terça-feira, 25 de setembro de 2012

Fazendo um Borboletário...

 Às vezes penso que tenho um parafuso a menos.
Talvez este pouco de loucura, constante deslumbramento, é o que me salva da sensação de tédio da qual muito ouço falar, e/ou da minha própria sensibilidade que me traz por vezes, outra sensação - a de inadequação minha, ou de inconformismo perante algumas coisas.
   Mas enfim, como se não tivesse nada mais importante a fazer, lá estava eu, desde domingo, envolvida com "o fazer"  um BORBOLETÁRIO para os netinhos. O último que fiz foi para meus filhos, há muito e muito tempo.
Mas quem mandou aquela lagarta atravessar bem no meu caminho?
Assim, ao sair para a caminhada domingo, já catei uma caixa deixada na calçada por um bebedor de vinho( uma de minhas bebidas prediletas), já comprei um vasinho de mini palmeirinha ( alimento predileto das lagartas) e comecei a instalar (furar) ar condicionado na casa das Borboletas. Depois, foi só encontrar tinta que não tivesse endurecida por falta de uso, recortar as janelas, esperar 2ª feira para comprar a "transparência" que tamparia aberturas. Recortar algumas figuras de borboletas, foi fácil.
Difícil mesmo foi encontrar as taturanas, e saí à caça. Até o zelador do prédio se entusiasmou e encontrou uma ( afinal é Primavera!). O marido outra. Ao todo, 2 casulos prontos e 3 lagartas. Daria pro gasto.
Na hora de levar à casa dos netos, para surpresa minha, uma das lagartas havia desaparecido! Só restara a cabeça. Acabara de transformar-se em casulo, liso, brilhante, lindo. Foi muito rápido! Quando olhei, uma das pontas ainda se movia. Simples e incrível a natureza. Confesso que me divirto e sinto um prazer singelo mas consistente, com estas minhas pequenas loucuras. Elas me lembram que o milagre da vida é muito mais significante do que muitas vezes, parece que é. E lá fui eu. Começo da noite. Uma preguiça só, mas não podia deixar de levar pra eles. Meia hora depois, cheguei. Expliquei a tal "Experiência Científica de Observação" na qual eles teriam a oportunidade de ver as lagartas rastejantes transformarem-se em seres alados maravilhosos e também aprender a ter paciência pois, não se pode ajudar borboletas a saírem do casulo, sob pena de matá-las. É preciso respeitar o tempo de cada ser.
E então, voltei para casa. Pronto, estava terminado. Se o gato não empurrar a caixa para o chão, talvez eles possam ver um dos milagres da Natureza ocorrer em frente a seus olhos.
E, apesar de toda a ciência, internet, comunicação rápida e tecnologia, as borboletas ainda nascem dos casulos, da mesma forma que há muitos anos atrás.... o que nos lembra que a vida naturalmente bela e significativa tem um ritmo próprio, não este que a loucura massificante nos quer impor.

Texto e fotos: Vera Alvarenga.

  

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Precisei do Convênio Saúde hoje!!

