domingo, 3 de fevereiro de 2013

O telefonema

  Estava passando, distraída, ao lado do telefone, quando algo acordou-me do tédio que não costumava sentir, mas agora me visita. Telefonei. Ninguém imagina como me custa fazer um telefonema. Telefonar foi um hábito que não criei. Foi uma conversa rápida. Apesar do assunto, ao final terminamos sorrindo como geralmente terminam as conversas de pessoas que se ouvem e se gostam. Do outro lado, alguém de quem gosto bastante contou-me, entre outras coisas, que uma tia distante morreu.
  A tia era bastante idosa e sua morte fora prevista várias vezes, com direito à visita e preocupação , por um ou outro parente. A todos porém, e à própria iminência da morte, a senhora idosa havia enganado. Alguns familiares mais jovens foram-se antes dela que, teimosa, permaneceu por quanto tempo ainda quis. Contudo, ela agora se fora. E como em outros casos, talvez a morte já esperada, não se tenha tornado o personagem mais importante desta história, mas sim, os figurantes que trazia consigo, o cenário que deixava à mostra, o que fazia refletir sobre a vida. Como por exemplo quando marcava um encontro de familiares que já não tinham mais nada a ver uns com os outros, se a amizade houvesse se acabado.Talvez o sentimento nem tivesse resistido verdadeiramente, também em relação àquela que acabara de morrer, por todas as vezes que alguém se sentiu como que traído pelos falsos anúncios daquela visita, que mais dia menos dia, bate à porta de cada um de nós, mas se demorava a levar a velha. Ela enfim, se foi. Quem sabe cansou ou se encheu de tédio.
  Tédio não faz bem, engorda, prejudica o coração e tira o gosto doce da vida. Tédio, o companheiro dos solitários, dos que vivem silenciosamente ou dos que, na ausência do sentimento recíproco de amizade, perderam o caminho que os levava aos momentos mais espontâneos, simples e vívidos que animam o viver. Mesmo que gostemos de nossos momentos de solidão, tem gente que se perde um pouco, se não conseguir ver-se refletido nos olhos de outro. Não é certo nem errado, apenas existe gente que é assim. Evidentemente, sempre há os que digam : - Que se encontre então! Que se salve e por si mesmo descubra a vida! Seria o ideal. Ideal, é quando a razão pensa que sabe o que fazer, mas o resto não acompanha.
Só sei que, quando desliguei o telefone, estava sentindo-me mais viva.
   Incrível o poder que tem uma rápida conversa entre amigos que se gostam. O poder de desatar os nós, até das tramas mais enroscadas de um casulo. Mesmo daquele em que se esconda o mais tímido e comodista animalzinho. Não é culpa de ninguém, nem minha porque conto esta história, eu, que gosto de casulos apenas para me aconchegar. Nem é culpa de quem, já sendo dado à quietude e, ainda mais, não tendo com quem conversar suas próprias falas além de ouvir as do outro, acaba por penetrar no casulo que, se algumas vezes aconchega, ao mesmo tempo, aquieta em demasia.
   Lembrei-me de um amigo com quem conversava de vez em quando. Para mim, era algo raro e precioso a que me permiti. E conversávamos pouco, coisas tolas ou importantes. A gente tem necessidade de ter alguém com quem possa conversar coisas simples, comentar sobre nossos pequenos desejos ou iniciativas que planejamos ter, contar pequenas vantagens. Um amigo que acredite em nós e nos ouça, só por isto nos encoraja e anima. Eu, que por muito tempo pensei que amizade fosse algo precioso mas secundário se não viesse junto daquilo que tivéssemos julgado ser o maior objetivo de nossa vida, hoje sei que não é bem assim.Tenho certeza disto. Hoje me falta o amigo. E ele, apenas por existir, me animava. E quando a gente se anima, acredita em si, faz planos.
A vida passa tão rapidamente. Dura tão pouco! Quanto tempo dura a vida quando se pensa na eternidade? A vida é um bem precioso. Um bom amigo também. Sinto muita falta.   
   Mas tenho a vida. Ouço a voz que conversa comigo. Ainda sou eu, ela dentro de mim, a me fazer companhia. E ela me sacode às vezes, me compreende outras, porque me conhece, me abraça e concorda comigo quando penso que tem de haver alguém superior a nós, a nos dar um sentido maior, a nos consolar quando descobrimos nossas fraquezas. E, de vez em quando ela me convida... – Vem, passa um baton, vamos sair um pouco deste casulo! Eu te faço companhia...  
Foto retirada do Google
Texto:Vera Alvarenga 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sensibilidade, razão e saudade...

  Às vezes bate uma saudade e sinto uma enorme vontade de abraçá-lo. E abraçá-lo, eu penso, do modo como jamais o abracei. Do jeito que a gente sempre sonha abraçar aquele que a gente ama. Sabe como é, não é?
 Quantas vezes imaginamos estar com alguém e, sem precisar dizer muitas palavras, compreender que muito já está subentendido e, com um abraço selar um acordo íntimo de cuidado e confiança eternos. Quem não sonha com este tipo de encontro onde  desprendimento e comprometimento não se fazem contraditórios, mas complementares? Algo como se as almas tivessem finalmente se encontrado...
   Ah! nossa! quão delicado e profundo pode ser o sentimento de que somos capazes quando estamos apenas a vislumbrar o encontro, seja com um filho, um amigo ou a pessoa por quem estamos ou estivemos apaixonados.
   E quantas vezes nos acontece que, ao estarmos diante daquela pessoa nos toma, de corpo inteiro, uma inércia desconcertante. E esta, é filha da dúvida entre o desejo de demonstrar espontâneamente o carinho que queríamos dar( ou trocar), e o conjunto de crenças ou afirmações que tantas vezes ouvimos - "é preciso respeitar o momento do outro", "não podemos apenas pensar no que desejamos mas nos perguntar se o outro o deseja também", "demonstrações de afeto não esperadas podem fazer o outro sentir-se invadido" ( ainda mais no tempo em que as pessoas se habituaram a manter-se resguardadas, isoladas do outro e a verdadeira "intimidade" não é muito bem vinda, a menos que seja através dos toques em um teclado). Evidentemente são regras do bem viver. E necessárias, sem sombra de dúvidas! Eu mesma hoje, sou assim - sei que aquilo que sentimos e tem um toque de divino e verdadeiro, é diferente do que podemos transformar em gesto real. Sei que nem tudo que parece ser, é. Somos seres humanos racionais e deve fazer parte de nosso desenvolvimento, o saber controlar desejos e impulsos, o aprender que a vida é feita de frustrações e alguns momentos de felicidade ( por isto mesmo, também é melhor evitar nos apegar ao que pode ser colocado apenas em palavras e jamais em gestos).
   E sendo assim, não estando mais presente, onde estiveres, certamente não recebes nem precisas de meu abraço, penso eu. Quantas léguas me separam de onde estás agora?
  Ao pensar nisto a saudade fica mais forte, mas hoje, já sei como estancar o sentimento como aquele que impede que o corpo se veja inteiramente tomado. E é preciso fazê-lo antes que se torne quase insuportável, porque então, ia doer. E só masoquistas precisam sofrer, diz mais uma crença. O melhor é apenas lembrar, sorrir, deixar ficar e seguir. Então, acalmo meu coração, viro as costas e saio... livre, agora, de tua lembrança...
  - Hei! Espere ai! Quem é que disse que viver é fazer de conta que nada sentimos? E que todos estes pensamentos e sentimentos contraditórios de um mundo que mal conheço e pelo qual minhas pernas mal caminharam, podem me roubar assim, tão totalmente de mim ( daquilo que acreditava) ? Penso, logo existo? Creio, logo sou! Ah, como sou terrivelmente influenciável e fraca neste ponto! Traí a mim mesma mais do que a estranhos.
  Decidida volto então a buscar-te em minha lembrança, porque viver é lembrar também. Descuido da razão. Escolho minha sensibilidade. Procuro tua face e cara a cara te digo que, neste momento em que quero ser fiel a mim mesma, não importa teu silêncio, a distância ou mesmo tuas escolhas. Coloco em prática o gesto que aprendi... ( Psiu! ninguém vai saber e só quem crê, sem soberba, poderia compreender...) e na calma do meu coração me coloco como em meditação, e para ti envio o melhor de um singelo e forte sentimento envolto em luz azul, junto com meu carinho, desejo que fiques bem e que Deus esteja contigo. Neste momento tenho asas e é o melhor de mim que vai em tua direção. Pronto, feito!
   Mas, um minuto após este doce instante de meditação, guardo meu espírito e minha viola no saco, no mesmo instante em que, sem nenhuma razão, passa por meu corpo e minha vontade um pensamento furtivo...
  - Ah! tivesse o destino permitido que ainda houvesse tempo para que tudo pudesse ter sido mais concreto, como ainda sou...
   
Texto e foto: Vera Alvarenga:
  

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Um sentido para a vida...

