domingo, 11 de maio de 2014

O meu Dia das Mães.


 Meu dia das Mães foi maravilhoso!
 Lembrei de você mãe, como lembro em muitos outros dias e tive vontade de tomar um cafezinho daqueles que tomava em sua casa, quando conversávamos então sobre algumas coisas e depois eu voltava para meus afazeres e filhos.

 Você ia ficar orgulhosa de seus netos, mãe!
  E de suas noras! E de seus bisnetos!


Eu bem queria que você estivesse aqui hoje participando de meu dia.
Tive um dia maravilhoso! Um almoço delicioso feito com amor pelo Robson, as palavras generosas ditas por amor pelo Rodrigo que mora em outro Estado, e o Roberto que está num outro país, eu também tenho certeza que me traz sempre em seu coração! Tomara que você tenha se sentido abençoada por seus filhos como eu me sinto por ter os meus em minha vida!
 Sou grata a Deus pelos filhos que tive, 3 filhos homens,que trouxeram tanta mudança, aprendizado e amor para minha vida. Filhos são bençãos, e os netos...rs....ah! são um presente que nos dá a oportunidade e a delícia de revivermos os bons momentos em seus sorrisos. Tenho sorte de ter noras também que trouxeram para minha vida uma outra visão sobre as coisas. Acima de tudo olhar para elas com generosidade e o desejo de me aproximar com sinceridade, confiar nelas e acompanhar alguns de seus passos sob o ponto de vista do feminino, da coragem que demonstram e também da maternidade ( no caso de 2 delas), me deu a oportunidade de olhar para mim mesma e relembrar o que eu fui. E assim, aprender a olhar com um olhar mais amoroso não só para os homens da minha vida, mas para as mulheres também. Isto me deu ainda mais a certeza de que homens e mulheres quando pretendem se amar, devem procurar se completar, reconhecendo um no outro as virtudes que tem usando-as em benefício de um relacionamento fértil de amor e alegria.
  E me deu a certeza de que, enquanto mães, temos de ter pulso forte muitas vezes sim, mas jamais economizar os gestos amorosos, porque tudo vale a pena!
fotos e texto: Vera Alvarenga

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Em pele de lobas.....


 Não importa como sejamos, baixas ou altas, aparência forte ou frágil, recém chegadas à fase adulta ou ainda mais velhas e é evidente que a experiência solidifica um pouco mais o fato, mas por assim dizer, em todas nós há uma "loba"...
   Que caminha e enxerga no escuro, que tem faro para encontrar e descobrir as coisas antes mesmo de ser apenas surpreendida por elas, que age por instinto e pelo coração mas que desta vez permanece em foco quando é necessário para defender a matilha, o que e quem amamos, inclusive um outro membro do grupo a quem antes aceitamos como um de nós.
   E por vezes é por instinto de preservar estes que são "nossos" que somos capazes de nos tornar fortes, vencer distâncias em segundos e saltar quando necessário para ficar à frente. Evidentemente estou comparando com o instinto das lobas, esta força que vem de nosso interior, colocada lá, penso eu, por Deus, à nossa disposição para dela fazermos uso quando necessário. Dizem que é mesmo por amor ou paixão que conseguimos nos flexibilizar para agir nem sempre apenas dentro dos padrões confortáveis do que estamos acostumadas, mas por um objetivo maior do que nosso conforto.
   Em algumas ocasiões, nós mulheres enquanto lobas reconhecemos outras e com elas vamos a um passeio pela mata, ou lambemos uma igual que está ferida, ou trocamos sabedorias ou apenas caminhamos juntas para não nos esquecer que temos esta força em nós. É quando a vida nos ensina também através dos nossos limites a ser compassivas e que, ter auto estima é importante para passarmos confiança à matilha e para a própria sobrevivência.
   Por vezes ouvimos o rosnar de alguma loba... o rosnar rouco e tão próximo vem daquela que se postou à frente de algo em atitude de defesa ou ataque se preciso e, de repente de entre os dentes dela caem umas gotas da saliva e enquanto a gente ouve o som percebe que as gotas molham nossa própria boca.... que são nossos os pelos da nuca arrepiados e que desta vez, somos nós que estamos ali ...

Foto retirada do Google images
Texto:Vera Alvarenga

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Conversa entre duas amigas inseparáveis...

 - Como foi seu dia hoje?
- Ãhn? ah, é você? Bem, teve uma parte dificil, quando tive de explicar tres vezes porque precisava levá-lo ao médico, e depois quando precisei explicar que não era longe mas estávamos quase atrasados, e ainda quando tive de dizer mais tres vezes onde era o lugar apesar dele me dizer que eu não queria dizer o endereço a cada vez que me perguntava. E quando tive de vestir a pele de loba, rosnar, mostrar-me forte ao invés de companheira amigável e dizer que ele devia parar de me ameaçar descer do taxi no meio do caminho porque precisávamos da orientação do médico.
- E aí, deu certo?
- Parece que sim, mas é uma pena... ao enfrentá-lo tantas vezes, minha mão vai ficando forte e peluda eu acho...vai perdendo o toque macio que queria continuar a ter... e preciso ser maior que a teimosia dele e preciso ser grande, maior do que sou! Nunca me senti bem nesta pele de loba, a não ser, é claro, quando precisava defender algum dos meninos numa situação necessária onde achasse que eles por si mesmos não teriam condições de fazê-lo. Mas você me conhece, eu não precisava ser agressiva, só forte ou corajosa, e só. Agora preciso ser brava!
- Já pensou que pode ser a mesma situação agora?
- Já! E por isto era tão importante a consulta. Contudo tenho medo de não reconhecer o limite que separa o que já era natural dele, do que agora é uma exacerbação, um sintoma. Isto me deixa sem energia, mas depois quando tudo volta ao normal, fico orgulhosa de mim por ter vestido minha pele de...
- E agora, como está?
- Com esperança visto que conversei com o médico e ele compreendeu que os assim chamados sintomas já estavam acontecendo antes de...
- E o dr. disse o que?
- Deu uma receita para evitar maiores problemas, talvez algo que o ajude a relaxar um pouco, espero. É preciso agora ver se consigo fazer o que o médico pediu: que é dar-lhe o remédio. Você o conhece. Ele disse ao médico que não precisa de nada, que tem a saúde perfeita...Bem, fora isto, e descontando as discussões por bobagens, em casa tudo acaba ficando em paz. Você sabe como adoro meu cantinho!.......
- ........... Hei, não ouviu o que eu disse? estou falando sozinha aqui? estava pensando em que?
- Ah! é que estou cansada de lembrar destas infindáveis discussões e então me desliguei... estava imaginando quando dei a mão a ele, e me senti bem, pequena, amada, feminina.
- Huummm... quando deu aquela mesma mão peluda?
- Peluda?? Não! Quando minha pele era tão macia que eu podia sentir a pulsação dele. E saímos juntos a caminhar e eu sorria, ele também... a gente teria um mundo a ver juntos... E eu me sentia leve sem o peso da pele de ...
- Ué...??? É do mesmo homem ou momento que estamos falando?
- Ah... bem, era só um sonho que tenho, às vezes, de uns tempos para cá.
- Tem nome?
-Não, não tem nome, nem mais palavras, nem sorrisos, nem concretude, nem cheiro, nem pele, nem nada mais... apenas um sonho que me vem visitar quando preciso sorrir e descansar meu coração. Um sonho que ainda tem rosto mas que o tempo vai certamente apagar. E assim, ele nunca mais me deixará sozinha, e seremos amigos mesmo que não estejamos juntos todos os dias, e saberei que não preciso lhe pedir que venha, mesmo porque, se precisasse pedir seria sinal de que ele não compreendia o bem que sua presença me fazia. Deste modo, quando nada mais sobrar ainda será apenas um sonho, mas que me tocará vindo lá do meu coração quando eu precisar sorrir tranquilamente e com bom humor para a vida...é como se, além do presente...ainda houvesse um futuro onde um dia aconteceriam tais momentos não só de serena alegria, mas de alegria certamente e esta nos traria a tal "leveza do ser"...
- Bem, talvez este homem do sonho tenha se transformado num lobo, mas nem quero perder meu tempo com estas conjecturas "hilárias", palavra que você iria ouvir do homem objetivo e realista que escutasse sua história, minha cara... O que lhe quero lembrar, de fato e mais uma vez, é que você sabe que a única coisa que temos é o presente, sua tola!
- Eu sei!...rs... mas se não fossem os vislumbres, os flashes, os insigts, as visões de bons momentos, as boas lembranças que queremos de vez em quando resgatar, os filmes românticos onde tudo acaba dando certo, a fé no Deus que nunca vimos, as imagens do belo que existe no mundo e nos gestos de amor e companheirismo, a crença nos princípios, a recordação dos melhores sonhos que quase realizamos...estaríamos todos afundados numa depressão dificil de se conseguir sair, não acha, ( com o perdão da palavra...) sua velha rabugenta? ...kkkk.... Vem, vamos tomar um chá, sem o vinho porque hoje estou com uma gripe danada! Vem! Hum..você está cheirando a pêlo molhado...rs... Sabe o que acabo de perceber? Que quando penso que estou cansada, acabada, lá me vem você e... no final das contas acabo constatando que serei sempre a mais jovem entre nós, pois não sou eu a que ainda sonha?