" Me pelo de medo quando preciso ir a um Hospital" ...claro, não é um parque de diversões e quando lá vamos levar um familiar para ser atendido, ainda mais para o que tudo indica ser uma emergência,estamos apreensivos e gostaríamos de um atendimento melhor e mais rápido possível.
   Eu nem ia escrever aqui, por estar tão cansada, mas resolvi dar este depoimento. 
  Há 2 dias que meu marido não estava bem. Os sintomas que poderiam parecer um início de gripe ou um alimento que não lhe caiu devidamente, depois de 2 dias demonstraram não ser nada disto. Foram 2 dias de vômitos, excessiva fraqueza, palidez, aquele olhar de cachorro sem dono, necessidade de dormir, desconforto no estômago, extremidades muito frias e... ai,ai,ai...ele me disse: - "uma sensação aqui" (pondo a mão no peito).
Após a teimosia dele não querendo ir ao hospital, precisei dizer-lhe:
- Precisamos ver isto, meu bem, pode ser um ameaço de infarto, sem dor. Eles vão fazer os exames e medicá-lo a tempo de prevenir contra qualquer outro mal maior.Logo estaremos de volta. Ao que ele respondeu:
- NÃO É NO PEITO!! é... é... no esôfago! ( a gente conhece esta reação de quem não quer entregar os pontos e, vamos e venhamos, quem já tem 5 pontes no coração, como ele, e foi levado para o hospital sem dor naquele dia em que já ficou internado para a cirurgia de alto risco, tem todos os motivos para não querer pensar no pior.  O problema é que EU SEI, que infartos podem ocorrer sem dor e, prevenção e cuidar dos que a gente ama, é reação natural. Assim, com jeito insisti e tinha jurado que hoje iria levá-lo, à força, se preciso. Mas não precisou- ele não estava mesmo bem e resolveu ir.
   Agora é que vem a história - Chegamos na sala de Triagem às 12:22 HS. e ele foi chamado para a "consulta de emergência prioridade 2", duas horas depois -14:20hs.
   O convênio médico da UNIMED, que meu filho paga para nós ( e não é pouco) pelo livro de atendimentos da UNIMED nos possibilita sermos atendidos no Hospital Santa Paula. Contudo, a ficha dele demorou muito para ser aprovada porque eles precisavam pedir autorização na UNIMED. E o mesmo vi acontecer com outra senhora bem idosa que lá estava. 
  Depois que meu marido foi para o atendimento, este foi irrepreensível, 2 enfermeiros gentis fazendo eletro e aplicando soro, o médico diagnosticando " estar meu marido desidratado" e "um mal estar talvez por alguma coisa que comeu". Só isto, graças a Deus então, desta vez me enganei! e, com um eletro que não indicava problemas.
   Para terminar, quero comentar que penso que a administração inapropriada de recursos parece ser uma doença que espalhou-se como epidemia, como eu sempre digo, com muitos agindo assim sem punição. Convênios de Saúde são caros mas são NECESSÁRIOS! Ainda bem que existem,mas deviam nos atender melhor! Um hospital, eu bem sei ( já trabalhei num deles, há muitos e muitos anos atrás), NÃO PODE atender a todos, sem a garantia dos CONVÊNIOS! E são os convênios que nos vendem as promessas e garantem atendimento na rede de saúde que escolhemos. O atendimento do SUS, é pior, com hospitais e aparelhos QUEBRADOS, precisando de reforma ( não me digam que é melhor!). Enfim, algo deve ser mudado com relação a este atendimento tão falho na saúde tanto do município, quanto do Estado, quanto dos Convênios!
   Estou feliz por meu marido não estar enfartado! por estarmos aqui em casa novamente depois de 4 hs. de hospital. Estamos aqui, vamos descansar e amanhã, do nosso "ninho" aqui no puleiro ...rs... veremos os pássaros virem tomar o café no nosso terraço.
foto e texto: Vera Alvarenga
 

sábado, 8 de setembro de 2012

Pode me informar, quem pintou isto?

  Às vezes ainda me surpreendo pensando se Deus brinca com a gente... ou quem sabe na sua onipresença e grandiosidade seria impessoal, não nos ouve, seríamos infantis em pensar o contrário... Talvez, a culpa seja mesmo da gente - tudo acontece porque a gente reza, pede, ora e, de repente, começa a ver coisas, e pensa que foi Ele que nos enviou o que pedimos, e então... Bem, algumas vezes dá certo, outras não! E outras ainda, a gente chega a vislumbrar, e sente tão de perto como se experimentasse uma lambida de um sorvete em dia de secura, calor e sede, para depois ver que alguém passou tão rápido e levou a delícia embora, deixando a gente ali, com "cara de tacho". E tudo que parecia que ia mudar, agora parece que permaneceu no mesmo( mas nunca é o mesmo). Seria o Tempo, este que nos roubou o que era quase como uma promessa a se realizar? E se não era, por que veio? Passam no nosso nariz, quando já não esperamos,tantas coisas que parecem sinais de que tudo vai mudar para melhor e depois... Seríamos nós os eternos atrapalhados?
   Não sei responder. E seguimos tentando acertar o passo. E quando estamos assim, começando a girar em volta da mesma dúvida, a respeito de Deus, ou dos homens... ou pelo menos quando eu estou assim, com pena de não ter tido asas para voar para um mundo novo, sem guerras, sem pequenas e constantes traições, com mais amor e lealdade, sensibilidade e reconhecimento, me sinto meio perdida na minha ignorância, como se soubesse que por causa dela me escapa um segredo...então recolho asas imaginárias e começo a olhar atentamente para os detalhes do que exista ali ao meu redor, aos meus pés, ou logo acima da cabeça, ou ao alcance da mão. Procuro ali ( como quem busca um sinal ou a mão Dele) pela beleza e a ela me agarro se a encontrar... 
   ...E a encontro... por vezes, me surpreendo porque ela está ali, mas não é aquela óbvia, é outra, uma beleza delicada, sutil, dentro da outra que se vê mais facilmente. Um sinal. E este pelo menos tenho certeza, de que me conta da existência Dele, porque, sem sombra de dúvida, quem poderia criar deste modo, colocando o belo onde não esperamos, ou ainda ao alcance de nossos sentidos? Só pra não deixar morrer a nossa fé, a esperança....
Foto e texto: Vera Alvarenga
Música Amelinha - do youtube

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Nada importante a fazer a não ser...