   Diante da morte, quando perdemos alguém que amávamos, difícil seria não pensarmos, de uma forma ou outra, no sentido da vida, desta que aqui conhecemos. Não só da morte, mas do espanto. Quando estamos em um dos extremos, a morte ou o que nos cause espanto pela visão de algo incrivelmente belo da natureza, pensamos na existência de Deus. Pensamos ou sentimos. Mais sentimos do que pensamos...
   E nestes momentos, as discussões filosóficas e religiosas não nos consolam, mas nos mostram como, há milhares de anos, buscamos o sentido maior das coisas. Tudo e a única coisa que traz consolo diante do nosso medo e espanto é a fé. E tudo porque temos medo. Se o medo nos leva a Deus, se muitos dizem que se não houvesse o diabo, o medo e a dor, não iríamos tão ansiosamente em busca do nosso Deus que nos salve e justifique tudo o que nos parece sem nenhum sentido, como a morte de um filho ou outro ser amado, também o belo nos leva até Ele.
   Porque certamente conhecemos, de nosso futuro, o que mais nos assusta - que morreremos brevemente - temos o medo, o medo da dor, e mais ainda o medo do vazio, da perda de sentido para o que somos, o que vivemos e a própria vida, em si mesma.
   É por isto que diante da guerra, das atrocidades, das calamidades, das tragédias precisamos do consolo da fé. Mas também quando temos um daqueles momentos de espanto e admiração diante de uma flor ou da magia e encanto da enorme variedade de fragrâncias, formas e cores de tantas delas, ou ainda diante de uma paisagem como fiordes, ou simplesmente árvores e um cisne refletidos em um maravilhoso lago ao por do sol alaranjado, pensamos que a existência de um Deus de todos os deuses, o único verdadeiro, tem de ser inevitável. E que seja uma certeza, para nossa sorte. E que não seja um Deus apenas energia, mas um que pensa, nos vê e nos ama. Só isto nos consolaria e justificaria a vida e a morte. Só a fé neste Deus inexplicável mas real, silencioso mas presente, que não interfere mas nos ama e conhece o que está por trás de tudo, nos consolaria diante do anseio por sentido, do nosso desejo de que toda a cor e tudo o que existe de bom e extremamente belo deste lado, seja apenas um reflexo das possibilidades que há no pensamento Dele e em sua criação, e do que possa existir lá, onde Ele não se materializa no mundo de opostos, mas é tudo, sem começo nem fim. Pensar que somos parte dele e que, aquilo que criamos aqui pode ser um reflexo infinitamente menor do que são as possibilidades nele, nos devolveria uma gota de grandeza e de humildade. Mais uma vez dois opostos pois somos hummanos e este é o nosso mundo.
    Só diante de um Deus de amor e verdadeiro podemos entregar nossos filhos e nossos amados... e a Ele, daríamos graças por todo o belo e bem que é possível...

Texto em solidariedade aos pais, familiares e amigos dos 236 jovens mortos no incêndio deste final de semana numa boate no Rio Grande do Sul, e para todos que pranteiam seus entes queridos sem ter ainda encontrado consolo.
Vera Alvarenga. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Entre a razão e o coração...

E naquela pequena aldeia onde morava, ela viveu por muito tempo, foi feliz, lutou, trabalhou, riu e chorou, como todo o mundo. Até que chegou um dia, quando se incomodava com a fraca luz que iluminava suas noites, em que soube de alguém que tinha outros costumes, vivia em outro lugar.  Quando era noite escura aquele, que distante vivia, trouxe consigo uma lanterna, porque também procurava algo que perdeu.
 - Onde mora? ela perguntou.
E ele lhe mostrou. Lá...
- É longe...muito longe...Mas, por algum tempo, ao olhar para o mapa do mundo, ela podia ver lá, bem distante naquela outra cidade, a pequenina luz verde, fosforescente, que se acendia para ela.
   Então, a cada vez que via, na penumbra, aquele sinal, em seu rosto um sorriso iluminava sua noite, e também o seu dia. E, apesar de seu olhar sonhar com o distante lugar, não era apenas de sonho que vivia. Porque a luz que antes pertencia apenas à janela daquele que estava distante, entrava em seu coração diariamente até que, em poucos meses, também lhe pertencia. Não que a tivesse roubado dele, não! É que, de tanto que aquela existência lhe fazia bem, tomou-a para si, em pensamento, e a interiorizou. Nela ocorria o mesmo fenômeno que a tanta gente que busca a luz, que ama - resplandecia! E tudo ao seu redor ficava mais iluminado, e assim, não cometia nem o crime de roubo, nem o de ausentar-se do que era sua responsabilidade viver. Era o que a razão lhe fazia crer. Contudo, a experiência era com os sentidos e, se houvesse alguma verdade ali, era a de que seu coração assim iluminado, era capaz de iluminar novamente. E era para isto que acreditava viver.
   Algum tempo passou. Um dia, à sua alma ingênua, a própria razão, talvez pela inquietude que traz a ausência do que nos alimenta a fé, plantou-lhe uma dúvida impiedosa.
 - Tudo é ilusão. Como sabes que aquela é a mesma luz que te acompanhava antes? Neste silêncio, como sabe de quem é aquela janela? Quem estará atrás das máscaras que todos usamos? Logo tu, tola que foste. Nem ao menos quisestes conhecer outras pessoas que lhe trouxessem outras notícias, outros sorrisos e mais sentido para o mundo que conheces.
- Se sabes tudo, não deverias esquecer que a inquieta é você, não eu. Sou fiel ao que sinto, e não costumo procurar, como você. Não posso mudar tanto de mim, só por ter visto algo que não tinha mais e desejei, ou mesmo que tenha sido uma criação de meu próprio desejo.
E a mulher virou as costas para a razão. Mas seu coração, com certa tristeza pressentia que aquela luz poderia apagar-se de dentro dele, porque já não sabia de onde vinha, nem se algum dia, verdadeiramente tinha se iluminado para ela... talvez viesse apenas de um anseio...de si, ou do outro que um dia passou por ali.

Texto: Vera Alvarenga
Foto retirada do Google.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Dois olhares para a mesma viagem...

- Olha só, que linda imagem!
- Onde?
- Ah! já passou!
- Tudo passa, mesmo quando estamos sentados...
- Tudo passa porque temos de ir para algum lugar, ora! Nesta viagem, pensei ter encontrado o lugar exato para me deixar ficar.
- Eu sei..se apaixonou pelas possibilidades. O lugar, de fato, parecia com aquele de um sonho seu. O jardim,  árvores maduras com frutos para dar, a casa, tão antiga quanto nós. Bom que não ficou.
- Fiquei por um tempo, conversando ali no jardim onde nos encontramos. Mas então, fiquei sozinha. O sol começou a queimar minha pele, depois veio a chuva, o vento, e eu, apenas a imaginar como seria bom naquelas noites frias, queijos e vinho, embaixo de uma manta xadrez de lã, abraçados, talvez chorássemos um pouco, para depois rir ao falar de coisas amenas. Eu tinha certeza que saberíamos valorizar os momentos especiais depois de havermos perdido coisas importantes. A casa tinha uma luz quente, mas o dono não me convidou a entrar e me dei conta de que estava muito frio lá fora. Então, ouvi o apito do trem.
- E nos encontramos de novo... Aqui estamos nós. Fico feliz com isto pois não costumo perder o que é importante para mim.
- Olha, que lindo lugar! Está vendo, junto àquela ponte, à direita?
- Não, não vi. Todo lugar é igual, não vejo como você se encanta...
- Cada canto tem algo especial numa viagem como esta. Por isto passei a gostar de tirar fotos, é um dos meus jeitos de eternizar momentos e os detalhes que pude ver. Quer ver algumas?
- Agora não.
- Mas você tem razão, todo lugar é bom, melhor se estamos com alguém para compartilhar...ainda bem que está aqui...
- Sim. Estar com você me deixa em paz. Fica quietinha, vou tirar um cochilo. Quando chegarmos, me acorda.
Texto:Vera Alvarenga
Foto: John Ryan

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Ainda estás aí?


 Era uma noite silenciosa. Eu me demorava a dormir. Então, o som me envolveu. Não sabia de onde vinha porque até aquele momento o silêncio, o teu silêncio, era de morte. Havia uma ausência tão palpável que se podia até ouvir o pulsar daquelas paredes como se tivessem vida apesar do vazio. E no escuro daquela noite em que não consegui entregar-me ao sono, a respiração curta impedia o ar de preencher todo o espaço que ali havia para ser preenchido.
   E eu respirava como se tivesse preguiça de viver. Aquele espaço vazio e negro me assustou por momentos. Onde eu estava? Meus olhos, tanto quanto eu, estavam fechados. Lentamente os abri, por um segundo. Apenas por um rápido instante. Voltei a sentir o pulsar daquelas paredes. E naquele quarto, convenci a mim mesma que estava segura. Todo vazio assusta, pensei. Nada demais. É preciso apenas coragem para continuar a respirar e crer que tudo vai passar. Porque tudo passa.
   A saudade, a falta, o desejo daquilo que não podia mais ser sentido, culpa da ausência e do tempo,  passariam, não iriam mais atormentar meu sono. E eu recordaria tudo e esta noite, como vaga lembrança de algo que, um dia e por muito tempo, pareceu eterno. Tudo se transforma. Nada permanece como foi um dia. Nem eu! Seria mesmo verdade que tudo passa, mesmo as mais raras e valiosas presenças? Não estariam para sempre marcadas em nós? Ah! estes tesouros a ornamentar nosso aposento mais íntimo. Nem todos igualmente preciosos, mas cada um com inestimável valor. Talvez naquele mesmo aposento em que me encontrava agora, houvesse uma vida escondida dos olhares, e que pulsava, tão eterna quanto posso ser, e enquanto eu for.
   Então, tudo passa... mesmo a mais indispensável de nossas inspirações. Porque um dia, talvez deixemos de crer em nossa capacidade de amar ingenuamente e para sempre.
   Passa sim, pensei, tudo passa, nem que para isto tenhamos de perder a memória que nos faz ser o que somos. Nem que um dia, acordemos no meio de um quarto que não nos diga respeito, onde não possamos nos reconhecer, esquecidos de tudo e assustados, ou por tão esquecidos, talvez sossegados, para sempre ingênuos, eternas crianças.
   Tudo passa também ao olhar consciente mas superficial, embora muito fique escondido, quase silencioso, camuflado em nossa pele. Como de pele era aquele quarto. Aquele em que me encontrei naquela noite, incrivelmente consciente de uma ausência.   
   E ele, que pouco tempo antes tinha voltado a pulsar descompassado, quente, úmido e ansioso diante das promessas da vida, agora, a despeito de mim e do tempo, ainda batia, mais lento porém ritmado. E eu o ouvia, no silêncio da noite. Então, ainda estás aí, no meu peito?! Agora, eu o sabia ainda vivo e calmo, a despeito de tudo e do vazio. Porque o vazio é talvez um espaço necessário ou, por vezes, inevitável.
   De olhos fechados, a languidez foi tomando conta do meu corpo, embalado pelo som que vinha do pulsar daquelas paredes, que jamais foram frias e onde eu sempre podia me resguardar. Eu não sabia mais se estava nele ou ele em mim....
Texto: Vera Alvarenga
Foto retirada do Google
  

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Amor...