quarta-feira, 26 de março de 2014

Ah! a minha nuvem negra...

Foto
No Face hoje alguém colocou esta imagem e eu logo pensei:
Quem acumula inveja,preconceito ou raiva também...olha só a tal nuvenzinha que eu contava para os meus meninos que a gente atraía quando ficava nutrindo pensamentos ruins ou julgando os outros...olha só...kkk.
 Lá em casa a gente era tranquilo mas tinha de ter bom humor com a própria vida e deixar a vida dos outros em paz...é sim...ainda creio nisso..rs...
    Tanto tempo passou e esta nuvenzinha ainda existe! Olha só! e pode ser a escolha consciente ou não de cada um. Que raios ou trovões venham junto com uma nuvem de raiva que a gente não queria ter ou não sabia que estava lá porque tentava esconder da gente mesmo, ou simplesmente porque não tem afinidade com este sentimento, vá lá. A gente às vezes demora quase uma vida inteira para entrar em contato com esta emoção, e na verdade não é apenas ou unicamente por "negação" como diriam os psicólogos de plantão, mas porque realmente não tem muito a ver com tal emoção e não quis ficar ali dando brilho, curtindo e polindo, fazendo frutificar ou se espalhar feito bolor. Algumas pessoas são um tanto desligadas de certos detalhes e, a raiva requer uma especial atenção a eles, uma vontade forte para julgar e firmeza para chegar a um veredito. Além de memória, é claro! Daquele tipo de memória "que não esquece"! Eu certamente sou muito desligada de algumas coisas e raiva nunca foi uma emoção motivadora ou objeto de importância que me desse o trabalho de trancafiar lá no sótão.
   Que sapos e lagartos saiam de nossa boca de vez em quando, ou do sótão quando fazemos uma limpeza por lá, tudo bem. Porque em todas as casas há um sótão, ou porão. Eu prefiro sotão, dá uma sensação de estar a um nível mais acima da umidade excessiva do porão, mas de qualquer modo, um deles está lá em nossa casa. É onde guardamos as antiguidades, relíquias e os "escondidos". As fotografias, os porta retratos vazios ou com fotos amareladas, quando não rasgadas pela metade, como se pudéssemos tirar de nossas vidas a lembrança de alguém, só porque rasgamos a foto. Aliás, este tipo de foto, na verdade, nem as tenho! Contudo, já presenciei pessoas que tentavam matar pessoas, rasgando fotos. É uma dor muito grande que as consome.
   Inveja...ah! a inveja... quantas vezes desejei algo que não tinha e por isto senti minha felicidade abalada?
   Pelo que me lembre, só depois de velha isto me aconteceu. E não foi nunca por inveja de alguém que tivesse o que eu não tinha, mas unicamente quando desejei ter o que havia nos meus próprios sonhos. E um sonho tardio pode ser tão inoportuno quanto inesperado, mas ao mesmo tempo pode ser o que nos salva da nossa nuvem particular de mágoa e tristeza, que poderia sugar nossa energia como a parasita suga a seiva de uma árvore madura até secá-la de vez. A menos que possa considerar que invejo meus próprios sonhos, não sofro da inveja.     Contudo a raiva, aquela que não guardava no sótão mas chegou como uma nuvem trazida pelo vento que varreu o pó e deixou as superfícies mais reconhecíveis, a raiva que caiu feito tempestade e lavou a alma que não compreendia mais nada e pensava estar perdendo o laço que a ligava à razão, a raiva que nos faz agir e tirar o que amamos do caminho do tornado e nos colocar em lugar mais seguro, esta sim eu senti. Como se sente a chuva... E depois a nuvem se desfez... penso que quase totalmente.
   Assim, resta-me lidar com aquela nuvenzinha que teima em vir de vez em quando para cima de minha cabeça e quer tirar minha atenção das coisas que amo. Uma nuvenzinha acinzentada e sombria com a qual eu até já me acostumei a conviver, já conheço seus sinais e sei para ela um bom antídoto. Ela se enfraquece toda vez que consigo obter, de meu sonho, um tequinho de realidade, toda vez que meu sonho me toca se transmutando em um gesto real, toda vez que me lembro que foi através de um sonho, mesmo tardio, que eu vi que minha nuvenzinha de mágoa tem de ser colocada no seu lugar, e lá é infinitamente menor que eu, menor que minha capacidade de amar e que, portanto jamais irá me engolir.... se eu não permitir. 
Foto retirada do Facebook
texto: Vera Alvarenga

terça-feira, 11 de março de 2014

Quem não bebeu desta água ?


Quando a gente já viveu alguns anos, muitas experiências, criou filhos, andou por muitos caminhos, carregou muitas mudanças nas costas e tantas vezes que chegou a pensar que até ficou lá nos ombros, afinal de contas, um caracol feito ninho portátil...
Quando a gente já teve muito medo, mas mesmo assim continuou, e andou, e andou, pensando estar quase sozinho só para então lembrar que o mundo tem muito mais gente como nós, e que mais além há muito mais do que nosso próprio umbigo, mas mesmo assim, ainda teve coragem de assumir a própria fraqueza, penalizar-se das próprias mazelas e rir-se de nós mesmos no final...
Quando a gente já perdeu um amigo e pessoas que amava, e sonhos, e já sentiu saudades, e já lutou por princípios, e já lutou para conquistar bens não só por nós, mas também...
Claro que a gente sabe que não é perfeito!!