 Ontem soube que meu sobrinho que pensei já estivesse em casa há muito tempo, após uma cirurgia complicada, ainda está no Hospital! Evidentemente com coragem diante do que não podemos controlar, e com fé, ele e esposa enfrentam os desafios que a vida lhes traz.
  Eu, com este meu jeito introspectivo e às vezes. medroso de ser ( tenho medo de perder o amor ao qual possa me dedicar, e tenho medo de problemas de saúde que nos levem a hospital) acabo por ficar quietinha no meu canto, pensando que não tenho nada verdadeiramente importante para fazer a fim de mudar as coisas para melhor. Então, oro, e penso em coisas boas que posso "enviar" como energia aos que estão distantes e procuro agir no que está no meu limite próximo. Contudo, às vezes a gente nem percebe mas vai se encolhendo, só porque não vê os resultados imediatos de nossas ações, ou porque as coisas não ocorrem como gostaríamos.
   Sim, eles sabem! Sabem que há momentos em que nos sentimos pequenos e pensamos que nada mais há a fazer a não ser... pois são nestes momentos em que pensamos que nada importante podemos fazer é que está acontecendo o que realmente é relevante!!
 E então, na minha vida é assim também, acontecem fatos que me lembram que estou me acomodando ou desistindo desta minha crença no amor ( mesmo que seja o crer no amor e amar da minha forma de amar!).
 E hoje pela manhã, antes de ir ao oftalmo saber o resultado de uns exames( que foram bons, por sinal!), pedi a Deus por meu sobrinho e esposa, e por mim, que afastasse meus medos, que me permitisse livrar-me do sentimento de "não ser o bastante" e da recente mania de racionalizar mais do que realmente viver com simplicidade as coisas que posso viver. Antes eu fazia isto e agora parece que andei me esquecendo de como fazê-lo - viver o que é possível como se fosse um presente que mereço (já que as dificuldades, como sempre digo, a gente tem mesmo de enfrentar quando surgem). Logo depois, pensando que gostaria de ter algo importante para escrever como mensagem ao sobrinho, abri uma página de um livro desejando que a mensagem fosse inspiradora. É um livro psicografado de Teresa de Calcutá. O que estava escrito, evidentemente, serviu pra mim e espero que anime os dois em sua fé e no momento que estão atravessando, ali juntos há semanas, sem ter nada mais importante a fazer do que viver seu amor, aprender a descobrir o quanto são boas as pequenas bençãos que vem a cada dia, a ter paciência, coragem, humildade e a não esmorecer... Nada a realizar para o mundo(aparentemente, porque o exemplo deles pode inspirar outros) , muito a realizar por sua própria evolução... 
E no livro ela diz : "- Na verdade, passo a passo descobri que o medo cedia à medida que eu caminhava; que a coragem crescia na proporção do amor e da fé dedicados ao pouco que eu realizava. Descobri em mim uma força que em momento algum supus deter. Percebi que estava a meu alcance amar intensamente, tão intensamente quanto possível, apesar de não poder fazer coisas grandiosas. Logo canalizei minhas certezas,minha esperança e minha coragem para a força do amor...."  Cada um pode usar estas palavras como inspiração para sua vida e em sua maneira de ser...

Fotos e texto: Vera Alvarenga

Texto entre aspas/ grifado: retirado do livro A força Eterna do Amor - Robson Pinheiro

sábado, 25 de agosto de 2012

Eu conto...nós contamos!