      Sou extremamente positiva, porque mesmo no auge dos meus sonhos ou da visão de minhas realidades, ainda que precisasse deixar muita coisa de lado, jamais desisti ou duvidei daquilo em que mais acredito, o que me impele a continuar.... 
   E, embora seja deste modo idealista e firme em alguns princípios,...quando te ausentas assim por tanto tempo que até mesmo duvido que um dia estiveste tão perto, quando demoras para vir, quando não sinto que, de algum modo tu estás comigo por momentos e o que tu representas transborda do meu coração, não posso evitar entristecer porque parece que a luz do mundo se apagou um pouco... de tão forte, extremamente forte que tu és, quando se traduz em sentimento que promove a vida – a minha vida.
   E antes, experimentei o contrário. A luz do sol brilhava em meu dia quando o sentia, quando o sabia perto, quando recebia tuas palavras, porque sem que estivesse isto em minhas mãos ou em meu poder, o amor vibrava então, e por tua presença, também em meu coração. E em presença do sentimento de amor que se esparrama como um rio dourado e fértil, o que se banha nele se torna melhor, e tudo que não é, nos parece por demais grosseiro.
   Sim, sou feliz com tanto que tenho, quando olho ao redor e vejo que tenho mais do que tantos. Tenho diferentes coisas do que já tive. Sou grata. Hoje, a consciência que antes procurava e me fugia, está a impregnar-se em meus momentos, embora ao mesmo tempo me sinta desapegar-me de tudo. Tenho uma tranqüilidade que antes não tinha, e tempo para mim... mas isto não impede que perceba que a inevitabilidade das coisas me faz sentir medo, algo que antes não sentia. A maturidade não impede que sinta falta de tua presença...  amor.
   Meu amor ... néctar, bebida  doce que faz esquecer como somos limitados, nós, os seres humanos, e me permitia relaxar e descansar de meus cuidados em almofadas de cetim...
   Deixa-me sentir teu olhar amoroso de novo e o bater de tuas asas douradas em meu coração de pedra... e serei leve e livre novamente...
foto e texto: Vera Alvarenga. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O que você é, uma mulher ou um rato?

- O que você é... uma mulher ou um rato!?
- Um rato! Um rato e me deixe em paz!
   Há todo tipo de rato...e há todo tipo de mulher, mas certamente eu não seria, de verdade, um rato! Simplesmente porque odeio ratos, tenho horror a eles. Só gostava um pouco do Mickey e daquele outro magrinho que sabe cozinhar.
   - Ta certo, talvez seja covarde em alguns aspectos. Quando fiquei sozinha, por exemplo, quase não saia para encontrar companhia. Não ia em busca de alguém, embora fosse em busca do que acredito. Vai ver que eu queria tranqüilidade mesmo e gostava da minha companhia, e dos poucos amigos daquela época. Mas sim, faltava alguma coisa e aí está minha covardia – faltava o meu homem pra eu amar. A vida não teria a menor graça, sem isto – o amor.
   Engraçado lembrar que nunca fui de ir atrás de alguém. Afinal o que eu acreditava? que Deus enviaria a pessoa certa pra mim? Que o que é do homem o bicho não come? A respeito das pessoas, acho que eu pensava bem assim mesmo. Devo ter me enganado. Talvez, no tempo certo, a gente devesse procurar aquilo que mais nos convém, mais do que ser “encontrada”, “conquistada” e crer que no Universo tudo conspira sempre para nosso bem...rs....
   - Mas, em tudo o mais, eu ia em busca ou tentava agir de acordo com...   
   - huummm...mentira!
   - Ta bem, pelo menos, sou coerente, se quero ser feliz e ter uma vida tranqüila, insisto, faço tudo para cooperar com este objetivo e, se quero ser amada, amo! Mas reconheço, deixei a meio caminho muitas coisas que poderiam ter dado certo... cantar na TV, ser compositora, pintora, talvez algo de sucesso se tivesse no DNA o necessário para conquistar, desbravar, competir, brigar sozinha. 
   E será que era o sucesso que eu queria ou sou tão comodista que evitava ser o centro das atenções? Como saber se o talento me levaria longe? Talento sem briga e muito trabalho...não sei não...dizem que também tem a sorte da pessoa certa te descobrir no momento certo. É de tudo um pouco.
   Um amigo que me conhecia bem, me disse que eu era do tipo que ficava atrás das cenas, e me divertia cooperando... bem possível isto! Sempre tive mesmo uma ponta de certeza de que eu não estava renunciando a nada, de fato. Que em qualquer coisa que  fizesse haveria a possibilidade de me realizar e ser feliz no processo, dependendo do processo. Isto me dava uma tranqüilidade que eu gostava, uma discreta alegria espontânea, como quem conhecia uma liberdade maior do que aparentes limites. Não me importava de ficar atrás das cortinas... desde que, é claro, a alegria também fosse para lá. Na verdade, o melhor pode ocorrer nos bastidores, dependendo das pessoas que se encontram ali, na intimidade e fora das luzes, dispostas a comemorar a vida juntas.
   Então, acho que estou mesmo mais para gato. Um gato que aprecia solidão, mas gosta de se aconchegar com alguém especial. Sim, pensando bem, não sou um rato! QUE ALÍVIO! Sou comodista e mansa como um gato. Sou capaz de me apegar ao dono tanto quanto me apego ao que torna minha existência feliz – a minha casa. E, pra mim, lar é amor, é estar em casa. Onde estiver o amor, estará meu dono... do contrário, estarei em maus lençóis e me confundirei, e pensarei que sou a caça, e... me esconderei num buraquinho escuro, tremendo de medo, com meu rabinho fininho e feio,entre as pernas!
Texto: Vera Alvarenga
Foto retirada do Google, ass. por Fotosearch e vista no post de um site cuja historinha, muito legal, recomendo -  http://abrangelog.blogspot.com.br/2011/03/o-rato-e-o-gato.html

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Nos emails dele...

    Começo de ano. Caixa de correio cheia, emails que ele nem abria mais, há algum tempo. Era o momento certo para deletar tudo - Ano Novo, vida nova.
  E lá estava um e-mail dela. Há meses eles se corresponderam. Tinha sido importante numa fase em que a vida estava difícil com a perda que o abalara tão profundamente. Ela dissera que também sofrera uma perda. Ele lhe incentivara a continuar. Ela lhe emprestara suas asas, bem que ele  reconhecia. Mas vieram outras perdas. A vida, às vezes sabe ser ainda mais dura.Tudo mudara muito. Não tinha mais tempo para amizades virtuais. 
   Parou de escrever-lhe. Por que ela também não fazia o mesmo? O que a movia a escrever-lhe como se tudo continuasse como antes? Ela não sabia que o tempo leva tudo? Seria doida? Uma mulher como tantas outras com sede de afeto, que não sabia viver sua solidão e se apegara a ele como se fosse uma oportunidade de recomeçar sua vida, talvez. Mas e ele? Ela não se importava com o que ele queria?
  Antes, ela confessara, pensou que ele fora um presente de Deus em sua vida, com tantos sinais que de início não compreendera, mas que depois ficaram claros. Como ela podia pensar isto apenas por aquelas pequenas coincidências, e se até mesmo Deus parecia haver esquecido dele?   
   Depois, ela disse que não esperava mais nada dele mas desejava sua amizade. Não, ela não podia estar falando sério. Não podia ser tão crédula e ingênua sendo tão velha! Ou então estava confusa. Era uma artista, romantizava tudo, com uma criatividade absurda misturava ilusão à realidade. E ele, não era homem de confundir as coisas. Ele tinha desejos, mas não tinha planos. Ou pelo menos não, os que pudessem fazer juntos. Por ventura ela acreditava que Deus os havia aproximado porque sabia o que acontecia a ambos? Isto tinha sido uma explicação que respondia às incertezas dela, não as dele. Sem dúvida, era apenas uma mulher simplória demais, que colocou a vida nas mãos de Deus, talvez porque nunca o tivesse feito, de fato, antes. Uma vez ela contou-lhe que fez isto porque estava cansada de tentar fazer tudo dar certo, sozinha. Depois de tantas perdas, ele também estava cansado. Precisava seguir a vida e adaptar-se da melhor forma. E ela não estava nos planos dele.
   Mas quem sabe, para Deus, podia abrir uma exceção. Quem sabe pudesse colocar sua vida nas mãos dele, com a simplicidade de um homem que sabe que necessita fazer a sua parte, mas que uma ajuda divina seria bem vinda para aquele novo ano...
foto retirada do Google imagens. Texto: Vera Alvarenga.

domingo, 6 de janeiro de 2013

A fugaz felicidade.