  Mas...chega mais perto...quero lhe perguntar uma coisa... - Sabe aquele momento na vida, não importa onde estejamos ou com que idade e é sempre depois que amadureceu,em que a gente mesmo com toda a tal experiência, começa a ver o mundo com outros olhos, e mesmo estando cansado tem a incrível idéia de recomeçar? E então começa a sonhar de olhos abertos, mas pensamos que desta vez muito realísticamente porque afinal, já somos maduros, e sente que mesmo não sendo perfeitos ao encontrar a pessoa certa a gente até pode vir a ser? Tudo porque parecemos encontrar, ou talvez reencontrar, a pessoa que nos permite ser, e por consequência nos inspira a ser o melhor da gente mesmo, e retribui o que sentimos, aquela pessoa que desejamos tocar, com quem desejamos conversar, namorar, beijar, fazer e viver o amor de tantas maneiras quantas ainda nos for possível ...
  Ah! então é porque o amor voltou a nos tocar. E mesmo silencioso, não se sabe por que porta entrou, dá um tapinha nos nossos ombros já meio caídos, pega a nossa mão e com um sorriso deliciosamente sedutor nos diz:
- Nossa! Em que mundo você estava vivendo que não me percebeu?! Como resistiu? Vem!
E aí, não importa se ele nos apresenta suas credenciais ou se nos prova ser confiável, se a gente pode ter certeza de que realmente não é uma ilusão... mesmo com todo cuidado, é muito dificil  não lhe darmos a mão e não sairmos com ele por aí, nos sentindo leves e ridículos como adolescentes apaixonados pela vida!
Porque afinal... ele só veio atender ao chamado do fundo da nossa alma que ansiava por amar de novo!

foto e texto: Vera Alvarenga.  

domingo, 9 de março de 2014

sexta-feira, 7 de março de 2014

O silêncio...





Há uma coisa que existe que, quando a gente pensa nela, já não é.Não que não existam outras assim mas me refiro a algo realmente raro.
- Penso, logo existo! Ah! Mas para esta coisa, o pensamento é como intruso que vem às escondidas tirar-lhe a vida. Rubem Braga escreveu que no silêncio vive a última palavra ou o último gesto. Fiquei encantada quando li isto.
   Há o silêncio no mundo que nos cerca e que às vezes emudece, e o silêncio que está entre nós nos envolvendo ou nos separando, mas também há aquele particular que se esconde no interior de cada um. Penso que no silêncio, que era ao qual me referia desde o início, naquele que eu posso chamar de "meu" porque a ninguém mais pertence e dele posso fazer o que quero, habitam também sentimentos mais antigos impressos como tatuagem, que vem inesperados como pássaros em revoada ou como água do mar quando enche o buraco que uma criança cavou na areia. Quando a gente olha para ele é como se visse, num dia de sol, o brilho daquele anel antes de cair no mar, ou como o desejo de sentir o abraço do homem amado durante um sonho numa noite fria. A visão dura apenas um segundo... se a gente estende os braços, já não está mais lá.
   Em alguns momentos ele vale ouro, em outros incomoda ou é melancólico.
   Nos meus momentos de silêncio, já viveram gestos de amor, pela lembrança daquele sentimento vivido tantas e tantas vezes. Em alguns outros, a saudade veio doida como jamais tinha sentido antes, talvez porque jamais tenha tido antes uma visão como aquela. Talvez porque no silêncio viva o último sonho, precisei deixar o barulho de mil palavras e dos ventos e também dos gestos passarem sobre mim, como se eu fosse deserto varrido por tempestade de areia. Tudo para cobrir em mim aqueles sinais, que como cicatriz ardia ao sol  mas se acalma quando protegida, ainda que sempre esteja lá.
  Nos momentos do silêncio do mundo, sentia saudades do que ficou de você, em mim. Já nem sei se é você que ainda está lá, se o que há de você é mais meu que seu, mas ainda sinto saudades.
   E houve alguns raros instantes do silêncio ao qual eu mesma me entreguei, pelo qual me deixei absorver em meio a natureza ou pela meditação, nos quais, surpreendentemente experimentei paz... e nela, eu nada mais precisava, a não ser me deixar ficar ali sentindo aquela presença. E assim como o silêncio, também esta paz a mente não conseguia compreender, e o tempo desta indescritível visão durou apenas um piscar de olhos, como quando a gente vê o brilho do sol refletido naquela pequenina onda no meio do imenso oceano...

foto e texto:Vera Alvarenga

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Minha idade...



Deparei-me, como tu, nesta condição - minha idade também não é agora!
Minha idade é a do espanto e medo diante de um mundo tão grande que estava além dos portões da segurança de minha casa e eu entrava nele sozinha, aos poucos, levando uma lancheira que era uma malinha de couro, quase 1/3 do meu tamanho. Lembro-me das perguntas sem resposta, dos silêncios em oposição à minha mente curiosa mas que se acalmava porém, pois ao futuro cabia encontrar as respostas, e naquele presente me cabia apenas sentir-me livre para imaginar. Esta curiosidade, carrego ainda comigo.
  Minha memória me leva pelas águas de um rio calmo ao tempo em que finalmente conheci o amor e este me levou ao oceano e a mares distantes, a enfrentar tempestades e calmarias conforme a maré, e percebi que jamais teria de imaginar coisas porque meu mundo e minha vida estavam ali, vibrantes, e minha determinação era a de viver a vida como ela se apresentasse. E amando, o medo do mundo foi embora.      Mas minha idade está também naqueles dias em que o medo voltou, ainda que não temesse por mim mas por eles, os filhos,que me ensinaram a ser mais corajosa, pois que o amor por eles forjava em mim o desejo de cuidar e proteger. E quando cresceram, recebi de cada um palavras que não esperava, mas me caíram como um abraço de veludo.
  Minha idade ficou naqueles dias em que, já quase velha, pude ser por muito pouco tempo a cuidadora de minha mãe e desejei a vivência de um amor à toda prova. E pude sentir, até mais que compreender, aquela que foi a mãe. A idade que tenho agora foi marcada também nas vezes que pensei que ia perder para sempre o amor da minha vida, e quando me perdi de mim mesma. Sim, minha idade me faz viajar pelos momentos em que tive medo, porque jamais existi sem ele, e a cada vez tinha de superá-lo.
  Há um momento de minha vida, oportunidade que me foi oferecida, que me chegou como um presente de Deus. E eu o aceitei e o abri docemente e grata - era um outro tipo de amor - foi quando pude sentir as mãozinhas de pequeninas crianças amadas, os netos,em meu rosto e, através de seu sorriso viajar no tempo, e mergulhar num sentimento de ternura que nunca tinha sido jamais esquecido. Minha idade traz este sorriso indelevelmente marcado na minha alma. Junto com ele a experiência de amar outra mulher, e depois outras, e através deste amor, resgatar o amor por mim.
   E quando eu já estava ficando velha de fato, como mostram as marcas de minha idade, e pensava que não era mais capaz de sentir o amor pela vida, esta me levou por caminhos onde me julguei perdida. E, porque o amor renasceu em meu coração da forma mais inesperada, e o medo e o desejo me queimaram igualmente por dentro, como se fossem vida ainda vivendo em mim, como brilho de sol que entra pela floresta e deixa ver um pedacinho de uma fonte de água límpida, apenas para lembrar-me que ainda estou viva...naquele momento, bem ali, está a minha idade. E até mesmo quando percebi que a fonte era uma ilusão que imaginei e o barulho da água não lavou minha alma, é lá que minha idade ficou.
  Não sou a mulher de agora, nem sou apenas minha idade em meu rosto.
  Minha idade está no assombramento perpétuo diante da vida, no medo que era receio mas não me congelou, e nos momentos mais fortes em que eu pude, nitidamente conhecer o amor... ou sonhar com ele.

Texto:Vera Alvarenga
música do youtube - Enya-"A day without rain" 

I'm Your Angel (Tradução) Celine Dion - Mayrinha

Teu Sonho Não Acabou - Taiguara - Melhor Qualidade

Ainda tenho tempo...