Que alegria ter este livro nas mãos...folhear, tocar, ler o nosso conto ali entre outros.
Foi ano passado quando eu ainda morava em Votorantim e me inscrevi para este 2º Prêmio Jornal Cruzeiro do Sul de Literatura - Contos. Me lembro que foi com imensa alegria que recebi o telefonema de uma funcionária daquele jornal que queria conversar com um dos escritores selecionados - eu!  Eu mesma? Sim, era eu!
Nos mudamos para São Paulo este ano enquanto o livro estava sendo editado e ontem, era a noite de lançamento. Finalmente a noite esperada por todos nós.
   Por mais que sejamos tímidos ou introspectivos (como eu), ou humildes e modestos, nosso ego é grande parte do que somos sim, e ficamos felizes em sermos "um" entre 20 selecionados, dentre tantos inscritos de várias cidades participantes. O orgulho, a vaidade surgem como quando nos orgulhamos de um filho/a ou alguém que a gente ama e este/a obtém sucesso, seu trabalho sendo reconhecido por outros. Assim foi com cada um de nós ali (suponho)- todos felizes por sermos reconhecidos. E, no meu caso, vem também um sentimento de gratidão pela minha sorte porque graças à sensibilidade de quem, na comissão julgadora, deixou-se sensibilizar e emocionar pelo que escrevi, fui uma das escolhidas. É uma pequena, mas muito importante realização pessoal. Sou grata ao Jornal Cruzeiro do Sul, à Fundação Ubaldino do Amaral e aos organizadores do concurso por esta oportunidade, e muito também ao consultor editorial deste jornal, José Carlos Fineis que nos acompanhou em todo este processo, sempre com sua atenção e gentileza, além da decisão de fazer tudo acontecer.
 Meu marido foi levar-me de carro até Sorocaba, na sede da Fundação e do Jornal onde o evento estava agendado para início às 20 hs. Considerando 1 h. de estrada mais o tempo para chegarmos ao início da rodovia, ainda saímos com pelo menos 30 minutos de adiantamento( portanto com 2 hs.de antecedência). Chegaríamos uns minutos mais cedo, tudo bem! Mas São Paulo...Ah! Trânsito maluco este! nos pregou uma peça.
Ficamos 2 horas...sim, 2 horas na marginal de Pinheiros apenas para andarmos 14 km. até o início da Castelo Branco!! Isto porque, devido ao horário, pensamos que estaríamos no sentido em que o movimento deveria estar bem menor! Assim, chegamos lá com a cerimônia já acontecida! mas ainda em tempo de conhecer alguns dos colegas escritores selecionados que não tinham ido embora e para quem entreguei de presente o livro de poesias que eu e meu marido Cesar editamos. Deu tempo sim de fazer alguns agradecimentos, inclusive ao Fineis que está aí na foto, e de comer alguns deliciosos salgadinhos que ali estavam sendo servidos. Foi muito bom para o ego, para o coração, para a auto-estima e para servir de incentivo. O que a gente que gosta de escrever mais deseja é que nossos escritos sejam compartilhados, e com sorte, que possam emocionar, fazer refletir ou que alguém reconheça suas próprias emoções ou vivências naquilo que escrevemos. É um modo de sentirmos que não estamos sós na nossa humanidade, apesar de sabermos que cada um de nós é  "um ser único e peculiar", desejando ser reconhecido por alguém, no meio da multidão, pelo que somos.
Um brinde às nossas realizações que nos permitem o incentivo para desejarmos ser melhores no que nos propomos fazer. Tchin..Tchin ! Viva!  

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Corrupião....

 Com o tempo, apegara-se a ele. E tudo nele a agradava. Foi um gostar aos poucos. Cada um se aproximando devagar, com cuidado para não ferir ao outro, não assustar, não invadir o espaço.
 Ela tinha sentido medo. Talvez porque adivinhasse o que estava por vir.
  De vez em quando, podia senti-lo perto de si, mas ele não se deixava ver. Saía antes que ela tivesse tempo para ver a luz do sol entrar pela janela ou, quem sabe, nem estivera de fato ali, mas apenas dentro de seu coração. Por isto o sentia ainda tão próximo a si.
  Quem sabe o assustara naquele dia, ao abrir a janela tão impetuosamente, alegre com sua já habitual presença, desejando olhar nos seus olhos e compartilhar com ele o que tinha nos seus. Quem sabe, foi porque começara de novo a soltar a voz, incentivada por ele, pensando que ainda sabia cantar. Ou quem sabe aproximara-se demais, quisera tocar no que era intocável. E ele estaria bem? Algum menino cruel teria lhe tirado a vida com uma pedra lançada de um antiquado estilingue de mira certeira? Estaria preso em algum lugar distante?
  Se ele voltasse, ela não saberia mais como se aproximar. Teria de ter mais cautela, ser mais cuidadosa do que já era? Isto, então, lhe tiraria a alegria que tinha pensado ser possível. Ocorreu-lhe, pela primeira vez, que apesar de tanto em comum, o mundo deles talvez  fosse demasiadamente diferente. E que a união de dois mundos só valeria a pena se houvesse igualdade no desejo de fazer o outro tão feliz quanto a si mesmo - duas aves livres a aninhar-se juntas num imenso viveiro com portas abertas.  Era preciso ter a mesma natureza. Isto, a vida lhe ensinara. Então, apesar da saudade, agora, tudo estava em paz. Ela nada mais queria ser,do que era, e nada mais queria ter, do que já tinha. Nada mais desejava... a não ser, talvez, ouvir seu canto novamente, só para saber que ele vinha porque queria cantar para ela... e então, por sua natureza, talvez ela ficasse calada e encantada, ao sentir o coração iluminar-se outra vez...
Foto e texto: Vera Alvarenga.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Estruturas de apoio...