Entre os que iam e vinham ocupados com suas próprias distrações, ela estava lá, uma pessoa livre e comum no meio de outras. Adorava isto.
  Estava ali, já há alguns momentos olhando os reflexos no lago. E sentia-se bem. Sabia que a felicidade era feita de momentos...
   Aquela mulher, como tantas, fizera sua escolha. Entre carreira e todas as possibilidades, escolhera amar. Cuidar dos seus e transformar o ambiente ao redor em algo mais bonito e tranqüilo, usando os recursos de que dispunha, era o que decidira fazer com sua vida e criatividade.  
   Aquela mulher, às vezes, esquecia-se de si e do tempo.
   Aqueles momentos em que se dissolvia e penetrava no que estivesse fazendo ou amando, e neles sentia-se parte de algo maior, davam-lhe indescritível sensação de tranqüila felicidade. Mais do que nunca agora, tinha certeza que a perfeição individual não era alcançável, embora fosse de certa forma compreensível o nobre desejo de chegarmos próximo a ela, quando fosse dado a isto o devido valor. Nem mais, nem menos.
   Perdoara-se definitivamente por todas aquelas vezes que, exausta, pensara em desistir ou que simplesmente não fosse agüentar, porque era fato que as fontes secam. Apesar disto, um gesto de amor ou uma boa noite de sono costumavam devolver-lhe a energia.
   A vida tinha lhe mostrado o quanto ela era limitada e como havia sido pretensiosa por ter- se acreditado capaz de fazer tudo dar certo, como se pudesse possuir a felicidade.   
   Apesar de sentir-se penalizada por isto, era o que tinha de ter feito. Hoje ela conhecia o significado da fugaz felicidade. Quando falava de paz, nem sempre a ouviam, porque seu jeito simplório e tranqüilo de argumentar era por demais lento, até ultrapassado, para a vida que segue livre, cabelos ao vento, nas patas de musculosos e elegantes cavalos de corrida.
   Aquela mulher não tinha se dado conta, mas aprendera como parar o tempo.
E, quando parava de correr, ela aprendia a ser feliz.

Foto e texto: Vera Alvarenga

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O pêndulo...

   Uma vez ele lhe perguntou:
- Você existe?
- Claro que sim, respondeu.
E sabia que existia! porque naquele instante começava a pesar-lhe sua existência. Ela, que sempre tivera asas, vergava agora, diante dele e pesava-lhe  sua simplicidade e mais algumas características que a faziam sentir-se mais concreta e deslocada do que nunca.
   Engraçado como quando a gente se sente parte atuante na construção de um sonho, ou quando a gente ama e se sente amado sem que para isto precise renunciar a alegria que pode acompanhar tal experiência, tudo parece encaixar-se, tudo se torna mais leve, inclusive nós. E o contrário, é consequência de vivermos o momento em que descobrimos que estamos vivendo no mundo de dualidades e opostos. E nele, experimentamos os dois lados da moeda, embora alguns tenham a sorte de descobrir um terceiro. Porque o amor pode ser leve, ou pesado, conforme o modo como se ama ou que se é amado. Por vezes é uma escolha.
   Para ela, era impossível duvidar de sua própria existência, porque debatia-se e por isto, sentia cada limite do seu ser. Isto a tornava bastante concreta.
   Uma outra vez, ele lhe disse:
- Com toda certeza posso afirmar-lhe que você é insubstituível para mim.
  Aquelas palavras eram dirigidas a ela e assim, teve certeza de que poderia libertar seu coração. E logo, era ele que se tornava insubstituível para ela. E quando ele lhe falou que, algumas vezes, a sentia junto a si porque ela parecia adivinhar o que acontecia, sorriu. Porque ela o trazia sempre junto a si, em seu coração, e conversava com ele, e todos os dias dizia-lhe bom dia e boa noite.
   Quando já nada mais esperava, ele era como uma doce promessa, que naturalmente se realizaria em breve, algo que seria como colher o fruto que já está maduro - o melhor sabor, o melhor cheiro - a promessa da leveza de poder ser. Então, ela passou a viver entre o sonho e a realidade, entre a esperança e a desistência, alternando sentimentos de impotência e poder, limite e liberdade - o desejo da liberdade de caminhar livremente, não por estar só, ao contrário disto, por sentir-se plenamente reconhecida e capaz de ser. O sonho parecia mais real do que tudo o mais, porque refletia o que estava nela.
 Chegou o dia em que ela viu que nossa vida pendura-se, por vezes, no pêndulo do relógio do Tempo. E o tempo não parou para ela descer, nem recomeçou. No pêndulo, ora estamos de um lado, ora em seu oposto.
  Agora, era ela que perguntava novamente:
- E você, ainda existe?
Mas não ouvia mais nenhuma resposta.
  E, com as pernas penduradas no ar, sentada no grande pêndulo do relógio da vida, observava. Talvez nunca mais descesse de lá e se adaptasse por fim, ao balanço ritmado. Sentiu a brisa no rosto. Seria o vento que leva tudo? Mesmo que antes ela não acreditasse nisto, reconhecia agora, que era possível que ele tudo levasse. Ainda assim, ela procurava o equilíbrio, mesmo sabendo que o pêndulo jamais pararia enquanto ela vivesse... a cada dia ela o cumprimentaria pela manhã e se despediria, com um beijo, à noite...
Foto e texto: Vera Alvarenga
  

domingo, 2 de dezembro de 2012

O refrão daquela música, lembra?

   Coloco o Lap-top de lado. Fecho a página de um texto que não escrevi e que era tão branca como é a saudade que não se preenche de novas palavras. E, talvez porque seja uma tarde de domingo, uma preguiça imensa toma conta de mim. E porque a reconheço, deixo estar, me deixo levar pela calmaria.
   Lembro de você, que me perguntaria - tudo em paz? Digo que sim. Apesar do vazio na brancura do papel, tudo, no momento, está em paz. No fundo das águas calmas sei que há um grito de um animal ferido, uma ave faminta, um riso, o desejo contido de  uma mulher sem idade, um sorriso e gesto gentis que queriam ser para sempre, seus. Arrumo as almofadas no canto do sofá, pego um livro, me deito de modo a olhar para as árvores em frente ao terraço. Visão agradável. Tudo aqui é exatamente como sonhei. O que poderia querer mais? Colho da vida, neste momento, uma paz que dissolve qualquer sinal das lutas e do anterior cansaço. Me vem à lembrança um refrão de música: - " Agora só falta você, ie,iee, agora só falta você!"
   Lembro de como inúmeras palavras me brotavam no pensamento a cada vez que você vinha. E tudo efervescia, mesmo no meu jeito calmo de ser. E me parecia, talvez porque eu sonhasse, que ia haver um futuro. E fui ousada, e quase não tinha medo.
   Porque hoje é domingo, bem que você poderia voltar... eu sei, esta paz então, iria embora, substituída por certa inquietação que me faria vibrar, e muitas coisas talvez tivessem de mudar de lugar e, mesmo assim, ao fim, ainda haveria tranquilidade, se eu pudesse finalmente confiar. Eu teria sem demora, tantas palavras e uma história a continuar a escrever...
  Mas hoje é domingo. "Tá tudo bem", tudo em paz. Me invade apenas a saudade que ainda não sei controlar e uma persistente brancura de papel....
Texto e foto: Vera Alvarenga.
Música do youtube com Maria Rita -

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Comprometer-se...

 Em minha recente viagem para o sul, reencontrei um casal que descobriu no seu casamento, o segundo para ambos, que para o relacionamento dar certo, amar não é apenas sentimento, mas o comprometimento em desejar fazer o "outro" feliz. Em um próximo post vou contar uma historinha sobre eles.
   Sorte daqueles que descobrem que acomodar-se a um individualismo exagerado e "falsa" liberdade e independência sem limites do "cada um por si desde que todos por mim" não é a melhor solução para a vida a dois. Sorte dos que não pretendem ter sempre razão. Aliás, o individualismo radical não é solução nem para a vida em sociedade, pois comprovadamente traz ansiedade, sentimento de insegurança, depressão e pânico, de acordo com especialistas no assunto.
   Amar não é apenas o que se diz de um sentimento - é atitude - o amor pede ação, deseja conjugar o verbo. São dos pequenos gestos em benefício e engrandecimento do outro e do próprio relacionamento que o amor se sustenta ( e também o bom humor, e a disponibilidade para uma vida mais plena)! E não, de um sentimento que se esvazia na ausência da ação, presença de orgulho e recusa de se comprometer.
   Mesmo quem já amou, se não é correspondido, um dia acaba por se transformar em um sonhador. E se seus gestos encontram constantemente a barreira que impede a alegria da troca constante, acaba por pensar que a ele, só restou sonhar. E então, seu desejo o leva a sonhar... inconformado sonha, a cada novo dia, mesmo em presença de frustrações, porque sem esperança, entristece... e sonhar, por vezes o alimenta... mas quem apenas sonha, também não realiza mais o amor, pois seu desejo está no amor e em presença do desejo de amor, o que não é amor não satisfaz mais . Seu olhar se tornará triste e distante como que em busca da ave dourada que se banhava, antes, na água da fonte de seu próprio coração. Porque é por causa deste alegre encontro, que da fonte brota a água mais cristalina e do peito do pássaro dourado sai a mais bela canção em homenagem à vida. Nesta troca, ambos se comprazem. Sem ela, a fonte seca e a ave dourada sente-se ferida, emudece.
   Sorte ( será só isto?) dos casais que reencontram seu pássaro dourado junto à fonte!
   Os outros...viverão de lembranças ou sonhos. De certa forma, tem sorte também os que tem as lembranças e até os que pelo menos podem sonhar! Mas viver plenamente o amor é incomparavelmente uma escolha melhor, quando se pode ainda escolher. Porque este trabalho de amar nos preenche a vida, põe um brilho no olhar e um sorriso na alma.
   Assim como acontece para toda uma sociedade contemporânea, manter um individualismo egocêntrico tem um alto preço para cada um de nós, em nossa vida, de um jeito ou outro. Fatalmente, o ser humano que tentar reproduzir em sua vida íntima e familiar o individualismo radical com o qual aprendeu a sobreviver no mundo,  aumentará para si e para quem conviver consigo, o sentimento de vazio e solidão que já existe em cada um de nós. Se não se compromete com o amor em sua vida íntima desejando fazer também o outro feliz tendo oportunidade para fazê-lo, logo se desviará do caminho que o levava à fonte, não terá mais como encontrar repouso em seu ninho e forças para alçar vôos que lhe tragam mais do que uma ilusória sensação de realização. E, certamente, perderá a alegria que lhe brotava espontaneamente no riso. E, quando sorrir alegremente nos encontros ditos sociais, alguém sempre perceberá que o sorriso "é de alumínio" que, como uma máscara, ao virar a esquina, cairá por terra.
Foto e texto: Vera Alvarenga.

domingo, 11 de novembro de 2012

A eternidade do amor...