 
 Não adianta a gente querer explicar porque se apaixonou...nem porque ainda ama apesar de tudo, ou mesmo porque de vez em quando desejaria não amar só pra não sofrer decepções.
 O amor é um desejo antigo, superior até mesmo àquela atração que a gente sente de início e nos arrebata. Amar é uma atitude que demonstra aquilo que temos como semente em nós e está ali para florescer, apesar das frustrações, ou do tempo, ou mesmo da ausência.
 Se Deus é amor, e está em nós, o desejo de sentir amor é como o de reencontrar com Ele, de alguma forma. É como se tivéssemos nostalgia de um sentimento tão puro e bom que um dia conhecemos e nos preenche.
  Hoje acordei pensando ... Deus quer que o amemos acima de todas as coisas, mas talvez não acima das pessoas pois que é através delas também que podemos amar a Deus, e conhecer um pouco do seu amor. Se desenvolvermos nossa capacidade de amar então, estaremos nos aproximando dele.
  Mas também penso que sorte temos por estarmos aqui a pensar sobre estas coisas... e me lembro das paisagens destruídas pelas guerras de todos os tipos, pelas vidas ceifadas por falta de amor, pelas pessoas que vivem numa realidade tão difícil na qual não escolheram viver, pelos que viram seus filhos morrerem como plantas cortadas antes de dar frutos... As guerras não afetam diretamente a minha pequena vidinha individual, embora me tragam um desconforto na alma, mas a falta de amor, seja como for, afeta a todos nós.
- Ah meu Deus! que estejas aí com seus braços de amor para todos nós, quer tenhamos a oportunidade de amar quer não, porque, na verdade, todos ansiamos por um Amor maior. Que venha então de ti ! Que seu amor seja mais belo que tudo o que podemos nomear como beleza no mundo que conhecemos. Que seja mais confortável do que o paraíso para receber aqueles que amamos... do contrário, a quem os entregaríamos, e para onde iríamos nós no fim do caminho?
 Mas ainda não é o fim do "meu" caminho... e ainda tenho tempo para amar sua criação...

Fotos e texto:Vera Alvarenga 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Até que ponto podemos ir?

Sabe de uma coisa? Por mais delicada ou elegante que eu possa ser, as vezes fico P... da vida!!

Meu marido acaba de receber alta depois de uma semana quase no hospital e na UTI. Teve um AVC !
Saímos para caminhar até o Supermercado...um bom trecho por sinal! Na ida, como é uma subidinha, pedi que fosse mais devagar porque me canso nas subidas. Na volta, vinha eu toda contente pela rua arborizada e vínhamos conversando. De repente ele pára e começa a tirar com o pé, uns galhos de árvore que estavam empilhados sobre a calçada.
Desequilibrou-se por 2 vezes e eu fiquei com medo que caísse e batesse a cabeça. Pedi que deixasse pra lá, a prefeitura mesmo deve ter cortado estes galhos, eu falei, e virá buscar certamente. Mas ele foi reclamar uma atitude do pessoal do condomínio em frente ao qual está a árvore. Não satisfeito, deixou as sacolas no chão e disse que ele mesmo ia tirar tudo dali e tomar uma providência, já que ninguém o fazia!
- Céus! quem é mãe ou esposa compreende como fiquei apavorada! Tentei dissuadí-lo, mas ele é do signo de áries! E foi. E ficou lá abaixando-se e pegando galho por galho dos maiores e levando pro meio da rua, como um protesto! Meu coração que estava feliz e tranquilo com a brisa da tarde naquela descida de rua toda arborizada disparou, claro! ficou pequeno de medo e susto, por ele, por sua saúde!
Será que vale a pena tanta briga e protesto, sem medir consequências para se defender o que se julga certo?    Aliás, sei que ele estava certo em pensar que aquele lixo não podia impedir as pessoas de passarem na calçada, não poderia ficar ali... mas então, qualquer risco vale a pena? E qualquer maneira de se protestar é eficiente? E a saúde que é uma benção que Deus nos dá, onde fica? E a responsabilidade para aqueles que estão aflitos ao nosso lado? e será que a atitude resolveu com aqueles carros todos que num instante formaram fila, buzinando com as mães e filhos que saiam da escola no final daquela rua?
 O homem desceu a rua pálido e quando toquei na mão dele estava gelado. Ele, nervoso falou sem fôlego que fez o que era correto fazer!
Sei não...cada um é livre para fazer o que quiser ( dizem os extremamente independentes) mas, da próxima vez acho que vou ter de deixar ele lá... porque sua saúde pode ser de ferro, mas meu coração tá mais cansado...Ele sempre fez as escolhas dele...eu estou fazendo as minhas - vou respeitar meus limites e até que ponto posso aguentar presenciar certas coisas ou permanecer ao seu lado e ainda manter minha elegância ou meu bem estar.
- Tô pensando... até que parte do caminho vai a nossa responsabilidade pelo bem estar do outro que está a nosso lado?! Sempre acreditei que amar significa também discordar, ou se intrometer quando necessário pois não podemos ficar totalmente frios e indiferentes quanto àqueles a quem amamos... mas, tem momentos que a gente faz o primeiro gesto e até o segundo...rs...para tentar ajudar ou evitar coisas ruins...depois...a gente tem de largar mão e deixar rolar, não é ? Será? Pensemos e escolhamos!...rs... e que Deus ilumine nossas escolhas e nos torne fortes para aguentar as consequências e a incompreensão de quem assistir a nossas atitudes mas não puder compreender...
Texto e foto: Vera Alvarenga
   

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Se eu quiser falar com Deus - Gilberto Gil (raridade) - TV Cultura - Sr....





Está tudo indo bem, ou calmo, tudo do jeito que a gente já sabe que vai continuar e então...pluft...ôpa..póf, e tudo muda, a gente escorrega ou alguém cai bem ali do nosso lado e tudo parece virar do avesso ou a gente perde o rumo e não sabe ou não lembra nem mais o nome das coisas, enquanto quem está do nosso lado pensa que não conhece mais o caminho.

Então, a mente quer entender, ou até quem sabe nem queira mais compreender mas apenas seguir seguindo, apenas encontrar uma luz pra adquirir confiança e a gente pensa em conversar com Deus.

- Deus, me dá uma luz, não me deixa emburrecer não! Não me deixa ficar como quem tá indo embora, mesmo que não queira, só porque uma preguiça esquisita parece que tomou conta da mente e do coração, como se houvesse um limbo cuja lembrança  penetra na química do corpo e que transforma quase tudo em quase nada. Qualquer bússola ali...dispirocaria!! ficaria endoidecida! E aí, em reação, tudo fica anestesiado.

Mas a gente ainda, e mesmo assim ,quer falar com Deus e indo pra um lugar se pergunta se não seria melhor ir para outro e ficar um pouco só... quem sabe ele me escute e fale comigo...

E então a gente liga o rádio e... está tocando esta música!!



É assim mesmo, a vida tem estes momentos. Algumas coisas são assim mesmo... algumas vezes só falando com Deus...e mesmo assim, podemos sair sem compreender tudo como gostaríamos, mas se sairmos com a sensação de que não falamos sozinhos, então já é um bom re-início do caminho...(vera)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sonhei que o mundo ia acabar e me coloquei em segurança...