    Hoje tive de ficar desde às 8:30hs. até às 17hs. em um local ligeiramente distante de minha residência, para exame – medir em diferentes horários a pressão nos olhos. Bem, como tinha de acordar muito cedo pois teria de sair de casa às 7hs., preparei minhas coisas na noite anterior, deixando bolsa, roupa para o caso de esfriar, livro, texto para corrigir, enfim, tudo à mão, inclusive um “dinheiro para algum extra”, mania de gente que tem intuições e é prevenida, como eu. Levantar antes das 8:30, para mim, é muito cedo. Não marco nada para este horário, a menos que seja por motivo urgente ou saúde.
Meu marido combinou levar-me, pois não estou habituada a dirigir em São Paulo, longe dos bairros que conheço. Se por anos o apoiei para muitas coisas, ele hoje me retribui, me “choferando” para o essencial, como se diz, “uma mão lava a outra”. Fez-me companhia por um tempo até o almoço – levei palavras cruzadas para ele, demos uma volta no quarteirão daquele bairro bonito, alto e perigoso ( segundo uma das técnicas do exame – “Se a sra. for andar por aí a pé sozinha, pra fazer hora, melhor não levar bolsa!” – Fui, assim mesmo, porque estávamos juntos, eu e ele). Depois,foi pra casa  descansar e voltaria para buscar-me após às 17hs.
   Hoje, por mais de uma vez pensei:- “Ele me dá estrutura”. Foi ele também que me acordou, bem cedo. Uma vez, um amigo disse-me isto sobre sua esposa, que ela lhe dava estrutura. Achei bonito que ele reconhecesse. Acho que é comum, pessoas que se amam, que convivem em estreita relação, darem-se apoio, de modos diferentes.
   Todo um programa tinha sido feito- ele ia pegar os netos em casa deles no final da tarde, os três iam me buscar e ficaríamos com as crianças por algum tempo. Contudo, sentiu-se febril, corpo mole, início de gripe. Acabou tirando um cochilo necessário e os planos mudaram. Ao ligar para saber dele, meu filho contou-me que ia mandar buscar-me de taxi, já que o pai não estava muito bem. Fazia questão de pagar o motorista. – “Não precisa filho. Trouxe dinheiro comigo”, disse eu, com orgulho da minha fiel intuição! A vida tem destas coisas em dias corriqueiros, mudanças de planos, surpresas. Mas, existe taxi pra quê, não é mesmo? E intuição? Quando nossas costumeiras estruturas de apoio são retiradas, o que sobra é mesmo o que temos - nosso próprio esqueleto e o do taxista, é claro. Será que alguém ainda crê que vive independente de outros?  E a gente segue, tudo ok! a gente vê que pode se virar.
   Contudo, a minha maior surpresa foi, depois de anos sem tomar taxi e tendo que enfrentar o trânsito na marginal, no horário próximo das 18 hs., ver que o taxímetro corria muito mais do que o carro e já marcava R$ 61,00! E o pior, quase chegando ver que não havia dinheiro suficiente em minha bolsa! Que desagradável surpresa! eu esquecera o dinheiro “extra”provavelmente separadinho, mas em outro local. Enquanto aguardava meu marido finalmente decidir-se atender o interfone, já que ao celular não respondia, e descer para pagar o motorista, após intermináveis minutos de espera, o taxímetro já ia para quase R$ 70,00! (como é caro e demorado locomover-se em São Paulo, uma das cidades mais movimentadas do mundo, não é?).
    E como tudo é aprendizado, foi fácil perceber como nos descuidamos, todos e cada um de nós à sua maneira, quando estamos habituados a contar com estruturas de apoio( e sorte nossa quando as temos! e quando compreendemos que é melhor e natural que existam, e que por elas devemos ser gratos ). No mais, agora é certificar-me de nunca sair sem recontar o dinheiro para o taxi, nem que seja para escondê-lo na roupa íntima, à exemplo dos políticos desonestos... só que no meu caso, seria por pura precaução e segurança pessoal...
Foto Google images
Crônica; Vera Alvarenga

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Emoção e medo, no julgamento da Ação Penal 470

Acabo de assistir a uma parte da denúncia feita pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, ao Superior Tribunal Federal, para o julgamento da Ação Penal 470 ( Mensalão).
   Uma denúncia que começou a ser feita desde março de 2006. Era preciso provas e investigação. Entre as acusações estão crimes de formação de Quadrilha,Corrupção, roubo e desvio de dinheiro... do nosso dinheiro, do dinheiro público que é arrecadado entre os cidadãos de bem que ainda querem viver sob a tutela da Justiça/Lei, e obedecendo a ela, dinheiro que deveria ser reinvestido para o bem do povo, do cidadão deste país! Crimes, devo lembrar, como qualquer outro quando uma quadrilha assalta um banco, ou um bandido, a nossa casa. Só que, muitos destes de que falo agora, tem "imunidade" parlamentar( o que minha ignorância não permite compreender!) Só que esta quadrilha, em tão pouco tempo, roubou mais de 1 bilhão de dólares! Só que há, infelizmente me parece, algo como uma quadrilha a proteger outra, como mafiosos, neste meio político, em que a impunidade começou a prosperar - porque então, não há mais limites, nem medo das consequências e para eles, apenas o céu é o limite!
   Hoje, este procurador Roberto Gurgel apresentou as provas, a denúncia e pediu a condenação de 36 dos envolvidos.

