segredo, um sonho. Com o passar do tempo, pensei que não poderia colher o fruto, mas colhi. São pequenos e esparsos os frutos da árvore da felicidade,mas são valiosos!
  Na aula de Tai Chi, nosso prof. Luiz Giusti estava nos falando do inverno, coisas das quais temos de cuidar, vamos nos conscientizar mais, bom aproveitar para dar atenção.... O elemento do inverno é :Água.
  Víscera: Bexiga( interessante,ligada também a eliminação de nossas águas) ; Órgão: Rins, ligado à emoção do MEDO. No inverno, o tempo nos convida a nos aconchegar, nos resguardar do frio, medo de nos congelar se nos expusermos demais. Ah, mas não é por isto que vamos nos afastar dos que amamos,ou precisam de nós, ou daqueles a quem pudermos oferecer solidariedade e incentivar a terem FÉ. Pois, só o Amor em doarmos de nós mesmos ao outro e a CONFIANÇA(Fé) nos salvam do medo que pode congelar nossa ação. Mas medo é algo para respeitarmos, pelo instinto nos avisa de cuidados que temos de ter para nos mantermos vivos e bem.
  No inverno, também devemos cuidar das partes do rosto,vulneráveis ao frio - nariz e orelhas. Imaginem que nos lugares onde inverno significa neve, sem proteção as orelhas podem quebrar-se! E,junto com isto, cuidar do que ouvimos, ou proteger nossos ouvidos do efeito de palavras gélidas...rs...também é bom.
   Pessoalmente, acredito que a persistência na ternura quase sempre pode derreter o gelo, pois aconchega os corpos, aquece as vontades, desperta o desejo de se viver em paz e tudo isto faz valorizar as bençãos que se tem e nos faz reconhecer como é bom viver o presente com gratidão! No inverno, sempre sou tomada pela gratidão! Gratidão pelas bençãos que tenho,quando outros estão ao relento. Como sou grata e como é bom se temos um amigo/a  especial que, se o frio nos alcançou numa outra estação, valorizou a ternura que temos e assim, nosso coração se manteve aquecido. Como foi bom que eu também tivesse podido aconchegar num abraço afetuoso, aquele que sentia o frio de perder algo valioso para si! Cúmplices pela generosidade, solidariedade, podemos escolher unir nossos corações solitários, nós, seres humanos frágeis que somos e precisamos de Fé..
   Como é bom, no meu caso em particular, poder ver que uma geleira que se formava derreteu-se, aconchegar-me de noite, abraçar e me sentir quentinha ao acordar e mais, sentir que um abraço afetuoso mesmo distante, vem somar e também aquece o coração e mantem minha ternura! Outras geleiras se formarão,mas conto com Deus e as pessoas certas para me ajudar a manter vivas as fontes de calor, inclusive em nosso coração.
   Obrigada, Deus, pelo fruto tão especial que colhi a partir da gestação do inverno anterior, pela minha saúde, pelos sonhos que evitaram que eu trancasse meu coração e me mantiveram na disposição de ver as oportunidades de estar tranquilamente em paz. Que bom que o medo não congelou meus sonhos!
   Um bom inverno para todos! e que cada um possa colher no futuro, um belo fruto.
   Beijos a todos os amigos.
   Foto e texto: Vera Alvarenga

terça-feira, 21 de junho de 2011

Algemas..abuso de poder.

Recebi hoje um email com a manchete: "No mundo inteiro, as ALGEMAS são usada de forma INDISCRIMINADA. Ou seja, não há discriminação de cor, classe social, credo, sexo, faixa etária, nacionalidade, profissão, etc."
E vieram as fotos de juíz,artistas,empresários ligados à políticos,até de "velhinhos", alguém vestido de homem aranha,coelho,adolescente. Alguns sorrindo, outros constrangidos.Depois se comparava isto com o Brasil e discursos feitos contra o uso de algemas, por caracterizar "abuso de poder" e transcrevo aqui um,como me chegou em email:
A prisão há de ser pública, mas não há de se constituir em espetáculo. Menos ainda, espetáculo difamante e degradante para o preso, seja ele quem for. Menos ainda, se haverá de admitir que a mostra das algemas, como símbolo público e emocional de humilhação de alguém, possa ser transformado em circo de horrores numa sociedade que quer sangue, porque cansada de ver sangrar. Não é com mais violência que se cura violência. Não é com mais degradação que se chegará a honorabilidade social.” 
   
  Vi dois extremos...o uso das algemas que em alguns casos parece tão corriqueiro que elas não servem mais para constranger. Para alguns, perderam o valor que um dia pretendeu-se dar a elas? Não sei.
   Já no Brasil, minha alma humanista adorou o que disseram em defesa da humanidade do ser humano,que com elas seria constrangido...MAS, claro, há que se fazer mais em defesa da humanidade de nós outros, também. Para mim, seria perfeito, digo, um exemplo digno e perfeito de Justiça ao mundo se NÓS  no Brasil, abolíssimos algemas, só a usássemos talvez em caso justificado de perigo oferecido pelo detido (algo a se avaliar pelo Direito,com seriedade de julgamento),MAS também não usássemos a impunidade para os privilegiados e políticos que estão no poder, e aos privilegiados fosse dada a mesma responsabilidade que se dá aos demais,não é? Não é a algema que está faltando aqui, penso eu.
E, mais uma coisa...concordo que algemas são, na maioria dos casos, inapropriadas, humilhantes, mas a impunidade não seria também  abuso de autoridade? e humilhante para nós? Penso que, talvez em mim, apesar de toda minha humanidade, lá no fundo, bem no fundo,eu bem gostaria de ver poderosos que se alimentam do dinheiro dos impostos, usam-no para interesses pessoais,desviam verbas que deveriam atender com dignidade o povo nos hospitais, promover a saúde e apoiar quem trabalha por ela,que deveria atender crianças e adultos na educação, enfim, eu bem gostaria de vê-los numa reportagem em manchete, serem levados algemados para serem julgados por seu ato. E isto não acontece em mim porque sou sanguinária, ou deseje o mal de outro ser humano assim humilhado com algemas, mas porque ali, o que estaria sendo injuriado seria o ato em si, e em benefício de uma esperança e dignidade que poderia ser o maior orgulho do povo brasileiro( ou de qualquer outro). Mas, como disse, o que valeria mesmo e contentaria minha alma pacífica, seria apenas que a IMPUNIDADE FOSSE ALGEMADA, de vez.
Foto :Google(pode ter direitos autorais)
Texto:Vera e trechos de texto enviado por email
   

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