  Esta madrugada tive um sonho...
Estávamos numa emergência! De alguma forma se sabia que o mundo, como conhecemos pelo menos, ia acabar!grandes mudanças iam ocorrer ou sei lá o que! Então, algumas pessoas, como eu, se viam de repente dentro de uma nave, um disco voador do tamanho de um enorme salão. Tinha piso mas desde a altura da cintura e toda a parte de cima era feita com uma película finíssima mas resistente, transparente como vidro, que nos permitiria ver tudo mas nos protegeria ao mesmo tempo que deixaria entrar o oxigênio purificado. Beleza de solução, apropriada para sonhos! para os meus sonhos, que nunca são totalmente catastróficos à primeira vista. Se parte do mundo ia acabar, ali estaríamos a salvo!
 Então eu soube que dentro dele ficaríamos até tudo estar seguro novamente e podermos voltar para nossas vidas. Só que, por uma fatalidade daquilo que, de sonho passa num instante a pesadelo, alguém apertou algum botão errado e sobre minha cabeça começou a fechar-se tudo. Eram 2 portas arredondadas como cabe a um disco voador, de pesado material, da cor verde e que fechou tudo impedindo a nossa visão. O fato de ser da cor verde trazia conforto, porém não resolvia tudo. E por instinto soubemos que, quando acabasse o nosso tempo de puro oxigênio ali dentro guardado, o nosso mundo iria acabar para nós, não importando mais o que ocorresse lá fora....Incrível, estávamos trancados naquilo que deveria ser nossa salvação! ìamos morrer sufocados!( bem realista meu sonho afinal de contas, porque o mundo acaba, de uma forma ou outra, para cada um de nós quando não pudermos mais respirar!)
 Meu sonho terminou no momento exato em que sentia tristeza e uma grande perplexidade diante de duas coisas que, para mim, significavam a maior perda real: - meu Deus! não poderei "ver" mais nada do mundo ao meu redor? e nunca mais fazer amor? nunca mais amar?
   Acho que se não acordasse naquele momento teria chegado à mesma conclusão que reforça o que norteou minha vida.... O que te dá a sensação de segurança e liberdade...é poder sentir o vento ao olhar pra longe e"ver" o que há adiante, seja nos horizontes ou ao redor e, acima de tudo, poder amar! Ou ainda...é poder amar e ainda olhar o mundo ao redor!
  Só nos sentimos realmente condenados a uma prisão que nos limita quando, não podendo olhar para longe nem sonhar o amanhã, também não tivermos junto a nós, o nosso objeto de amor, aquele que nos faz capazes de amar e de enfrentar tudo hoje!
  Contudo, sonhos sempre tem mais de uma interpretação...
Foto e texto: Vera Alvarenga

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Uma notícia que me chamou a atenção!

 Do seu escritório,meu marido me deu a notícia: morreu "o homem do rio!"
-Como sabe?
Saiu aqui no Face.É de um jornal de Votorantim.
-Compartilha comigo!
Quando morei lá em Votorantim, tirei umas fotos de quem chamei de "o homem do rio", porque mora na rua e, com o seu amigo inseparável, um cão preto, ficam sempre à beira do rio.
   Nossa! que notícia confusa! Demorei um pouco para compreender... A manchete era o que eu chamaria de "espetaculosa" (existe este adjetivo?) - "MORRE RONALDINHO DO PT"  e ao lado dela a foto do "homem do rio"...
Fui ler a notícia e fiquei sabendo... Então o homem que eu chamei de "o homem do rio" e que está na foto da notícia, NÃO É O RONALDINHO QUE MORREU! aH! Aí compreendi que este, o da foto, deve ser o que a notícia conta ser o Mané da sucata...(?) E, no final das contas e da notícia. afinal descobri que o tal Ronaldinho nem morreu! Foi só um mal entendido? Ou uma fofoca desmentida, ou uma mentira mal contada ou...sei lá, mas algo que rendeu esta notícia meio confusa à primeira vista!
Manchete, se não me engano é algo que se usa também no volei? Não me lembro ao certo. Contudo sei que é o título de notícias sensacionais e impresso geralmente em letras grandes... as manchetes servem para chamar a atenção do leitor para a notícia, mas podem confundir, enganar,dizer meias verdades ou completas mentiras...e no Face...vai saber!

A foto da manchete? Não consegui copiar para trazer pra cá... mas podem crer, era a foto do meu "homem do rio"!  Meu? não! Já faz tempo que ele pertence apenas a ele mesmo, se é que não se perdeu de si, como me disseram...mas não pude confirmar.


Texto: Vera Alvarenga

domingo, 26 de janeiro de 2014

Uma boa sugestão...

 Alguém compartilhou este texto no Facebook. Não costumo colocar aqui no meu blog textos que não sejam meus ou de minha responsabilidade,mas este simplesmente é ótimo, não artificialmente poético, mas verdadeiro e atual e acho que é mesmo nisto que está a poesia...Hoje eu também diria isto para uma filha, se eu tivesse uma - case com alguém que goste de curtir a vida com você, que goste de estar em sua companhia e lhe demonstre isto, fique com alguém que te faça sorrir e ria junto com você, pois a vida já nos traz responsabilidades e momentos difíceis demais que teremos de enfrentar sozinhos e, se estamos junto com alguém é para fazer esta pessoa feliz e sentir-se bem na maior parte do tempo em que estivermos juntos, e vice/versa não é mesmo?... Adorei.
E aqui vai o texto:
"Casamento: modo se usar. Case-se com alguém que adore te escutar contando algo banal como o preço abusivo dos tomates, ou que entenda quando você precisar filosofar sobre os desamores de Nietzsche. Case-se com alguém que você também adore ouvir. É fácil reconhecer uma voz com quem se deve casar; ela te tranquiliza e ao mesmo tempo te deixa eufórico como em sua infância, quando se ouvia o som do portão abrindo, dos pais finalmente chegando. Observe se não há desespero ou insegurança no silêncio mútuo, assim sendo, case-se. Se aquela pessoa não te faz rir, também não serve para casar. Vai chegar a hora em que tudo o que vocês poderão fazer, é rir de si mesmos. E não há nada mais cruel do que estar em apuros com alguém sem espontaneidade, sem vida nos olhos. Case-se com alguém cheio de defeitos, irritante que seja, mas desconfie dos perfeitinhos que não se despenteiam. Fuja de quem conta pequenas mentiras durante o dia. Observe o caráter, antes de perceber as caspas. Case-se com alguém por quem tenha tesão. Principalmente tesão de vida. Alguém que não lhe peça para melhorar, que não o critique gratuitamente, alguém que simplesmente seja tão gracioso e admirável que impregne em você a vontade de ser melhor e maior, para si mesmo. Para se casar, bastam pequenas habilidades. Certifique-se de que um dos dois sabe cumpri-las. É preciso ter quem troque lâmpadas e quem siga uma receita sem atear fogo na cozinha; é preciso ter alguém que saiba fazer massagem nos pés e alguém que saiba escolher verduras no mercado. E assim segue-se: um faz bolinho de chuva, o outro escolhe bons filmes; um pendura o quadro e o outro cuida para que não fique torto. Tem aquele que escolhe os presentes para as festas de criança e aquele que sabe furar uma parede, e só a parede por ora. Essa é uma das grandes graças da coisa toda, ter uma boa equipe de dois. Passamos tanto tempo observando se nos encaixamos na cama, se sentimos estalinhos no beijo, se nossos signos se complementam no zodíaco, que deixamos de prestar atenção no que realmente importa; os valores. Essa palavra antiga e, hoje assustadora, nunca deveria sair de moda. Os lábios se buscam, os corpos encontram espaços, mas quando duas pessoas olham em direções diferentes, simplesmente não podem caminhar juntas. É duro, mas é a verdade. Sabendo que caminho quer trilhar, relaxe! A pessoa certa para casar certamente já o anda trilhando. Como reconhecê-la? Vocês estarão rindo. Rindo-se." 

Se alguém souber quem é o autor, me avise e terei prazer de colocar aqui.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Brindando à vida...um novo relacionamento...