   Enquanto tantos de nós clamamos por uma igualdade impossível ( que familiares de políticos estudassem nas mesmas escolas que os nossos, que fossem tratados nos mesmos hospitais) e isto anda deixando o povo doente, porque desesperançado e triste, que pelo menos, nossa esperança possa recair, sem medo, na JUSTIÇA! Para que ELA possa devolver um pouco da dignidade ao povo enganado.
   Impossível não ficar emocionada, e com medo, neste momento tão importante e às vésperas de um julgamento que terá repercussão de tão grande alcance. Porque, o resultado deste julgamento, na minha opinião, alcançará cada um dos lares de nosso povo. O Superior Tribunal Federal deve ser respeitado por nós,por cada um dos cidadãos comuns e por todos os poderes, porque representa nosso interesse pela Justiça em seu mais alto nível! Em suas mãos está agora o poder de dar um passo decisivo para o início da moralização dos atos criminosos de políticos e governantes deste país, e de acabar com a impunidade dos que detém algum tipo de poder nas esferas políticas, o que vinha servindo de estímulo para todo tipo de crimes em qualquer outro nível, e por consequência, vinha tirando o sossego e a paz de todo cidadão de bem, cumpridor de leis que se sentia cada vez mais acuado diante de tanta barbaridade cometida contra as pessoas, as famílias brasileiras.
   É sabido que nós, o povo, somos roubados, agredidos e usurpados em nossos direitos à boa saúde, excelente educação e tantos outros direitos e recursos que nos chegariam se, tantos crimes e roubos não estivessem a ser cometidos impunemente, primeiros nas mais altas esferas e depois pelos bandidos menores, mas nem por isto menos perigosos. A chantagem, a impunidade e a corrupção precisam acabar, se queremos poder ter esperanças. E é esta uma importante ocasião para uma medida exemplar o que abrirá portas para um crescimento e desenvolvimento maior do nosso país, de todos nós. Pensemos quanto dinheiro é desviado dos hospitais, de escolas, do esporte, etc, para os bolsos, cuecas e contas no exterior, de poucos! Melhor começar de cima, lembrando que esta correção servirá de exemplo.
   É preciso que a Justiça não se deixe intimidar, não se desvie de seu nobre caminho e intento de viver para o que foi criada -  proteger o cidadão de bem que respeita a lei, em seu direito de viver em paz, segurança e igualdade. Este mesmo cidadão que dia a dia, já vem há tempo perdendo esperança, e se intimida diante de crimes e atos desrespeitosos praticados pelos que deveriam trabalhar para o bem deste cidadão. E, em consequência disto, a corrupção se alastrou em todos os órgãos, até na polícia, e em todos os níveis, de uma forma tão assustadora, que já não conseguimos dormir em paz, com tanta violência. Deus, estamos sozinhos? Precisamos da Justiça, com sua espada e sua honra!
   Abaixo da venda que cobre seus olhos para impedí-la de desviar seu julgamento do que é justo e correto, abaixo da venda que tem nos olhos para que seja sempre imparcial, que a Justiça tenha o dom da visão da águia, que pode ver muito à frente, para pesar em sua balança as consequências de seu julgamento neste caso! Hoje, ainda são os que tem o poder político, que roubam bens e direitos impunemente, amanhã serão, talvez qualquer quadrilha que tenha armas e saiba impor a violência.
   Que as mentes dos magistrados, e seus corações sejam iluminados, que seu discernimento mantenha-se claro, seu julgamento firme e justo, sua moral e espírito íntegros! Que não olvidem jamais que todos nós, toda a nação, cada uma das crianças desta nossa pátria, desejam ter a esperança de dias melhores, com deveres, direitos, segurança, saúde, alegria e paz!
   Deus os abençõe!
Foto: retirada do Google
Texto: Vera Alvarenga      
  

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Narciso...e seu amor.