De vez em quando, ela vem e me toca. Sem aviso. Não tem hora exata para acontecer, quase sempre é quando deixo a emoção e o sentir existirem por si, sem questionamentos. E quando permito que existam sem impedi-los, eles se espalham, me causam arrepio.
   É então que pressinto que ela chega. E vem quieta e lentamente, e me toca. Meu arrepio é de medo e respeito por sua coragem.Sei que em sua fragilidade, é mais forte que eu e causa transtorno quando quer me mostrar que ainda faz parte de alguma maneira, e para sempre.
   Temo que ela me ame. Por isto talvez nunca tenha me deixado. Já o meu amor, maduro e sensato amor, é por sua memória pois não a posso ver, apenas sentir. Acho que a amo mais agora do que jamais a amei, justo quando ela já não pode ser! Nós, seres humanos, temos esta inconsciência das coisas que são, enquanto naturalmente estão sendo.
   A presença dela me traz uma doce sensação de leveza e liberdade! E num instante me transporta para o alto de uma paisagem... e tenho asas! Vejo flores e as árvores, a lagoa que se encontra com o mar. E então, lá do outro lado, eu o vejo também. Dali, posso alcançar tudo que quiser. Posso cavalgar nas nuvens e tocá-lo. E certamente, seria tocada por ele! Isto também me causa arrepio. Voar ao encontro dele é maravilhoso!
   Contudo, é bem isto que me apavora. Logo abaixo de minhas asas, quando a caminho do meu destino, a lagoa reflete minha humanidade e o que o tempo escreveu na realidade. E então, o encanto se desfaz. Para continuar seria preciso enlouquecer totalmente de modo a nunca mais olhar para um espelho? Não sei. Só sei que sempre há o aviso, mas parece que não o vejo a tempo.
   - Não olhe para seu reflexo! ele grita amordaçado pra mim. Não posso ouvir direito.
   Como evitar se tudo que nos cerca, a lagoa e o mar, refletem como espelhos? Como cortar as asas que ela grudou em mim?
   Se não a loucura, só outro olhar tão louco quanto o meu, refletido no mesmo espelho, teria me salvado. Só um olhar semelhante, do outro lado dos espelhos, nos salva a todos. Mas isto é magia! Não havemos de desejá-la? E há magia do mal ou do bem... como no espelho da madrasta da Branca de Neve ou no olhar do homem amado...
   Então me entristeço porque minha loucura está só. É loucura crer na eternidade de qualquer sentimento que pertença ao humano e viva solitário apenas em um coração. E este sentimento é o melhor de todos eles. Dele, muitos nem se lembrarão, outros não podem saber do que nunca existiu, alguns se conformam com a gradativa perda da luz como se fizesse parte do envelhecer nobremente... E ela? parece  simplesmente dispensar a nobreza de títulos, só quer cultivar o que já sentiu. Para sempre, de um modo ou outro, como se fosse o que mantém o significado das coisas! Ah! ela acredita! Sabe que algumas árvores vivem mais do que a própria pessoa que a plantou em seu quintal. Esta jovem mulher carrega tanto desejo e vigor quase inconformados, porque crê que conheceu o amor e que por longo tempo o viveu. Assim, jamais envelhece. Congelou-se no tempo?  Mantem-se fresca, ao contrário de mim. Por isto devo reconhecer que é quase impossível crer que ela possa ser assim, tão real como deseja mostrar-se a mim.
   É difícil conviver com ela, com sua absurda crença na eternidade do amor, transformado ou não. Ela, certamente, é feita apenas de desejo mesmo que seja com a mais nobre convicção.
   Por isto, quando ela vem me tocar, metade de mim se encanta e a outra metade sente arrepio.
   E não posso evitar que ela me mostre o quanto é mais bela que eu com meus humanos limites. Não posso fingir que não a conheço, tapar meus ouvidos aos argumentos que usa para lamentar a eternidade do desejo de amor que vive em nós e poderia ser escolha, mas não é. Ela apenas me enlouquece com seu egoísmo quixotesco em defesa do amor. Eu tenho de usar a sabedoria e a ternura que dizem que a maturidade traz, para compreendê-la. Tento. Raramente consigo.
   E nem ao menos posso fugir dela,  porque quando vem, ela me toca de dentro para fora e então percebo, que ainda está em mim...
Texto e foto : Vera Alvarenga

sábado, 3 de novembro de 2012

Levando flores para quem não está mais lá...

     Como tanta gente, tive sonhos, desejos, vontades. Vontade, dá e passa! Assim aprendi. Mas sonhos? não eram por coisas que eu não tivesse e quisesse vir a ter. Era mais um desejar melhorar ou resolver uma situação em que me encontrasse provisoriamente e não me agradasse. Junto com o desejo de transformar as coisas, também a noção precisa de que deveria ter uma vontade firme, visualizar a solução, arregaçar mangas e ir de encontro a ela. Primeiro com o pensamento, em seguida, com o verbo. Ah! mas sempre o pensamento vinha antes.
   Visualizar antes, era construir primeiro no mundo das idéias aquilo desejado - depois, era o sonho a ser realizado. E, se não o fosse, não deixava no coração marcas profundas, porque raramente desejava o que não podia ter. Desde adolescente, eu vivia no agora. Ainda que o presente significasse não estar verdadeiramente tanto no mundo físico mas no mundo das minhas idéias, sensações, emoções. Outra forma de estar presente era criar - uma canção, poesia,artesanato. E entrava nesta ação por inteiro, o que não deixava tempo para pensar no que eu não tinha, talvez porque este mundo de emoções, sensações e criação fosse suficientemente rico. Na verdade, não sei muito bem do que se tratava, apenas era assim.
   Não me lembro de frustrações, nem de grandes sonhos para o futuro. Acho até que não os tinha! Nem frustrações, nem grandes sonhos, nem grandes paixões. Não tive uma paixão não correspondida, a não ser aquela dos treze anos, tão doce, tão pura. Em algum lugar ainda guardamos uma parte de nós que é assim tão terna. Fui, isto sim, o grande sonho de alguém que depois se transformou na minha paixão, e ainda no meu amor concreto e forte, e único por toda uma vida. A partir daí, acho que fui construindo meu primeiro  sonho menos provável, embora não menos nobre - e este, era o de me moldar ao desejo de felicidade de outra pessoa, até que passou a ser o meu próprio sonho. E se era também o meu, dependia de possibilidades que eu criasse. Assim, os que sonham não se encontram no vazio, porque tem muito a fazer!
  Não ter sonhos impossíveis quando menina, não foi uma artimanha inteligente de minha parte para não sofrer, ou não decepcionar-me com o mundo. Era apenas o meu jeito de ser contente com aquilo que me cercava, ou de procurar com minha curiosidade natural, e ao meu redor, aquilo que achava que estava ali mesmo, só não o tinha ainda encontrado. Viver a minha vida como ela era, descobrindo nela os tesouoros escondidos, parecia ser meu desejo natural.
   Talvez minha mãe tivesse razão, afinal. Quando eu já era adulta, disse-me algumas vezes, que  me conformava com pouco. Antes, referindo-se a mim dizia que eu era cordata, serena, dócil. Mais tarde, a mesma paixão pela vida como ela era, passou a ser considerada como falta de ambição. Sem que outros se dessem conta e talvez nem eu mesma de minha pretensão, no entanto, eu tinha uma grande ambição - viver um grande amor, sem desperdiçá-lo, alimentando-o constantemente, sem acomodar-me ou cansar-me, jamais. Não se tratava de algo impossível mas quase! e dependia de comprometimento.
   De qualquer maneira, não me lembro de demorar-me a sonhar com o que estava longe de conseguir. Não! Nunca sonhei apanhar o que não podia alcançar. Não costumava demorar-me por muito tempo, a desejar o que não tinha. E o que tinha era a minha vida, do jeito que ela era. E do jeito que eu era, havia então, sempre muito o que fazer para preencher qualquer vazio que ousasse surgir.
   Me pergunto - como poderíamos, afinal, desejar o que não fosse a própria vida do jeito que ela é? Onde encontrar tempo além do que dedicamos a ela e ao garimpar pepitas naquele conhecido solo sagrado?
   Como se pode sentir falta de algo que estava em um sonho ou saudades de quem nunca fez parte real de nossa vida? Talvez, então, vez ou outra e de tão cansados de não sonhar nada tão grandioso, tenhamos logo sonhado o mais inalcansável, a derradeira esperança, o amor impossível?! Como poderíamos deixar uma saudade crescer dentro do peito e nos abater tão inesperadamente, cada vez que nos defrontamos com um espaço vazio, no tempo da maturidade? Por que este descontentamento divino nos faria lembrar daquele sonho que dissemos que nunca teríamos?
   Por que lembrar dele ?  Porque lembramos de nossas perdas e sonhos também o são! E dói,como em dia de Finados levar flores ao ser amado que já não está mais lá. Mas é nossa maneira de prestarmos homenagem a um amor tão simplesmente puro, e doce, e belo, e grande...
   É...nunca tive sonhos, desejos impossíveis... tinha sido sempre assim...
   E como a vida não nos deixa passar incólumes na presunção de que nos safamos para sempre de algo que deixa marcas ou vazio profundo... hoje eu sei, tive então, minha cota de impossibilidade e perdas que realmente me importaram, e bem numa idade onde não nos deixamos importar com qualquer bobagem. E continuo, nem sempre com a minha costumeira serenidade, a tentar explicar a mim mesma o inexplicável, a tentar compreender como me deixei pegar assim, tão desprevenida,em três momentos da minha vida e todos na maturidade, nos quais sonhei encontrar nos olhos de pessoas diferentes, o amor como o que eu, naquele momento, sentia e desejava...aquele que parecia inadiável para resgatar o significado do passado, pacificar o presente e acomodar um futuro... e aconteceu na maturidade, talvez porque seja neste tempo que colhemos os últimos frutos e de uma maneira mais consciente aprendemos a ver mais claramente nossas reais necessidades... Na maturidade, o que pensamos que tínhamos resolvido com nossa excessiva complacência por nós ou pelos outros, ou deixando pra lá, vem nos assombrar, até que, enfim acabamos por seguir pacificados ou finalmente rendidos ao tempo.
foto e texto: Vera Alvarenga.   