A esta altura da vida, ainda estou a experimentar o que não tinha tido vontade ou oportunidade de fazê-lo. Provar o que ainda não tinha provado, isto bem combina comigo agora. Não porque seja inconstante ou esteja descontente, mas por ser de natureza curiosa e gostar de brindar às oportunidades de apreciar novos sabores da vida. E não vou a elas a correr destrambelhada, mas quando vem a mim, aceito-as alegremente, compartilhando-as sempre que possível.Tais oportunidades satisfazem minha alma, meu intelecto, meu corpo ou meu espírito, dependendo das circunstâncias.
   É como estar em um relacionamento recente no qual experimentamos, pouco a pouco, todo o prazer que as novas descobertas e situações podem nos trazer. E, dependendo de como vamos nos dedicando a ele, o que começa como uma paixão pode transformar-se em um amor que longe ficará do tédio. É o que está acontecendo com o vinho tinto.
 Embora eu tenha feito uma escultura com este nome " BRINDANDO À VIDA" onde há uma taça de vinho inclusive, decidi, há pouco tempo, finalmente dar mais atenção a ele. E disto nasceu um relacionamento promissor, pois parece que tudo está indo muito bem. É o tipo de relacionamento que não teme sair dos momentos de intimidade para o social, emprestando a este gesto generoso de partilha com amigos inclusive, uma sensação ainda maior de prazer e até alegria.
Gosto de sua companhia quando estou a preparar algum refeição especial e, por mais simples que ela seja, por não ser de praxe e estar acompanhada dele, ela se torna sempre especial. A presença dele ali comigo é tão apropriada quanto o é, aquele abraço que nos chega de surpresa, e vem macio, dado pelo homem que a gente ama quando, num minuto, decide nos mostrar que aprecia estarmos ali preparando aquela refeição.
  Desfrutar dele principalmente à noite, na intimidade do meu cantinho, quando sozinha me aconchego no sofá lendo alguma coisa ou fico em frente ao computador escrevendo, é um maravilhoso hábito recente e que me dá prazer. Apreciar a companhia do homem ou do vinho certo, sempre nos dará prazer, não é? Se tivermos ambos, e de quebra, uma agradável conversa então, será provarmos um instante do paraíso!
   E estou assim, a descobrir pouco a pouco, como ele se comporta e com o que combina dependendo das uvas e tudo o mais que compõem a sua história e o que ele é. Vou, deste modo experimentando-o, conhecendo-o. Ontem, num ambiente muito agradável, em muito boa companhia e comemorando o aniversário de uma de minhas noras, a Cláudia, provei o Malbec Catena, 2011. Delicioso!
   Bem, é claro que tudo depende de uma interpretação pessoal e tem de combinar conosco, com nosso gosto particular, com o que nos dá mais prazer e com o desejo de transformar um simples relacionamento inicial em um amor duradouro... talvez para o resto da vida.
Foto retirada do Google imagens
Texto :Vera Alvarenga    

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Imaginar que se está fazendo amor, não é o mesmo que fazê-lo, é claro!


Em vésperas de Natal, e mesmo estando muito longe ( em Paris...rs...) meu filho mais novo, fazendo um comentário lá no Face me deu, indiretamente, um presente inesperado ( ou quase, porque afinal, ele observa a vida e fiquei feliz por mais uma vez ver que ele, se esforça por viver o verbo amar como ação e reação ao sentimento). Então transcrevo aqui o seu comentário:
Respondendo a uma conversa no que sua mulher falava lá no Face sobre o amor, ele comentou com outro homem que dizia que amor não se dá, apenas se sente:
"Sem querer pegar no seu pé, mas... Talvez a sua escala de profundidade esteja ao contrário. Amor se dá sim, pois se demostra através de atitudes e gestos, os quais dedicamos à alguém. Eu mesmo faço isso todos os dias da minha vida. Você recebeu o melhor dos amores do mundo, por boa parte da sua vida, vindo da mamãe... Talvez, pela quantidade de horas que você passou na frente da tv, tenha assimilado a ideia que a tv passa sobre os sentimentos: a ideia de que podemos sentí-los confortavelmente sentados no sofá sem precisar fazer nada. Só sentir, sem fazer nada. Na verdade, embora os sentimentos que tenhamos em frente a tv sejam verdadeiros dentro de nós, são uma ponte de uma só via, como uma alucinação. Não possuem o mesmo nível de realidade de quando estamos efetivamente mergulhados na situação em si, vivendo-as de fato. Assistir seu time marcar um gol e vencer o campeonato não provoca o mesmo sentimento que realmente disputar um campeonato e marcar um gol você mesmo. Assistir à um concerto musical pela tv não proporciona a mesma emoção que estar de fato lá o sentindo ao vivo. Os sentimentos verdadeiros, nos impulsionam a fazer coisas, a agir. Em essência, por princípio, os sentimentos são a fonte que dá origem às ações e este é justamente o seu propósito. No caso do amor, são infinitas as maneiras de expressá-lo em atitudes... Quando amamos alguém, desencadeamos um processo onde pensamos, imaginamos e realizamos ações, sendo, a pessoa que amamos, a grande inspiração e motivação destas ações. A troca não é automática, é preciso fazer uma escolha, é preciso dedicar o tempo para podermos sentir ou demonstrar o que sentimos. Se estamos assistindo tv, não estamos colhendo uma flor, nem preparando um bolo... Cada coisa que fazemos é uma decisão politica que tomamos dentro de nós e que defini como utilizaremos os momentos de nossa vida. Podemos enriquecer o nosso dia e o nosso comportamento com atitudes que influenciam positivamente a vida das pessoas que amamos e isto é dedicar o seu tempo para elas... Podemos escutá-las com paciência e atenção, quando elas precisam falar algo, e isto é dar atenção... Temos esta escolha a cada dia, a cada oportunidade. Eu dou muito amor pra Pri através das minhas muitas ações dedicadas a ela e ela me dá muito amor através de suas atitudes. É por conta disto, por conta de sabermos a importância de se demonstrar os sentimentos e de se cultivar a reciprocidade dos sentimentos e do amor, através de atitudes que os demonstrem e os expressem, que colhemos os frutos provenientes disto.

Percebi que ele foi amoroso ao fazer este comentário e saliento o trecho que mais gostei e no qual acredito demais:
 Em essência, por princípio, os sentimentos são a fonte que dá origem às ações e este é justamente o seu propósito. No caso do amor, são infinitas as maneiras de expressá-lo em atitudes... Quando amamos alguém, desencadeamos um processo onde pensamos, imaginamos e realizamos ações, sendo, a pessoa que amamos, a grande inspiração e motivação destas ações. A troca não é automática, é preciso fazer uma escolha, é preciso dedicar o tempo para podermos sentir ou demonstrar o que sentimos."

O restante do comentário dele quando se refere a recebermos passivamente algo como quem vê TV, me fez ver melhor algo sobre mim mesma - que eu tenho uma tendência incrível para subestimar meus sentimentos, dando uma importância maior ao que é apenas fruto da imaginação, da intenção ou do desejo... pois certamente eu valorizei muito o que de fato não recebia, mas porque levava em conta a intenção de outros, o meu próprio desejo ou fantasia a respeito. É evidente que sempre vou considerar a intenção  um presente valioso por si, mas, como meu filho comenta em outras palavras, e me fez refletir - sonhar que se está viajando, ou sorrindo ou partilhando com alguém um momento maravilhoso, ou recebendo um gesto amoroso é o mesmo que imaginar que se está fazendo amor, não é o mesmo que fazê-lo de fato...rsrs.... Contentar-se com "imaginar algo" não traz a mesma emoção criativa,  incentivadora e sustentadora que o "viver algo" proporciona. Ninguém tem dúvida disto, mas por vezes a gente se acomoda num mundo onde o excesso de imaginação/fantasia acaba por substituir gestos concretos que nos tocariam verdadeiramente e germinariam maiores colheitas. Porque, no mundo de hoje, é a moda que sustenta o comodismo irresponsável dizer-se que "nada devemos cobrar do outro" e que " a felicidade está apenas em nossas mãos", como se fosse o objetivo maior do ser humano, ser feliz por si só, egoísticamente e sem partilhar a responsabilidade de construir relacionamentos de valor que levam em conta ação/reação/responsabilidade/consequência.