 Atrás de si ela pode ouvir os comentários:
-  Ela se comporta como Narciso!
   Nem tudo era sempre como parece ser, pensou. E seguiu calmamente para um canto do lago. Ali, não veriam que estava ferida e mancava. Nadando podia relaxar, sentir-se leve novamente.
- Por que ela se afasta? Na certa julga-se melhor do que nós.
   Não era verdade. Ela não sabia como ser outra coisa - não era uma pata, marreco ou ganso - era um cisne, nem grande nem pequena, em nada diferente dos demais de sua espécie. Nada tinha de especial para se destacar e nem o pretendia, e na verdade precisava ficar um tanto solitária para se recuperar. Ao olhar mais uma vez para seu reflexo na água, disse para si mesma:
   Quando olho para mim, nem sempre é apenas para procurar o que sou, ou a melhor parte de mim - os meus sonhos - nem mesmo o melhor de meus sentimentos. E certamente não é para admirar minha imagem. Se não o encontro em lugar algum, se não o vejo mais em nenhum lugar deste lago, olhar para dentro de mim é a única forma de voltar a encontrá-lo, pois é em meu coração que ele está guardado.

Texto e foto : Vera Alvarenga



domingo, 22 de julho de 2012

Levando tombos...

   No inverno, e quando se mora em apartamento, é preciso sair um pouco para caminhar e melhor, quando se pode aquecer ao sol. É o que fazemos aos domingos. Claro que preferiria ir ao Parque Ibirapuera, caminhar entre as árvores, ao lado do lago... mas, é tão difícil estacionar por lá, então, uma grande volta no quarteirão já tá de bom tamanho.
  No caminho da volta, a rua é toda arborizada. Agradável de se andar nela, não na calçada, que a cada laje de concreto de um metro há duas canaletas de uns 15 cm., uma próxima da outra, que atrapalham bastante o caminhar. É necessário andar olhando para o chão para não se torcer o pé. Sabendo disto, costumo ser atenta.
  Geralmente venho pela rua e só entro na calçada quando a rua se estreita por conta dos carros estacionados. Hoje, me distraí. Vinha vindo tranquila, com minha câmera pendurada no ombro enquanto um lindo cão preto vinha do outro lado da rua e eu, por um segundo olhei para ele. Já tinha dado uma daquelas espiadas rápidas para reconhecer o terreno à frente, já tinha visto que havia uma placa de cimento um pouco levantada, mas não imaginava que logo após havia uma canaleta sem terra, buraco no qual a ponta do meu tênis enfiou-se, prendeu-se e me levou ao desequilíbrio, em seguida, ao chão.
  Tive consciência de que num milésimo de segundo estaria estatelada na calçada, mesmo assim, deu tempo de puxar a câmera fotográfica tentando protegê-la, depois, mãos para frente e plunft ! Já era. Lá estava eu com dor nos joelhos e mãos, esparramada na calçada.
  Recebi pronta ajuda de quem estava comigo- a mão estendida para me ajudar a levantar. Que bom!
  - Detesto andar nesta calçada com todos estes buracos! Desabafar me fez bem, naquela situação.
  - Mas aqui não tem nada, foi falta de atenção! Ouvir isto me fez mal.
  - Claro que tem, olha ali onde enfiei meu pé! Meu tênis com a ponta esfolada também comprovava. Pronto, lá estava eu sentada na calçada, tentando explicar. Queria que ele tivesse conseguido ficar calado, embora não tivesse sido o culpado do meu tombo. Por que há pessoas que nos chamam a atenção quando a gente ainda está estatelada no chão?
  - Ela está bem? A mulher na calçada em frente lhe perguntou. E, simpática, olhando pra mim : - Você se machucou? Ah! que frase maravilhosa de se ouvir numa situação daquelas.
  - Não, obrigada. Só o susto. E é desagradável cair na rua, não é? Sorrimos, uma para a outra.
  Claro, é desagradável cair em qualquer lugar, mas em público e numa calçada áspera, mais ainda.
  O homem com o cachorro, andando mais depressa, já ia longe a cuidar da própria vida.
  Interrompi os resmungos do meu companheiro de caminhada. Sim, eu sabia que tinha sido culpa de minha falta de atenção, embora nem estivesse tão distraída assim buscando o que fotografar, como ele dissera. Apenas não queria ficar olhando sempre para o chão!
 - Por que você não me perguntou se eu me machuquei?
 - Porque eu me assustei!
 Eu também tinha me assustado! Então, éramos dois. Contudo, fora joelhos e mão ralados, roupa, câmera e tudo o mais estavam bem. Maravilha, não torci o pé. Apesar do tombo, tive sorte.
 Lembrei de quando uma criança cai ao nosso lado e a gente logo vai atender, e para sermos solidárias, brigamos com a porcaria da calçada que a fez cair! Cumplicidade faz bem. Logo depois a gente ensina que é preciso mais cuidado. Bom ser criança... Mas, talvez, quando o susto é grande, por vezes a gente acabe por querer ensinar o outro a se proteger, naquele exato momento em que bastava o apoio... sei lá. Isto não é necessariamente falta de carinho. Acho que depende do momento, e depende de cada um.
  Interessante perceber o que fazemos quando nos assustamos e não temos tempo para pensar.
  E interessante lembrar que, mesmo sendo adultos, quando menos esperamos, podemos cair no chão, na calçada, da pose. Melhor na calçada do que por uma rasteira na vida. E sempre se aprende... se você quer fotografar, se distrair ou levantar a cabeça em sua caminhada, vá em seu ritmo, com cuidado, devagar... e se cair, o jeito é levantar, sacudir a poeira e seguir em frente. 
Texto: Vera Alvarenga
Foto: retirada do Google.
  