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Tocar o céu com meus dedos...


  Lendo algo sobre Platão, penso que me ajudou a compreender um pouco os relacionamentos e porque insistimos, alguns de nós, em tocar o céu com os dedos...
  Com certeza não nos é permitido viver um grande amor, daqueles que nos satisfaçam plenamente, o tempo todo. Somos humanos, e neste mundo dos sentidos em que tudo se modifica,se transforma e tanto nos é exigido como se fôssemos máquinas, muito de nossas atitudes fluem ao sabor das circunstâncias e impermanências. Assim, o que nos agrada e nos lembra o amor ideal, o verdadeiro sentimento pelo qual todos ansiamos, ora está ao nosso alcance, ora já não está mais. Num relacionamento amoroso, espera-se que o casal esteja atento para cultivar as oportunidades de vivenciar estes pequenos deliciosos bocados do amor. Quando isto passa a não ocorrer mais, porque uma das pessoas se deixou engolir por uma crença qualquer que a impede disto,  instala-se a dúvida se tudo não teria passado de ilusão...
   Mas não! Quando encontramos uma pessoa pela qual nos apaixonamos e com ela convivemos, desenvolvemos um relacionamento de amor e, acredito, que de fato experimentamos muitos momentos de satisfação deste nosso desejo por este sentimento pleno. Algumas pessoas, uma vez tendo consciência de tudo que este sentimento lhes proporciona, agarram-se a esta idéia como se fosse a lembrança de algo de valor que resgataram para si e não o querem esquecer. Portanto, se lhes falta este íntimo encontro com o sentimento, sentem-se desconfortáveis, vazios, inúteis. Nos deixar preencher por ele, mesmo que por momentos, é o que nos é possível em nossa condição humana, é o  que nos basta para recarregar energia, relembrar a existência de algo bom e do bem, exercitar o melhor em nós devido a algo que talvez nossa alma já tivesse conhecimento e sentisse saudade.
   O sentimento de amar pode ser para sempre, porém o amor é vivido realmente em alguns momentos especiais. Tais momentos se dão quando as almas se encontram, apesar de estarem vivendo uma vida normal e humanamente possível. Vivenciar estes “encontros” mesmo rápidos, fugazes, com quem a gente escolheu amar, é como renovar-se e nos mantém centrados e em paz, por um tempo ainda, mesmo depois que acontece – e pode ser um olhar, um gesto, um toque. É como se nossa fé na vida e em tudo o mais também se renovasse, porque vislumbramos o significado maior das coisas. Em relacionamentos mais longos, há inúmeras oportunidades para que isto ocorra. Há inúmeras formas de se dar este encontro que propicia este pequeno milagre – é como tocar nossos dedos no céu por um instante e ver que aquilo que tínhamos em mente e no coração, não é uma idealização barata e infantil, mas um pequeno sinal de algo ainda mais belo, e durável, e maior do que nos é possível supor.
   Evidentemente, há relacionamentos que se desgastam, minam energias de um ou ambos, porque alguém ali desistiu. A desistência pode ser a desvalorização do sentimento ou ato de fé que lhe conferiria a leveza para flutuar num espaço imaterial onde a realidade do amor pode existir em toda sua extensão. Há desistência quando uma das pessoas envolvidas na relação pensa que aquilo é imaterial e simples demais para ser importante, e passa a duvidar ou menosprezar o que antes, verdadeiramente, lhe trazia conforto. Pelo descaso, estes pequenos momentos de quase pleno contato com o que satisfaz, se tornam raros. Apagam-se de sua memória pequenos atos sinceros que julga sem valor, ou pior, desdenha deles. Deixa-se envolver de tal modo pelo que é de fato ilusório e de menor valia, que se compraz com o viver na comodidade da sombra, como se na vida comum não pudesse haver lugar para o prazer e a alegria singela de tocar, com o dedo, o céu.
   Outras pessoas, por sua vez, se adaptam mas não se conformam, como se sua alma estivesse sempre ansiando por estes pequenos instantes de contato com a luz para se recarregarem de fé e vida.    
   Porque já tiveram contato com o que mais se assemelha e lhes recorda a idéia de amor verdadeiro, o qual sua alma já conheceu, sua consciência sabe que existe e seus sentidos já provaram pequenos bocados, estas são as "inconformadas". Algumas até, podem seguir dóceis pela vida ou desistir dela, ou desligarem-se em algum grau da realidade que as cerca, mas, porque não conseguem desistir ou "esquecer" totalmente aquela "idéia" carregam consigo, lá no fundo, o anseio amoroso. Para as primeiras, estas outras que se demoram em desistir, que continuam como que apaixonadas por uma idéia parecem inquietas ou difíceis de contentar porque enquanto tem força, estão em busca de algo que, conquanto seja simples, não está mais ali, embora guardem a esperança de o encontrar. E o que não está mais ali pode ser simplesmente o consentimento e comprometimento do outro - uma vez que os tivessem recebido, seria possível a ambos tocarem novamente o céu, mesmo que por valiosos e rápidos instantes. Com o tempo, em alguns casos, estas últimas sentem-se murchar. Ambas ou uma delas pode se aquietar e para sempre adormecer em si, a idéia luminosa que outrora lhe fazia brilhar o olhar.  
   Muitas vezes, a mais dominadora e rígida sobrevive com a certeza de que sabe de todas as coisas e de que, graças a seu modo realista e materialista de agir é que a verdade do mundo  se constrói. Enquanto a outra, por vezes, acaba por conformar-se com sua própria loucura causada por aquele anseio amoroso que não encontra mais eco num mundo dito real. Entretanto, quem conheceu o amor jamais o esquece! E quanto mais o sentiu maior a falta que seus sentidos terão de tudo que era um reflexo dele.  Mesmo que ambos se adaptem, porque flexíveis são os seres humanos, a alma, inconseqüente, porque é amante da vida e não tem idade, pode então desejar criar nova idéia que não a deixe esquecer como é reavivar aquele sentimento. E, por sua teimosia em conformar-se, arrisca-se a confundir-se, e tentar até, talvez um dia, tocar o que no escuro é o piscar de um vagalume, pensando tratar-se da luz que conheceu!
Texto: Vera Alvarenga
Vídeo da Música com Fábio Junior - Foi tão bom.

Cozinhando para dois...Batata no Forno...

 Mesmo quem prefere por diferentes razões, almoçar fora de casa, há algumas coisas que faço questão de ter sempre no freezer e de vez em quando na geladeira. É muito bom para quando dá aquela vontade de uma comidinha caseira, temperada como só a gente sabe fazer e acima de tudo, leve, com bom azeite... e "prática"!
  Assim, hoje, como já tinha algumas folhas lavadas e reservadas para uma salada, e algumas fatias de salame e mussarella do lanche de ontem ( podia ser presunto), resolvi fazer a minha "Batata no forno". Tudo muito rápido, prático e saborosíssimo. Anotem a receita e experimentem:
Em primeiro lugar, já sabem, é sempre mais gostoso cozinhar com um copo de vinho ao lado e música se possível...
1. Coloque 2 ovos p/cozinhar. Enquanto cozinham...
2. Coloque pouca água com pitada de sal para ferver em uma panela e descasque 3 batatas médias. Corte-as em fatias. Ao terminar, ponha na água já quase fervendo e cozinhe...
3. Quando os ovos estiverem cozidos, descasque e amasse-os com um garfo. Reserve.
4. Coloque azeite numa travessa que vá ao forno,  monte as batatas, azeitonas pretas e verdes picadas,
orégano ( não pode faltar!), 4 fatias de salame rasgadas ( se for presunto pode colocar bem mais - o salame é forte! peito de frango defumado também fica bom), os ovos amassados, salpique pouquinho sal, espalhe 2 colheres do caldo escuro que está no vidro de azeitonas pretas( dá um sabor supimpa!), cubra com 4 ou mais fatias grandes de mussarella rasgadas e junte um fio generoso de azeite de oliva.
   Leve ao forno e, enquanto está lá...
   -  na mesma panela que você cozinhou a batata, frite 4 dentes de alho em um mínimo de ÓLEO, e depois junte azeite e os legumes pré cozidos ( couve-flor, brócoles, cenouras) que estavam em seu freezer e que você tinha colocado num escorredor e jogou água fervendo por cima ( escaldou). Salpique sal e pronto!
  Amigo/a, quando você terminar de fazer os legumes e arrumar as folhas de alfaces de diferentes tipos e rúcula numa travessa, pode temperar a salada com sal, azeite, limão ( acrescentar vinagre balsâmico é opcional). E leve rapidamente à mesa, porque a BATATA NO FORNO já está pronta e os legumes alho e azeite também. Nem precisa arroz! É uma refeição leve, completa, saborosíssima e rapidíssima!