Texto transcrito: Roberto Alvarenga e comentário: Vera Alvarenga. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

E eu o convido para dançar...

 Há momentos em que meus pés sentem vontade de dançar...
E dançar é sentir-se leve, deixar-se levar...
Como eu gostava de dançar! Mais tivesse dançado!...e rindo alto o tivesse feito até com meus meninos naquele tempo, porque as horas, dias e anos riscam a noite como um cometa que depressa esconde seu brilho. Quando abrimos os olhos para ver, já se foi! E naquele tempo não sabia disto e mal tinha tempo de ver estrelas.
A responsabilidade que eu necessitava ter, terá sido  talvez maior do que a própria necessidade? Não sei. Tudo parecia cercado de urgência e de uma responsabilidade que tinha caráter intransferível.  Contudo, era eu mesma que me prendia nela com a nobreza de cuidadosos gestos que me eram peculiares e com a seriedade com que caminhava em direção a realização de uma meta. 
 Hoje, já não posso dançar como antes, e mesmo seria esquisito se o fizesse. E por saber que não posso, já nem quero. Mas a alma não está velha e quando meus pés ficam assim, inquietos, lanço mão de um truque quase  infalível, secreto  e decididamente apropriado – primeiro, não olho para os grandes espelhos – mostrariam o peso de responsabilidade dos meus anos, e os anos no peso do meu corpo. E depois, enquanto dura esta comichão nos pés e na alma, e mesmo que depois isto me traga uma certa nostalgia por ver que foi tudo apenas invenção minha, decido me permitir sair pela porta aberta daquela gaiola em que nos colocamos vez ou outra, todos nós, e danço e rodopio como se o tempo não tivesse passado além do tempo de minha ingênua, sincera e genuína alegria.
E quando me sinto encorajada para o que me parece uma maior ousadia, lembro que se fosse considerada ousadia pelo convidado, já não teria valor o convite... então, acreditando que sua alma deseja tanto quanto a minha, e sonha levezas como todos nós, convido-o para dançar. Feche os olhos. Venha...
E com os olhos do coração, vejo nossos passos se harmonizarem nesta dança perfeita. Não porque, de fato, haja perfeição nela mas porque sorrimos e vivemos,  nem que seja por minutos, um momento eterno... nem que seja para marejar os olhos da alma que se vê limitada por toda a concretude desta vida que habita no que é chamado realidade. E depois, minha alma serena e se tranquiliza, porém nostálgica, porque conhece o segredo daquilo que ao nos tocar é mais real do que a mais real de nossas realidades, algo que é capaz de reequilibrar e devolver o brilho das estrelas no céu...

Foto retirada do Google
Texto: Vera Alvarenga

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mãe de bailarina antes da estréia...

Eu não saio bem em fotos! E quando saio, salvo no meu computador... Odeio ver como faço caretas ou pareço brava, mesmo quando estou pensando em algo agradável e bom... acho que é a idade...rsrs...a boca da gente que fica mais fina, muda a expressão e quando a gente se vê na foto, até assusta, não se reconhece, não encontra mais aquela mulher mais jovem com quem convive no íntimo...kkk...
Mas eu tenho uma nora que, mesmo quando faz caretas, ainda fica bonita!!
E fiz pra ela esta historinha... acho que ela vai me perdoar... tomara que não se vingue colocando minhas fotos feias porque eu ia odiar... Ah! que saudades dos meus quase 40 anos!...rs....

Bem, aiaiai, eu me arrisquei...e coloquei no Face...se eu sumir do Face já sabem, é porque sofri um noricídio...kkk...

Então lá vai um episódio: "Mãe, antes da estréia de sua filhota bailarina, no teatro..."
Importante...CLIC NAS FOTOS para LER o que ela diz...kkk...





 A bailarina...
O irmão da bailarina...
Os tios da bailarina...
A avó coruja e os nonos da bailarina...
FIM DE FESTA!

Minha bailarina predileta!

 E tudo começou logo na entrada da casa de meus
netos, quando minha neta me perguntou:

- " Vó, sabe por que estou assim maquiada?
   Porque hoje sou uma japonesa!"

Logo depois fomos ver sua primeira apresentação
como bailarina....
Ah! lembrei quando eu era ainda menor que ela e meu sonho era ser bailarina. Contudo, naquele tempo não havia tantas boas academias de balé como hoje e nenhuma próximo à minha casa.

Minha mãe trabalhava no centro ao lado do Municipal. Se eu quisesse mesmo estudar balé, ela teria de me levar, antes do trabalho, mas...e depois?

Como eu faria para vir para casa a fim de frequentar a escola?

Então eu dançava sozinha, e imaginava, e rodava,
e rodava... sonhos de criança.

Quem diria que eu veria minha neta dançar?



E eu tive o prazer de assistir sua primeira apresentação!
E em um Teatro!

Maravilha! Ainda pude fotografar!

Foi mesmo um prazer e grande alegria.






Minha querida neta...você estava sim parecendo
uma japonesa....rsrs......

E estava linda!

Que delícia vê-la dançar!
Seu irmão estava ali do meu lado...você sabe, ele estava um pouco agitado, perguntando se a apresentação ia demorar muito...rsrs.....
mas quando você estava dançando, ele e todos nós, ficamos muito orgulhosos de você.

O que é isto? Uma aquarela de algum pintor famoso??? Na verdade, foi um projeto de Deus, viabilizado por Robson e Lika, cuja foto foi aquarelada por mim...rsrs.....

Beijo, minha querida criança... e que você tenha tempo e oportunidades para sonhar... desejar... construir os passos de sua dança em seu ritmo... e finalmente e alegremente realizar muitos de seus sonhos!
E que também possa ver, como eu, sonhos realizados pelos que você ama... é uma forma delicada de também encontrar momentos de felicidade e realização.

Fotos: Vera Alvarenga.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Lembrando do barulho do mar


 Eu adoro o barulho do mar.
Não esqueço as primeiras noites que passamos em Florianópolis, logo depois de mudarmos para lá. Em São Paulo, durante a noite, quando estava quase dormindo eu ouvia barulho de ônibus, de sirene de ambulância ou polícia, de brigas, e até de tiro, às vezes.
  Nas primeiras noites lá, na praia dos Ingleses, o silêncio era tanto que dava pra ouvir o que eu demorei um pouco para crer que era possível - o barulho das ondinhas do mar na praia, a menos de meia quadra de distância. Ah! até hoje posso ouvir isto, quando relembro. Acreditam??? Eita sensação boa... era como ouvir o barulho do mar numa concha enorme... a gente se sentia aconchegado com aquele som como se estivesse no útero do mundo....rs.... e dormia em paz...

Foto:Priscila Pereira Texto: Vera alvarenga

sábado, 30 de novembro de 2013

Passou por mim um mendigo...