sábado, 7 de julho de 2012

Hábitos ...

  Um barulho qualquer o acordou. Não aquele tipo de barulho que por anos e anos ouvira logo cedo. Sua rotina havia mudado, e muito. E nesta manhã estava num hotel, numa cidade pequena, mais uma vez, apenas de passagem.
De qualquer modo, ao abrir os olhos, deslumbrou-se.
Havia uma pequenina fresta na janela. Alguém a esquecera de fechar, o que lhe passara desapercebido na noite anterior, quando chegara bastante cansado. Ele, há anos, estava acostumado com o ar condicionado dos hotéis e as pesadas cortinas que tudo escurecem. Ali, a cortina  era leve e, entreaberta, deixava passar a luz que já furtivamente entrava.
Como uma fenda num vestido de mulher, que deixava a beleza apenas insinuar-se com seus mistérios, o que passava pela fresta era apenas um feixe de luz, mas iluminava de dourado o espaço, deixando antever a promessa do outro lado. Música silenciosa, a luz fazia dançarem partículas infinitamente minúsculas de poeira, como se elas pudessem conter energia própria, como se fossem seres iluminados. Aquela imagem lhe trazia lembranças antigas, de um tempo por demais longínquo, no qual a simplicidade de certos hábitos   inundavam de alegria ingênua vida. Fechou os olhos. Foi bom lembrar. A sensação era boa. Abriu-os, e em seguida, levantou-se.
Foi à janela. Escancarou-a num só gesto, como quem quer desvendar segredos ou possuir toda a luz. Mais que penetrá-la, queria absorvê-la, tê-la dentro de si, preencher com ela o espaço vazio. Sentia-se estranhamente leve como aquelas partículas douradas recém vistas. Lembrou-se de uma amiga que uma vez lhe falou sobre esta leveza, que ela mesma sentia ao deparar-se com a luz, pela manhã, em sua janela. Sorriu. Lá fora, tudo estava aceso e parecia convidá-lo a sorrir.
Durante o rápido banho, lembrou-se daquela mulher que se apaixonara por ele. Na ocasião confessou-lhe que sentia-se leve a ponto de quase voar, quando ele a chamava pelas manhãs para conversarem. Ela o havia comparado a um raio de sol.
Ah, mulheres... São doces, quando apaixonadas! Delicadas e frágeis. Muitas vezes, tolamente ingênuas, excessivamente românticas. Dizem que depois de amar sentem-se flutuar. E gostam disto. Talvez por isto façam do amor algo que se mistura facilmente ao sexo, aos gestos, ao desejo de entrega. Ele, gostava de manter pés firmes no chão.
Algumas lembranças o acompanharam durante o banho. Não teve tanta pressa como era habitual. Deu-se conta que agora, era dono de seu tempo. Sorriu.  Ao sair, o leve perfume do sabonete estava entranhado na pele. Não gostava de perfume, isto era algo que apreciava sentir numa mulher e, claro, na proporção certa. Contudo, este não era excessivo, sairia logo, tudo bem. Colocou sua loção preferida, quase sem cheiro, que sempre levava em viagem, para suavizar a pele após fazer a barba cerrada. Homem tinha de ter cheiro, não perfume. Num instante, já descia com sua pasta para o café e em seguida sairia para o que tinha de ser feito. Sentia-se, no entanto, mais vivo e melhor que nos últimos dias. Isto inspirou-lhe uma idéia.
No corredor, ao cruzar com outro empresário, hóspede como ele, deu-se conta de uma sutil diferença no próprio andar. Que era aquilo? Estava leve demais! A isto não estava habituado e por certo, não lhe cairia bem... Pigarreou. Franziu a testa, pegou o celular para tratar de algum assunto importante. Qual seria? Não importa...encontraria um. Apressou então o passo, e pisou mais firme no chão, como de costume.

Texto: Vera Alvarenga
Foto retirada do Google imagens
  

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