   Tem um problema!! Como eu fiz com 3 batatas médias...rs... sobrou ( como sempre) e...como você não veio almoçar conosco... eu vou ter que fazer o "sacrifício" de comer no lanche à noite e so..zi..nha... porque meu marido é muito disciplinado e só toma o lanche dele à tarde, nada de comida. Assim, hoje que eu ia tomar só aquele copo de leite batido com uma fruta, para não engordar... hehehe... Mas, puxa vida, não é todo dia e, ninguém pode dizer que apesar da batata, esta refeição está pesada, com tanta salada e legumes!
   Experimente e depois me conte!
  Agora compreendem por que não faço comida todos os dias? Eu engordaria muito, pois cozinhar e comer é algo que faço por amor ou por prazer...hehehe...
  Ah! A SOBRA?? ... para quem não vai sair da dieta à noite, no dia seguinte, amasse a batata grosseiramente com o garfo e faça uma belíssima FRITADA, com 2 ovos batidos e cheiro verde! Acrescente saladas e está aí mais uma refeição leve e rápida!

Foto e texto: Vera Alvarenga.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O tempo traz, o tempo leva tudo!

   Era uma vez uma senhora quase bem velha, que já fora uma mulher e também uma jovem e antes disto, uma dócil menina. Menina já não era há muito tempo, mas desta ainda trazia em si o olhar curioso, a esperança de que as portas do mundo lhe fossem abertas um dia, e ela pudesse, sem medo, habitar nele. Da jovem, tinha certeza, vinha o inconformismo diante dos que, em grupo e por serem iguais, julgavam tudo o que não estava estabelecido e todo aquele que não caminhasse com igual passo carregando consigo iguais medidas para medir o mundo, como algo ou alguém que devesse ser rejeitado ou desconsiderado. Desde bem cedo aprenderam, a menina e a jovem, que era perigoso perguntar ou ousar ser diferente. Caminhavam, no entanto, sem atropelos a jovem e a menina, com a convicção dos que aceitam prontamente o que estivesse estabelecido, desde que se lhes fossem dados argumentos convincentes. Mas ambas guardavam sua docilidade e com olhos de esperança e deslumbramento olhavam o mundo ingenuamente. E se tornaram mulher.
   Sua docilidade transformou-se em mansidão, e submetia-se ao seu próprio desejo de agradar a quem amasse, mas jamais deixou de ser apaixonada e de viver por convicção - convicção de que haveria um significado maior para tanta coisa sem sentido. E a mulher apesar de mansa, e meiga ou suave, e acima de tudo crédula, persistente em seu desejo de crer que o mundo podia ser uma extensão de seu quintal, também podia ser forte, e corajosa e resistente. A mulher tinha fé e cada vez mais tornou-se decidida a ser leal à sua própria crença de que os significados estavam lá, mesmo que não pudessem ser a ela claramente revelados.
   Ela resistia como guardiã, aos reveses do tempo. Um dia, veio um vento forte e mais insistente que seus próprios argumentos, e finalmente quebrou as janelas, arrancou as cortinas e abriu as portas de sua casa. Parecia-lhe que nenhum canto mais podia ficar na penumbra. O vento era constante e a luz que entrava era dura, quase cegando-lhe a visão, a poeira voltava a sujar os cantos que, por sua também persistente mansidão ela ainda arrumava caprichosamente e com gosto. Sua casa ainda era o seu lugar de aconchego e ela nunca desistia de conservá-la de modo a afastar os bichos ou sujeira que vinham pelos portões abertos do mundo. E foram assim envelhecendo, numa missão que ela pensava fosse de maior amor, embora já não cantassem mais de alegre inocência, aquelas que em si ainda eram a jovem e a menina de outrora. Ela tornou-se tristonha e cansada, sem ânimo para seus antigos ou novos projetos. Nos espelhos de sua casa, já não se reconhecia. O cansaço que tomou conta de si e não era físico, embora depois sim, deixou-a confusa. Todas elas, a menina, a jovem, a mulher e a que envelhecia estavam exaustas, exauridas de sua antiga força que antes as sustentavam a todas, numa estrutura coesa e íntegra. Ela já não era mais um todo. Estava aos pedaços. Talvez porque sua capacidade de amar tivesse sido comprovada, mas o argumento, o significado que antes a mantinham em pé, tivessem se diluído. E ela se diluía com eles. Confusa. Não havia explicação racional para o que ocorria.
  Mais uma vez o tempo trouxe o vento. E este veio do norte e, como brisa lhe refrescou a pele. Desta vez, lhe trazia o cheiro da grama e de pétalas de flores junto com as últimas folhas do outono e do inverno que findavam. A luz do sol era dourada e agradável. Tudo parecia renascer em sua alma e no seu quintal. E ela ouvia o canto de pássaros.
  A velha lembrou-se que um amigo, certa vez, dissera que o tempo leva tudo. Inconformada e sabendo que haviam coisas, como o amor que aconchegara no peito por quase toda uma vida e à toda prova, que o vento não levava, não quis aceitar.... Tal argumento era para os que não tinham, talvez, a sua persistência e a sua fé. Foi o que ela pensou naquele momento em que, ao mesmo tempo que tinha total conhecimento do amor maduro comprovado e já indelevelmente marcado em seu coração, tinha também e ao mesmo tempo o desejo de realização de si mesma e de um sonho que agora, era o seu. E esta realização,desta vez, não viria principalmente através do amor que era capaz de dentro de si mesma para um outro e para sustentá-la, mas viria também, como um presente e surpresa já não esperada, de fora, de um outro para si. Era como se a Primavera que se atrasara, tivesse chegado enfim, com aquele vento brando à sua janela. A Primavera estendia-lhe os braços ofertando-lhe o mais belo ramalhete de coloridas e perfumadas flores. Devia ser um milagre! E seriam bem vindos, este e a Primavera, mesmo fora do tempo.
   Ah, o tempo! Mas o tempo leva tudo! E a senhora, a desta história, enfim envelheceu levando consigo o amor dentro do peito, aquele que foi o argumento que a sustentou por tanto tempo e, ao lado deste, agora, o sonho, aquele que tinha parecido trazer em si finalmente, toda a possibilidade, todo o significado....
 foto e texto: Vera Alvarenga
          

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Fazendo um Borboletário...

 Às vezes penso que tenho um parafuso a menos.
Talvez este pouco de loucura, constante deslumbramento, é o que me salva da sensação de tédio da qual muito ouço falar, e/ou da minha própria sensibilidade que me traz por vezes, outra sensação - a de inadequação minha, ou de inconformismo perante algumas coisas.
   Mas enfim, como se não tivesse nada mais importante a fazer, lá estava eu, desde domingo, envolvida com "o fazer"  um BORBOLETÁRIO para os netinhos. O último que fiz foi para meus filhos, há muito e muito tempo.
Mas quem mandou aquela lagarta atravessar bem no meu caminho?
Assim, ao sair para a caminhada domingo, já catei uma caixa deixada na calçada por um bebedor de vinho( uma de minhas bebidas prediletas), já comprei um vasinho de mini palmeirinha ( alimento predileto das lagartas) e comecei a instalar (furar) ar condicionado na casa das Borboletas. Depois, foi só encontrar tinta que não tivesse endurecida por falta de uso, recortar as janelas, esperar 2ª feira para comprar a "transparência" que tamparia aberturas. Recortar algumas figuras de borboletas, foi fácil.
Difícil mesmo foi encontrar as taturanas, e saí à caça. Até o zelador do prédio se entusiasmou e encontrou uma ( afinal é Primavera!). O marido outra. Ao todo, 2 casulos prontos e 3 lagartas. Daria pro gasto.
Na hora de levar à casa dos netos, para surpresa minha, uma das lagartas havia desaparecido! Só restara a cabeça. Acabara de transformar-se em casulo, liso, brilhante, lindo. Foi muito rápido! Quando olhei, uma das pontas ainda se movia. Simples e incrível a natureza. Confesso que me divirto e sinto um prazer singelo mas consistente, com estas minhas pequenas loucuras. Elas me lembram que o milagre da vida é muito mais significante do que muitas vezes, parece que é. E lá fui eu. Começo da noite. Uma preguiça só, mas não podia deixar de levar pra eles. Meia hora depois, cheguei. Expliquei a tal "Experiência Científica de Observação" na qual eles teriam a oportunidade de ver as lagartas rastejantes transformarem-se em seres alados maravilhosos e também aprender a ter paciência pois, não se pode ajudar borboletas a saírem do casulo, sob pena de matá-las. É preciso respeitar o tempo de cada ser.
E então, voltei para casa. Pronto, estava terminado. Se o gato não empurrar a caixa para o chão, talvez eles possam ver um dos milagres da Natureza ocorrer em frente a seus olhos.
E, apesar de toda a ciência, internet, comunicação rápida e tecnologia, as borboletas ainda nascem dos casulos, da mesma forma que há muitos anos atrás.... o que nos lembra que a vida naturalmente bela e significativa tem um ritmo próprio, não este que a loucura massificante nos quer impor.

Texto e fotos: Vera Alvarenga.