Acaba de passar por mim um mendigo. Me penalizo dele- ninguém devia precisar mendigar! E tal pobreza causa-me arrepio, susto, quase um pavor. Como acabar com a miséria do ser humano? Como acabar com a fome no mundo? Do que temos fome?
  Distraída com tal pensamento, piso em falso, por pouco escapo de cair.
  Caio em mim.Sou pedinte. Sou pedinte como aquele que pede quando não tem. Mas quem não pede o que necessita? Há os que roubam, os que tomam para si de um jeito ou outro e os que não precisando pedir, mesmo assim, ainda não se satisfazem. Aquele mendigo pede. Pede o que necessita pois que se tivesse, viveria na alegria espontânea do viver com as faces coradas de saúde e não, como os que empalidecem e minguam a viver de migalhas. E neste vasto mundo, muitos minguam de diferentes maneiras.
  As vezes penso que ter o que satisfaz a fome e pacifica a alma seria o bastante. O bastante não porque fosse a conformação do pouco com o que se é obrigado a viver, não por não se desejar mais da vida, mas porque de mãos cheias daquilo que naturalmente deveria estar ao alcance de nosso toque, seríamos milionários e transbordaríamos, multiplicando. E a vida, aí sim, pareceria uma fonte inesgotável de desejos e possibilidades. A fome do mundo é o amor. O mendigo já não deseja, sua necessidade é urgente e básica.
  Há, no entanto, os que pensam que são milionários e isto não lhes basta. Saem em busca de mais e mais porque as fomes de sua alma são muitas. Estes me diriam que há muito mais no mundo do que o amor... ah, o amor não basta! Me diriam portanto, que estou apenas delirando como o fazem os pedintes ao imaginar que se estivessem do outro lado, do lado de quem muito recebe e tem sobras para dar, seriam felizes.
  Ah! Será que não há quem, experimentando comigo esta angústia, possa com alegria acordar dela? E ainda assim, ver que acordado está finalmente vivendo o sonho? E sonhe assim, vivendo satisfeito, até o final de seus dias?
  Olho pela última vez o mendigo que some ao final da rua. Ele já é um profissional do pedir, e de tanto que pediu, já não cora. Eu ainda coro, ainda não me conformo. Por vezes me distraio com um chiclete e o que me alimenta é o doce das lembranças de algo tão grande e forte realmente vivenciado, e o mel do sonho quase realizado....

Texto: Vera Alvarenga
Inspirado em Poesia completa de Álvaro de Campos -"Cruzou por mim,veio ter comigo, numa rua da Baixa"

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

"Vende-se" ou, Cada um vê o que quer...

Olhe esta foto e escreva um pequeno conto, dizia o desafio daquele blog.
E eu que estou habituada a imaginar... escrevi. Aliás, também estou acostumada a um fato incontestável - cada um vê o que quer naquilo que se desvenda a seus olhos...
Meu conto foi classificado em 1º lugar e ganharei uma caneca do blog "Olaria das Letras" que lançou o desafio. Clic na foto para ampliar e me diga por que o amigo de Naldo ficou tão aborrecido, afinal?...rsrs...
Então, lá vai:

"Vende-se"
Naldo vinha descendo a ladeira em direção ao ponto de ônibus e passou na frente daquele bar. Vinha cansado, mas depressa. Nem olhou para os lados. Queria chegar logo em casa. O carro estava na oficina, justo hoje que ele decidira andar pelo bairro à procura de...
- Oi Naldo, como vai cara?Você sumiu depois que ficou bem de vida. Quem é vivo aparece, né? Senta aí  pra gente botar o papo em dia! Soube que você terminou com a Miriam, verdade? Você era ligadão nela, não era?
-Sim, verdade, mas agora tô em outra. Nada de compromisso sério enquanto não realizar meu sonho, amigo. Olha, não posso ficar muito tempo. Tô cansado.
- Já sei, não quer falar no assunto. Compreendo. Então, vai voltar pro bairro?
- Não é isso. Já disse que quero outra coisa na minha vida agora.  Andei muito hoje procurando...hei, aquela ali me serve!
- Serve pra que? Pra teu sonho é? Desculpa amigo, mas não serve não!
- Como não? Me serve direitinho. É só dar um jeitinho nela.
- Já disse que não é pro teu bico!
- Ué, por que? Neste estado não pode ser muito cara.
- Escuta aqui, eu estou de olho nela faz tempo e...
- Então porque não comprou antes?
- Ela não está à venda não. É a mulher que eu amo, cara! Me respeita. A Miriam fez bem em te largar. Você não toma jeito mesmo, seu bundão! E sabe do que mais? Fui!

-  Mulher!?  que mulher??????

Conto: Vera Alvarenga
Link do Blog, para você participar

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Era tanto silêncio naquele café...


 E depois de tanto tempo, se encontraram. E logo, o silêncio acabrunhado que se seguiu ao primeiro olhar foi preenchido por palavras leves e soltas, que se sobrepunham por vezes, no desejo que ambos tinham de agradar e tornar aquele encontro possível.
  Inevitavelmente, após alguns minutos de animada conversa superficial, um outro silencio se colocou entre eles, aquele que ela mais temia, o silêncio do medo de não saber mais o que dizer. Por que as palavras que facilmente encontrava ao escrever, agora lhe fugiam? Por que tinha de ser assim, alguém tão calada, embora em seu interior houvesse uma efervescência de sentimentos? E por que ele também se calara? Ah! ela não era mais a jovem mulher bonita e elegante que fora um dia! O silencio dele seria o da indiferença? Estaria aborrecido, arrependido de estar ali? Afinal, ele era um homem tão experiente.
  Segurou o copo onde estava o café gelado cremoso, brincou com ele mas não o levou aos lábios porque sua mão tremia. Quis fugir dali. Se pudesse desapareceria como num passe de mágica. Precisava ter coragem e olhar pra ele mais uma vez antes de se desculpar, levantar-se e ir embora. Sentiu que corava. Havia uma tensão quase insuportável.
  E então, numa voz mansa, ele começou a lhe falar de suas dores e dúvidas,contou-lhe como vinha se sentindo. E ela, amorosamente, silenciou, desta vez para ouvir. Ao terminar o que tinha a dizer, foi ele que silenciou, e aquele era um silêncio humilde de um homem que reconhecia que houve momentos em que foi necessário entregar-se ao que não podia controlar.
  Ela sabia que havia muitos tipos de silêncio. Mais uma vez ela, que sempre fora tão amiga dos silêncios, experimentou aquele da admiração, o silêncio maravilhoso do encantamento. Queria dizer sábias palavras, talvez algo que pudesse fazê-lo feliz, queria ter as respostas, mas só fez um gesto. Docemente levou sua mão ao rosto dele e pensou - por este momento de amizade, respeito e confiança, valeu a pena sonhar... Amanhã acordarei feliz.
  Se olharam nos olhos. E foi a sua vez de falar um pouco de si. Insegura, falou pouco, tinha vergonha de suas próprias ingenuidades.  Ele a ouviu atentamente e não a interrompeu, nem a criticou. E ela que achou que o silêncio dele era puro orgulho! Como sabemos pouco daqueles que não conhecemos. Ambos tiveram a chance de experimentar um momento do silêncio do coração, o silêncio que ouve o outro procurando não julgá-lo. E se aproveitaram destes raros instantes que, no entanto, pareceram naturais para eles. E beberam aquele café e brindaram com ele na despedida, como se fora de uma fonte que lhes aplacava parte da sede.
  Ela estava pronta para acordar. Piscou algumas vezes. O quarto estava na penumbra...
 
  Depois do silêncio dos amantes que silenciam para aprender um sobre o outro e sobre si mesmos,e do desvendar os mistérios de cada um com a devida reverência que só os maduros tem, entregaram-se ao silêncio confortável do prazer de se sentirem relaxados e em segurança, apesar de se desnudarem.
  Ela estava deitada no seu ombro, afagava seu peito e sentia sua respiração. Não se importavam com o mundo lá fora. E ainda havia um copo de vinho para cada um na garrafa que transpirava ainda, no que restara do gelo.
  E então, eles cortaram o silêncio, a tensão se desfez, e riram como crianças felizes. E falaram trivialidades como se a vida fosse um presente recém conquistado....
Foto retirada do Google
Texto: Vera Alvarenga

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