  

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Precisei do Convênio Saúde hoje!!

" Me pelo de medo quando preciso ir a um Hospital" ...claro, não é um parque de diversões e quando lá vamos levar um familiar para ser atendido, ainda mais para o que tudo indica ser uma emergência,estamos apreensivos e gostaríamos de um atendimento melhor e mais rápido possível.
   Eu nem ia escrever aqui, por estar tão cansada, mas resolvi dar este depoimento. 
  Há 2 dias que meu marido não estava bem. Os sintomas que poderiam parecer um início de gripe ou um alimento que não lhe caiu devidamente, depois de 2 dias demonstraram não ser nada disto. Foram 2 dias de vômitos, excessiva fraqueza, palidez, aquele olhar de cachorro sem dono, necessidade de dormir, desconforto no estômago, extremidades muito frias e... ai,ai,ai...ele me disse: - "uma sensação aqui" (pondo a mão no peito).
Após a teimosia dele não querendo ir ao hospital, precisei dizer-lhe:
- Precisamos ver isto, meu bem, pode ser um ameaço de infarto, sem dor. Eles vão fazer os exames e medicá-lo a tempo de prevenir contra qualquer outro mal maior.Logo estaremos de volta. Ao que ele respondeu:
- NÃO É NO PEITO!! é... é... no esôfago! ( a gente conhece esta reação de quem não quer entregar os pontos e, vamos e venhamos, quem já tem 5 pontes no coração, como ele, e foi levado para o hospital sem dor naquele dia em que já ficou internado para a cirurgia de alto risco, tem todos os motivos para não querer pensar no pior.  O problema é que EU SEI, que infartos podem ocorrer sem dor e, prevenção e cuidar dos que a gente ama, é reação natural. Assim, com jeito insisti e tinha jurado que hoje iria levá-lo, à força, se preciso. Mas não precisou- ele não estava mesmo bem e resolveu ir.
   Agora é que vem a história - Chegamos na sala de Triagem às 12:22 HS. e ele foi chamado para a "consulta de emergência prioridade 2", duas horas depois -14:20hs.
   O convênio médico da UNIMED, que meu filho paga para nós ( e não é pouco) pelo livro de atendimentos da UNIMED nos possibilita sermos atendidos no Hospital Santa Paula. Contudo, a ficha dele demorou muito para ser aprovada porque eles precisavam pedir autorização na UNIMED. E o mesmo vi acontecer com outra senhora bem idosa que lá estava. 
  Depois que meu marido foi para o atendimento, este foi irrepreensível, 2 enfermeiros gentis fazendo eletro e aplicando soro, o médico diagnosticando " estar meu marido desidratado" e "um mal estar talvez por alguma coisa que comeu". Só isto, graças a Deus então, desta vez me enganei! e, com um eletro que não indicava problemas.
   Para terminar, quero comentar que penso que a administração inapropriada de recursos parece ser uma doença que espalhou-se como epidemia, como eu sempre digo, com muitos agindo assim sem punição. Convênios de Saúde são caros mas são NECESSÁRIOS! Ainda bem que existem,mas deviam nos atender melhor! Um hospital, eu bem sei ( já trabalhei num deles, há muitos e muitos anos atrás), NÃO PODE atender a todos, sem a garantia dos CONVÊNIOS! E são os convênios que nos vendem as promessas e garantem atendimento na rede de saúde que escolhemos. O atendimento do SUS, é pior, com hospitais e aparelhos QUEBRADOS, precisando de reforma ( não me digam que é melhor!). Enfim, algo deve ser mudado com relação a este atendimento tão falho na saúde tanto do município, quanto do Estado, quanto dos Convênios!
   Estou feliz por meu marido não estar enfartado! por estarmos aqui em casa novamente depois de 4 hs. de hospital. Estamos aqui, vamos descansar e amanhã, do nosso "ninho" aqui no puleiro ...rs... veremos os pássaros virem tomar o café no nosso terraço.
foto e texto: Vera Alvarenga
 

sábado, 8 de setembro de 2012

Pode me informar, quem pintou isto?

  Às vezes ainda me surpreendo pensando se Deus brinca com a gente... ou quem sabe na sua onipresença e grandiosidade seria impessoal, não nos ouve, seríamos infantis em pensar o contrário... Talvez, a culpa seja mesmo da gente - tudo acontece porque a gente reza, pede, ora e, de repente, começa a ver coisas, e pensa que foi Ele que nos enviou o que pedimos, e então... Bem, algumas vezes dá certo, outras não! E outras ainda, a gente chega a vislumbrar, e sente tão de perto como se experimentasse uma lambida de um sorvete em dia de secura, calor e sede, para depois ver que alguém passou tão rápido e levou a delícia embora, deixando a gente ali, com "cara de tacho". E tudo que parecia que ia mudar, agora parece que permaneceu no mesmo( mas nunca é o mesmo). Seria o Tempo, este que nos roubou o que era quase como uma promessa a se realizar? E se não era, por que veio? Passam no nosso nariz, quando já não esperamos,tantas coisas que parecem sinais de que tudo vai mudar para melhor e depois... Seríamos nós os eternos atrapalhados?
   Não sei responder. E seguimos tentando acertar o passo. E quando estamos assim, começando a girar em volta da mesma dúvida, a respeito de Deus, ou dos homens... ou pelo menos quando eu estou assim, com pena de não ter tido asas para voar para um mundo novo, sem guerras, sem pequenas e constantes traições, com mais amor e lealdade, sensibilidade e reconhecimento, me sinto meio perdida na minha ignorância, como se soubesse que por causa dela me escapa um segredo...então recolho asas imaginárias e começo a olhar atentamente para os detalhes do que exista ali ao meu redor, aos meus pés, ou logo acima da cabeça, ou ao alcance da mão. Procuro ali ( como quem busca um sinal ou a mão Dele) pela beleza e a ela me agarro se a encontrar... 
   ...E a encontro... por vezes, me surpreendo porque ela está ali, mas não é aquela óbvia, é outra, uma beleza delicada, sutil, dentro da outra que se vê mais facilmente. Um sinal. E este pelo menos tenho certeza, de que me conta da existência Dele, porque, sem sombra de dúvida, quem poderia criar deste modo, colocando o belo onde não esperamos, ou ainda ao alcance de nossos sentidos? Só pra não deixar morrer a nossa fé, a esperança....
Foto e texto: Vera Alvarenga
Música Amelinha - do youtube

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Nada importante a fazer a não ser...

 Ontem soube que meu sobrinho que pensei já estivesse em casa há muito tempo, após uma cirurgia complicada, ainda está no Hospital! Evidentemente com coragem diante do que não podemos controlar, e com fé, ele e esposa enfrentam os desafios que a vida lhes traz.
  Eu, com este meu jeito introspectivo e às vezes. medroso de ser ( tenho medo de perder o amor ao qual possa me dedicar, e tenho medo de problemas de saúde que nos levem a hospital) acabo por ficar quietinha no meu canto, pensando que não tenho nada verdadeiramente importante para fazer a fim de mudar as coisas para melhor. Então, oro, e penso em coisas boas que posso "enviar" como energia aos que estão distantes e procuro agir no que está no meu limite próximo. Contudo, às vezes a gente nem percebe mas vai se encolhendo, só porque não vê os resultados imediatos de nossas ações, ou porque as coisas não ocorrem como gostaríamos.
   Sim, eles sabem! Sabem que há momentos em que nos sentimos pequenos e pensamos que nada mais há a fazer a não ser... pois são nestes momentos em que pensamos que nada importante podemos fazer é que está acontecendo o que realmente é relevante!!
 E então, na minha vida é assim também, acontecem fatos que me lembram que estou me acomodando ou desistindo desta minha crença no amor ( mesmo que seja o crer no amor e amar da minha forma de amar!).
 E hoje pela manhã, antes de ir ao oftalmo saber o resultado de uns exames( que foram bons, por sinal!), pedi a Deus por meu sobrinho e esposa, e por mim, que afastasse meus medos, que me permitisse livrar-me do sentimento de "não ser o bastante" e da recente mania de racionalizar mais do que realmente viver com simplicidade as coisas que posso viver. Antes eu fazia isto e agora parece que andei me esquecendo de como fazê-lo - viver o que é possível como se fosse um presente que mereço (já que as dificuldades, como sempre digo, a gente tem mesmo de enfrentar quando surgem). Logo depois, pensando que gostaria de ter algo importante para escrever como mensagem ao sobrinho, abri uma página de um livro desejando que a mensagem fosse inspiradora. É um livro psicografado de Teresa de Calcutá. O que estava escrito, evidentemente, serviu pra mim e espero que anime os dois em sua fé e no momento que estão atravessando, ali juntos há semanas, sem ter nada mais importante a fazer do que viver seu amor, aprender a descobrir o quanto são boas as pequenas bençãos que vem a cada dia, a ter paciência, coragem, humildade e a não esmorecer... Nada a realizar para o mundo(aparentemente, porque o exemplo deles pode inspirar outros) , muito a realizar por sua própria evolução... 
E no livro ela diz : "- Na verdade, passo a passo descobri que o medo cedia à medida que eu caminhava; que a coragem crescia na proporção do amor e da fé dedicados ao pouco que eu realizava. Descobri em mim uma força que em momento algum supus deter. Percebi que estava a meu alcance amar intensamente, tão intensamente quanto possível, apesar de não poder fazer coisas grandiosas. Logo canalizei minhas certezas,minha esperança e minha coragem para a força do amor...."  Cada um pode usar estas palavras como inspiração para sua vida e em sua maneira de ser...

Fotos e texto: Vera Alvarenga

Texto entre aspas/ grifado: retirado do livro A força Eterna do Amor - Robson Pinheiro

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